|
O Noroeste Ibérico na Época Medieval
|
|
 |
409 - 585: Os Suevos no noroeste da Ibéria
Na região entre o Havel e o Spree (actualmente a região de
Berlim) existia uma confederação de tribos denominadas Suevos. Estes
povos adoravam uma divindade comum, o deus Ziu. Deslocando-se
lentamente para regiões mais meridionais, ocuparam sucessivamente a
Saxónia, a Turíngia e a Baviera. No século I AC houve uma cisão da
confederação, formando os seguintes grupos:
- Hermúnduros
- Marcomanos
- Quados
- Vangiones
- Neméteros
- Tribocos
Os Quados, instalados na Boémia e Morávia actuais, moveram-se para
sul invadindo a península Ibérica, juntamente com alguns Marcomanos.
Nestas vagas invasoras, foram acompanhados pelos Vândalos Silingos,
pelos Vândalos Asdingos e pelos Alanos. Após desvastações causadas
durante cerca de dez anos aceitaram a proposta romana de um pacto de
federação, ficando a península repartida entre eles.
 |
Os Silingos ficaram na Bética
Os Alanos na Lusitânia e na Cartaginense Ocidental
Os Suevos e os Asdingos na Galécia
A Tarraconense conservou-se nas mãos do Império Romano
As estimativas mais optimistas quanto ao número dos invasores
suevos apontam para 30.000 pessoas. Estes implantaram-se
preferencialmente nas zonas de Braga, Porto, Lugo e Astorga. Na
região do Porto, segundo Idício, cronista cristão do séc. V,
estabeleceram-se em duas povoações; Portucale Castrum (Gaia) e
Portucale Locum (Porto). |
- em 438 o rei Suevo Hernenarico ratifica a paz com os povos
Galaicos e, cansado por uma vida de lutas, ele que já comandava os
Suevos quando estes entraram na península Ibérica, abdicou em favor
de seu filho Réquita.
- em 448 Réquita morre deixando um estado em expansão a seu filho
Requiário que, sendo católico, vai impor este credo à população
sueva. A população urbana da Galécia era já predominantemente
católica. A cidade de Braga como capital do reino Suevo e sede
episcopal ganha grande importância, a qual ainda hoje é visível no
caracter metropolita da sua Sé, primaz entre as dioceses do Noroeste
peninsular.
- em 456 Requiário é morto e vários pretendentes aparecem,
agrupados em duas facções. Nota-se uma divisão marcada pelo rio
Minho, provavelmente um reflexo das duas tribos, Quados e Marcomanos,
que constituiam a nação sueva na península.
- em 585 os Visigodos destroçam os seus adversários Suevos,
capturando o rei Andeca. A Galécia passa a ser uma província
Visigoda, mas provavelmante com um certo grau de autonomia.
740 - 1037: Das Astúrias à Galiza e Portucale
Dá-se a invasão muçulmana. O soberano visigodo Roderico, que tinha
subido ao trono em 710, foi derrotado na batalha de Guadalete ocorrida
a 19 de Julho de 711. As crónicas muçulmanas dão Roderico como morto
em combate, mas a tradição cristã é a de que se foi refugiar nas
serras da Lusitânia, mais precisamente na região de Viseu.
Toledo, sede da administração real e religiosa visigoda, rendeu-se
em Novembro de 711 após um simulacro de resistência. Os seus notáveis
fogem precipitadamente para norte. No ano de 714 é operada a conquista
da Lusitânia Central e Setentrional, seguida pela tomada de Viseu,
Portucale, Bracara, Tui e Lugo.
Para norte dos Pirinéus as invasões muçulmanas são travadas por
Carlos Martel, rei dos Francos, na batalha de Poitiers (732).
A Reconquista, a partir das Astúrias, começa por ser um movimento
regional não exclusivamente godo. Pelaio, filho de Favila rei dos
Godos, tinha governado a Galécia no reinado de Égica, recebendo assim
preparação para a vida militar. Não tendo sido tentado a depor as
armas perante as hordas muçulmanas torna-se no chefe da resistência.
Em 722 trava o encontro de Covadonga que foi um sinal decisivo na
determinação de combater os invasores, apesar do insucesso em que
resultou para as forças cristãs.
Fixado em Cangas de Oñis, Pelaio lança os fundamentos de um pequeno
estado. Seu genro, Afonso I «O Católico», duque da Cantábria, que
reina de 739 a 757, alarga as fronteiras da reconquista até ao rio
Douro logo no 2º ano do seu reinado. As terras da Galiza e do futuro
condado Portucalense ficam-lhe sujeitas. A acção desenvolvida por
Afonso I contribuiu de forma notável para que não se verifica-se a
fixação do invasor muçulmano na velha Galécia, libertando-a da
islamização.
Os sucessores de Afonso I limitaram-se a manter a defensiva através
da resistência e do ermamento das zonas de fronteira. Sob a invocação
de Sant'Iago, Ramiro I (842-850) reinicia a reconquista. Afonso III
(866-909) fomenta a ocupação e reconstrução dos territórios. É então
atribuído ao conde Vímara Peres a administração de Portucale. Nesta
altura é conquistada a zona de Emínio, à qual é aplicado o antigo
costume do ermamento.
Em 909 Afonso III é obrigado, pelos seus filhos, a abdicar,
dividindo entre estes o reino.
Aparece assim pela 1ª vez o título de rei de Leáo. Alguns anos mais
tarde Ordonho consegue reagrupar as terras partilhadas e passa a
reinar como Ordonho II, usando a designação de rei de Leão.
Após a morte de Ramiro II (951), filho de Ordonho II, ascende a um
lugar destacado na terra Portucalense a condessa Mumadona Dias, já
viúva. Esta apoia Ordonho IV «O Mau» contra Sancho I «O Gordo». Surgem
aqui dois grupos. Um deles com Guimarães como origem e o outro, afecto
a Sancho I, congrega os barões galegos de Límia. Esta é a primeira
contenda entre os barões portucalenses e os barões galegos, cujo
dirimir só se viria a verificar na batalha de São Mamede (1128). Esta
Mumadona Dias foi a mulher mais rica do seu tempo, acumulou riqueza e
soube repartir os seus bens.
Após a morte de Sancho I, sucedeu-lhe o filho Ramiro III, ainda
menor. Este contou com a oposição do primo, Bermudo Ordonhes, filho de
Ordonho III. Com a morte de Ramiro III, em 984, este ascende ao trono
com o nome de Bermudo II. Morre em 999 deixando o reino ao filho
menor, Afonso V, sob a tutela do conde Mendo Gonçalves, neto da
condessa Mumadona Dias.
A Afonso V sucede-lhe o filho Bermudo III, sob tutela de Navarra.
Morrendo o conde de Castela, Garcia Sanches, a herança cai sobre D.
Maior Sanches, casada com Sancho III de Navarra. Designa-se então como
herdeiro do condado de Castela o infante D. Fernando, que casou com
Sancha, irmã de Bermudo III de Leão. Em 1037 morria Bermudo III na
batalha de Tamarón, deixando o reino a sua irmã Sancha. Terminava
assim a dinastia dos reis asturianos. Cabia a herança do trono a um
rei navarro, que abriu Leão e Castela à cultura do norte da Europa.
 |
Genealogia dos
reis
Asturianos
1037: Leão, Galiza e Portucale
- Astorga
- Sant'Iago
- Guimarães
- Porto
- Coimbra
- Torre de
Vasconcelos
- Torre de Penagate
- Serra de Cabrera
- Grijó
|
1037 - 1112: Os Franceses e o Conde D. Henrique de Borgonha
Após a morte de Fernando «O Magno», em 1065, os seus estados foram
divididos pelos seus três filhos.
Sancho ficou a reinar em Castela
Afonso ficou a reinar em Leão
Garcia ficou a reinar na Galiza, juntamente com a terra Portucalense
O conde portucalense Nuno Mendes encabeça em 1071 uma revolta
contra o rei Garcia. Tentava-se assim, a independência da terra
Portucalense. O rei Garcia determinado a dominar a revolta encontra-se
com as hostes do conde em Pedroso, localidade situada a norte de
Braga, entre a cidade e o rio Cávado. O conde Nuno Mendes é derrotado,
tornando-se no último conde da nobreza regional a governar Portucale.
Os reinos de Leão e Castela são mais uma vez unidos, sob a coroa de
Afonso VI, o qual prendendo o seu irmão Garcia, obtem também o
controlo da Galiza. A vitória dos almorávidas sobre Afonso VI, na
batalha de Zalaca, marca uma importante mudança da relação de forças
na península. Esta derrota não atingiu apenas o ânimo dos cristãos
peninsulares, mas também os meios nobres e eclésiasticos de além
Pirinéus. Afonso VI era casado com D. Constança de Borgonha, filha do
duque Roberto I. Este ducado e outros da França do sul apressaram-se a
enviar reforços militares.
De Borgonha vem em 1092 D. Raimundo, filho segundo de Guilherme I
«O Grande», conde de Borgonha. A ele é atribuído o governo de toda a
Galiza, cujo poder se encontrava vago pela morte recente do rei
Garcia. Casou com a filha legítima de Afonso VI, D. Urraca. Mais
tarde, e talvez atraído pelo sucesso do seu primo, vem para a
península D. Henrique de Borgonha, da família ducal. Afonso VI casa-o
com a sua filha ilegítima D. Teresa e atribui-lhe o governo do condado
Portucalense, incluíndo a zona de Emínio (Coimbra).
Após a morte de D. Henrique, em 1112, fica D. Teresa a governar o
condado, pois achava que este lhe pertencia por direito, mais do que a
outrém, já que lhe tinha sido dado por seu pai na altura do casamento.
Associou ao governo o conde galego Bermudo Peres de Trava e o seu
irmão Fernão Peres de Trava. Terá até talvez casado em segundas
núpcias com Bermudo, do qual terá tido uma filha.
A crescente influência dos condes galegos no governo do condado
Portucalense levou à revolta verificada em 1128, portagonizada pela
grande maioria dos infanções do Entre Douro e Minho. Estes escolheram
para seu caudilho, D. Afonso Henriques, filho de D. Henrique e de D.
Teresa.
"A Galiza, incluindo debaixo desta denominação a extensa
província portugalense e que naturalmente se devia considerar como
incorporado o território novamente adquirido ao Garb muçulmano,
constituía já um vasto estado remoto do centro da monarquia leonesa.
Os condes que dominavam os distritos em que esse largo tracto de
terra se dividia ficavam assaz poderosos para facilmente se
possuírem das ideias de independência e rebelião comuns naquele
tempo, tanto entre os sarracenos como entre os cristãos. Afonso VI
pôde evitar esse risco convertendo toda a Galiza, na mais extensa
significação desta palavra, em um grande senhorio, cujo governo
entregou a um membro da sua família (...)"
in História de Portugal de Alexandre Herculano
1128: Os Nobres da Fundação e a Batalha de São Mamede
- Soeiro Mendes de Sousa «O Grosso» (1121-1137)
- Gonçalo Mendes de Sousa «Sousão» (1154-1167)
- Egas Moniz de Ribadouro «O Aio» (1108-1146)
- Ermígio Moniz de Ribadouro (1128-1135)
- Gonçalo Mendes da Maia «O Lidador»
- D. Paio Soares da Maia «Arcebispo de Braga»
- Sancho Nunes de Barbosa (1114-1169)
- Afonso Nunes de Barbosa (1131)
- Fernão Captivo «Alféres-Mor»
- Egas Moniz de Cresconhe
- Paio Mendes
- Paio Ramires Ramirão
- Nuno Soares Velho (1117-1162)
- Godinho Fafes de Lanhoso
- Garcia Soares
(Pretende-se aqui apresentar uma lista dos pricipais fidalgos que
participaram na batalha de São Mamede ao lado de D. Afonso Henriques.
Esta listagem não é de todo exaustiva pois não existe uma listagem
completa, e confiável, dos mesmos. Entre parentesis estão as datas em
que se encontram documentos que confirmam a vida de cada indivíduo.)
Na batalha de São Mamede defrontam-se os exércitos do conde Fernão
Peres de Trava e o dos barões portucalenses. Estes últimos quando
venceram Fernão Peres pretendiam apenas obriga-lo a ceder o governo do
condado portucalense ao príncipe herdeiro.
A intervenção dos barões portucalenses, liderada pelos senhores de
Sousa e de Ribadouro, resultava de um longo percurso, ao longo do qual
as linhagens de Entre Douro e Minho tinham solidificado o poder que
exerciam na região. Pretendiam, como desde o tempo da condessa Mumadona
Dias ocupar um lugar que não estivesse subordinado a ninguém, a não ser
uma autoridade local em serviço dos seus interesses. O jovem herdeiro do
condado servia exactamente a essa pretensão. Após a vitória Afonso
Henriques tomou a autoridade com todo o vigor.
Afonso VII de Leão, ocupado com as vicissitudes da política leonesa,
não atribui importância a esta mudança de poder no condado, e limita-se
a aceitar o preito de fidelidade de D. Afonso Henriques em 1137. Porque
isso contribuia para engrandecer o prestígio do imperador Afonso VII, a
chancelaria leonesa não hesita em atribuir o título de rei ao príncipe
portugues. Podia assim Afonso VII afirmar a sua condição de imperador, o
qual tem reis por vassalos.
 |
Em 1143 o rei de Portugal dirige-se ao Papa, numa carta,
declarando que faz homenagem à Sé Apostólica como miles de
São Pedro, obrigando-se a pagar o censo anual de quatro onças de
ouro, sob a condição de o Papa defender a honra e a dignidade dele e
da sua «terra». Declarou ainda que não reconhecia a autoridade de
nenhum outro poder eclesiástico ou secular. Com esta carta D. Afonso
Henriques oficializava a independência de Portugal
Não se conhece nenhuma reacção do imperador Afonso VII até 1148.
Quer desconhece-se a vassalagem à Santa Sé, quer não acreditasse nas
suas consequências práticas, não parece ter-se incomodado com ela.
Apenas quando D. Afonso Henriques, após a conquista de Lisboa,
procede à restauração das sés de Lisboa, Viseu e Lamego, sagradas
pelos arcebispo de Braga, o imperador se deu conta de que o acto
tinha consequências graves. No entanto demasiado ocupado com a
reconquista e com a evolução das suas relações com os reinos de
Navarra e Aragão, não parece ter procurado recuperar a autoridade
sobre Portugal. |
Genealogia de
D. Afonso
Henriques
ENTRADA |
ÉPOCA MEDIEVAL
| NOROESTE IBÉRICO |
OS
VASCONCELOS
|
|