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Pinhal Novo
Lagoa da Palha
o Pinhal Novo é um dos centros
populacionais mais significativos do centro da Península de Setúbal e ao
contrário de outros grandes aglomerados urbanos da região, que se
desenvolveram próximos do estuário
ou do mar, não possui planos de água visíveis junto ao seu perímetro urbano.
No entanto, também aqui está
presente a água não só à superfície como subterraneamente.De facto, os
limites do estuário terão sido há milhões de
anos junto ao Pinhal Novo, tendo progressivamente recuado, com acumulações
de areia cada vez maiores, um
dos motivos que terá "barrado" aqui o rejo e levou à sua saída para o mar
mais a Norte. Actualmente, o Pinhal
Novo localiza-se no centro desta grande bacia de sedimentação, onde o
enchimento de areias é maior, atin-
gindo ao longo dos últimos 5 milhões de anos um registo de 325 m de
espessura, segundo uma sondagem aqui rea-
lizada em 1955 para prospecção de petróleo.Estes depósitos fundamentalmente
arenosos, constituem actualmente
o maior reservatório de água
potável do país, que se estende de Grândola a Tomar e regista uma
produtividade
diária de 400 m3 por Km2.É o mais
produtivo a nível nacional e considerado um dos maiores da Europa, sendo
responsável por 99% do
abastecimento de água na margem esquerda do Tejo.
Salienta-se que as águas subterrâneas constituem cerca de 97% da água doce
existente no mundo.
A Reserva Ecológica Nacional (REN) é um conjunto de áreas que em Palmela
abrangem cerca de 9% da área do Concelho.
Inclui as margens do Estuário do Sado, as albufeiras, grande parte das
linhas de água, áreas com risco de erosão, as ca-
beceiras das linhas de água e as áreas de máxima infiltração da água, para
que a recarga destes "reservatórios" subter-
râneos se efectue. É interdito nestas áreas as operações de loteamento,
construção de edifícios, obras hidráulicas, vias
de comunicação, aterros, escavações e a destruição do coberto vegetal (Decreto-Lei
93/90 de 19/3).
A maior área de REN do concelho situa-se na freguesia de Pinhal Novo na zona
da Brejoeira/Lagoa da Palha e abrange
cerca de 10 km2. Assim, esta área, salvaguardada para zona de infiltração e
recarga do aquífero mantém-se hoje tam-
bém uma das estruturas verdes contínuas de maior significado ecológico no
concelho.
A reserva abrange o troço final da Vala da Salgueirinha que nasce a 200 m de
altitude na Serra do Louro e a cerca de 14 km
do vale da Brejoeira (topónimo proveniente de brejo ou terreno pantanoso)
local de confluência de linhas de água e
onde foi construída uma barragem recolhendo águas de toda essa bacia. É aqui
também que se pode dizer que começa a
Península de Setúbal, neste espaço de fronteira entre a gândara com os seus
pinhais e o montado.
Ao nível da avifauna, aves aquáticas como o
perna-longa Borrelho-pequeno-de-coleira, Maçarico-de-bico-direito,
Galinha-de-água, Galeirão, Pato-real , Zarro-comum , Garça-branca e
Garça-real. Corvídeos como a Gralha-preta, Gaio,
Pega-azul e várias outras espécies como: Tartaranhão-ruivo-dos-paúis,
Águia-de-asa-redonda, Águia-calçada,
Peneireiro-vulgar, Cegonha-branca, Perdiz, Guincho, Cuco-canoro, Melro,
Poupa, Abelharuco, Picanço-barreteiro, Es-
torninho-preto, Cotovia-de-poupa, Fuínha-dos-juncos, Trigueirão, Verdilhão,
Andorinhão-preto, Andorinha-dáurica,
Andorinha-das-barreiras, Andorinha-dos-beirais, Cartaxo,
Rouxinol-dos-caniços, Rouxinol-comum, Rouxinol-bravo,
Toutinegra-de-cabeça-preta, Carriça, Pintassilgo, Pintarroxo,Bico-de-lacre e
Alvéola-branca.
Vasta região de lagoas, charcas e cursos de água
mal drenados, manteve um carácter de espaço de "fronteira" entre
territórios, como aconteceu entre os reinos cristãos e muçulmanos durante os
séculos IX a XII,. Região reservada para
abastecimento de lenha e carvão a Lisboa e zona privilegiada para a caça, a
partir dos séculos XVII/XVIII, a escassez de
lenha levaria então à plantação de extensos pinhais.Segundo os dados
actualmente disponíveis, os mais antigos
vestígios arqueológicos identificados na área Lagoa do Monte Velho datam do
século XVIII e situam-se numa pe-
quena elevação junto à maior das lagoas que existia então na região. Será o
local da mais antiga edificação da zona do
Pinhal Novo, com valor simbólico para a identidade local. O local
referenciado desde 1767 denominava-se Alagoa da
Palha, verificando-se ainda hoje vestígios da antiga lagoa. |