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O castelo medieval
Embora não hajam maiores
informações acerca de seu
povoamento inicial, nem
construção do castelo, D. Afonso
Henriques (1112-1185) concedeu
Carta de Foral a Mós em 1162. O
seu filho e sucessor, D. Sancho
I (1185-1211), de passagem de
Trancoso a Braga, no lugar de
Chacim, próximo a Mós,
fez a
doação do reguengo de
Cilhade aos
seus povoadores, declarando
fazê-lo
por Deus e pelo bom serviço que
havia recebido e esperava
continuar a receber do seu
Castelo de Mós.
Sob o reinado de Afonso III
(1248-1279), as
Inquirições de 1258,
relatam que o concelho guardava
a terça das dízimas da
Igreja de Santa Maria de Mós,
destinada à reparação e
manutenção do castelo da vila.
Essa fonte de recursos ainda era
utilizada no século seguinte:
uma carta de D. Afonso IV
(1325-1357) declara que o
soberano concedia a
terça da (...)
Egreja
de Móos
a Pedro Dias, seu procurador na
terra de Bragança, se o muro do
dito Lugar de
Móos
he
acabado, e que de futuro quando
comprir
de se adubar esse muro
en
alguma
cousa, que
el o
adube pela renda da dita
Eigreja
(1335).
Ao
final da Idade Média acentua-se
o processo de despovoamento da
vila, em favor de uma povoação
vizinha, no termo de
Carviçais. No reinado de
D. Fernando (1367-1383), o
soberano concedeu a Torre de
Moncorvo, por termo, e os
lugares de Mós e de Vilarinho da
Castanheira, uma vez que
non
som taes
que se defendam nem possam
defender por
ssy
(1372). Na tentativa de deter o
processo, ainda antes de 1450
foi estabelecido um couto de
homiziados
em Mós, tendo o Concelho
solicitado à Coroa novos
privilégios a ele relacionados,
uma vez que a vila estava muito
desffalecida
de jentes
que em ella
soiam
dauer
por as guerras e grandes
pestelencias que
sse
sseguyrom.O
Numeramento de
1527 a 1532 refere que a vila
encontrava-se cercada, embora
essa cerca estivesse danificada
em alguns trechos. Contava,
nessa altura, apenas 43
habitantes contra 54 na vizinha
aldeia de
Carviçais, no mesmo
termo.
Em
fins do século XVII, o Padre
Carvalho da Costa
registrou idêntica situação,
informando que
nesta villa
se vè
quasi
hum
aruinado
castello
com sua cisterna dentro
delle,
que mostra ser a
villa
antigamente povoação de mais
conta. Nesta fase,
haviam no castelo apenas 90
fogos, enquanto que na vizinha
Carviçais,
único lugar do termo,
contavam-se
250.
Do século XIX aos nossos dias
No
século XIX, o Concelho de Mós
foi extinto, integrado no de
Torre de Moncorvo.
Os
remanescentes do castelo
encontram-se classificados como
Imóvel de Interesse Público por
Decreto publicado em 20 de
Outubro de 1955. Na década de
1960 parte da muralha medieval
ruiu, registrando-se uma
construção particular sobre um
troço
muralhado. Na ocasião,
fez-se sentir a intervenção do
poder público pela
ação
da
DGEMN, através da
reconstrução de um troço da
muralha e de obras na zona
envolvente (1963).
Atualmente
restam apenas vestígios de
alguns troços de muralha com
casas de habitação
adossadas.
Fora dos muros destacam-se a
Igreja de Santa Maria e o
pelourinho.
Características
O
pequeno castelo apresenta planta
com o formato ovalado, em estilo
românico. A muralha, em pedra de
xisto miúda, é rasgada a Sul
pela porta, comunicando com o
arrabalde da vila medieval e os
caminhos em direcção a Freixo de
Espada à Cinta, Alva, Torre de
Moncorvo e Miranda. Intra-muros,
a vila estruturava-se em torno
da Rua Direita, que definia um
eixo Norte-Sul. Extra-muros
foram erguidos a Igreja de Santa
Maria e, no lado oposto,
fronteiro à porta do castelo, o
largo com a Casa da Câmara e o
pelourinho.
O
tipo de organização do povoado
de Mós revela padrão semelhante
aos de Freixo de Espada à Cinta,
Urros e Alva. Relativamente aos
castelos de Freixo de Espada à
Cinta,
Urros e Alva, com
os quais possui afinidades, o de
Mós é o único a possuir a Igreja
de Santa Maria implantada no
lado oposto ao largo
desenvolvido fronteiro à porta
principal da cerca.
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