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Passeios intemporais pelo Castelo de Palmela

A posição geográfica do núcleo fortificado do castelo permite-lhe uma visualização estratégica de parte do estuário sadino, de uma vertente da cordilheira da Arrábida e das planícies envolventes que a separam do Tejo, o que se revestia da maior importância pelas ligações e possibilidades de comunicação que se estabeleciam com os castelos circundantes das linhas do Tejo e do Sado.
Da importância adquirida ao longo dos tempos (ver percurso histórico), o castelo chega aos nossos dias revitalizado e reabilitado arquitectonicamente, oferecendo uma nova dinâmica cultural e turística. Descubra os contornos da paisagem e um conjunto de espaços que lhe sugerem prolongados passeios intemporais.

Percurso Pedestre pelo Centro Histórico de Palmela

Comece este passeio pelo local cimeiro de Palmela: o Castelo. Aqui, poderá relembrar locais com história e descobrir este valioso conjunto monumental. Ao descer do castelo para a vila, espreite o miradouro do lado direito e vislumbre uma paisagem intensa de cor verde, das serras de S. Luís, Louro e Arrábida, com o Rio Sado no fundo, a completar este idílico quadro.

Depois, se descer até à Vila irá descobrir no Largo do Município a Igreja de São Pedro. A origem da sua fundação é desconhecida, embora existam algumas referências documentais que referem o ano de 1320, pensa-se no entanto que a Igreja seja mais antiga. O actual edifício data da 2ª metade do século XVI, sendo António Rodrigues arquitecto de El rei D Sebastião, o seu autor.
O interior da igreja é de 3 naves com colunas toscanas. Nas paredes, datando de século XVIII, existe um conjunto de notáveis azulejos historiados com cenas da vida de São Pedro. Na capela mor, também revestida com azulejos, existe um bom conjunto de telas setecentistas.
A campanha de obras do reinado de D João V, foi motivada pela destruição do interior da igreja devido ao incêndio do dia 17 de Abril de 1713. Também o terramoto de 1755 destruiu a fachada principal, tendo-se prolongado a sua reconstrução até finais do século XVIII.

O edifício dos Paços do Concelho, ali bem ao lado da Igreja de São Pedro, é outro dos monumentos de destaque no largo. Presumivelmente datado do século XVII, sofreu ao longo dos anos várias intervenções. O Salão Nobre serviu como tribunal no século XVIII e, poucos anos após o terramoto de 1755, julga-se que funcionariam no edifício o Tribunal, a Câmara, o Açougue e a Prisão.
Entre 1927-28, após a Restauração do Concelho, o edifício foi alvo de uma campanha de obras, que o adaptou para a instalação de repartições públicas.

Localizado nas imediações dos Paços do Concelho encontramos o Pelourinho que simboliza a justiça local que muitas vezes ai era ministrada e com data do ano de 1645. A revolução Liberal considerou os pelourinhos como um símbolo de opressão e muitos foram destruídos, não tendo escapado o de Palmela. O monumento actual foi depois reconstruído em fevereiro de 1907 e será em breve, alvo de obras de recuperação. Está classificado como monumento nacional.

No mesmo largo podemos encontrar a Igreja da Misericórdia edifício setecentista de uma só nave com azulejos do século XVII. Ao lado da Igreja, encontra-se o Hospital do Espírito Santo, integrado na Misericórdia e provavelmente seu antecedente, cujo actual edifício data do século XVIII.

De seguida, inicie a descida por entre casario típico caiado e com varandas e lanternas de ferro. Este é o coração da vila, com vielas entrecortadas por escadarias.
Passando pelo Largo do Mercado Municipal, cujas obras de construção arrancarão em breve, vire na Rua do Passadiço com uma buganvília enrolada no arco que atravessa a rua. Prossiga pela Rua Contra Almirante Jaime Afreixo e pelo Largo Marquês de Pombal com um chafariz ao centro.

Continuando a descer as ruas com o casario típico, que foi crescendo acompanhando a morfologia do terreno, chegamos ao Chafariz D Maria I. Construção do século XVIII com as armas desta Rainha ladeadas pelas antigas armas de Palmela.
A Vila de Palmela não é muralhada, sendo apenas o Castelo o seu local de protecção. Mas não é por este facto que não existem "entradas" no burgo. Assim o Chafariz D.Maria, assim denominado por ter sido construído sob a sua protecção e patrocínio, é a uma verdadeira "Porta Grande" e símbolo de Palmela. O actual chafariz, construído em 1792 a pedido de governantes locais, nobreza e povo veio substituir um outro, mais modesto e arruinado, mandado fazer em meados do século XVI por D.Jorge de Lencastre.

Inicie a subida pelo íngreme Jardim Joaquim José Carvalho, um dos personagens de maior relevo na restauração do concelho, e descanse no Largo São João. Aqui poderá ver a Capela de S. João Baptista, datada do século XVII, e o Coreto da Sociedade Filarmónica Humanitária, da autoria de Salvador Augusto Camolas, construído em 1924 e que apresenta uma decoração típica da época.
Numa das ruas transversais ao Largo São João, mais precisamente na Rua General Amilcar Mota, aprecie um conjunto de casas de habitação de inícios do século XX, que apresentam fachadas de notável plasticidade e decoração, com revestimentos exteriores de painéis de azulejos nos coroamentos e paramentos em ladrilho cerâmico vidrado.

De volta ao Largo, visite um dos ex-libris de Palmela: o Cine teatro São João.
Com o filme "As aventuras de D. Juan" e a revista Alemã "Que pernas ela tem" foi inaugurado, em 26 de Julho de 1952, o Cine Teatro São João.
Nasceu assim, em Palmela, uma das mais categorizadas casas de espectáculo fora dos grandes centros urbanos, mandada construir por Humberto da Silva Cardoso para "engrandecimento de Palmela".
O arquitecto Wily Brun, o engenheiro Pedro Cavalleri Martinho e António Ventura, encarregado da construção, confirmaram os seus méritos profissionais, dando corpo a um edifício harmonioso, sóbrio, com amplos espaços interiores, uma sala de espectáculos espaçosa, recheada de pormenores decorativos.
Nos dias de hoje tem tido uma dinâmica utilização, quer para espectáculos de teatro e dança quer para concertos, cinema e exposições.

Para terminar esta visita pelo centro histórico de Palmela, visite a Casa Mãe da Rota de Vinhos e aprecie um bom moscatel da região.

Vestígios Arqueológicos

Parta à descoberta dos vestígios arqueológicos existentes no concelho de Palmela. Existem testemunhos do Paleolítico à Época Contemporânea.
O vasto espólio proveniente dos espaços escavados tem sido tratado, estudado e divulgado em seminários e congressos nacionais e internacionais, constituindo uma significativa colecção museológica.

Sepulcros Neolíticos da Quinta do Anjo

As quatro Grutas Artificiais da Quinta do Anjo são monumentos funerários de características únicas, integráveis no período do Neolítico Final ( há cerca de 4500 anos) Juntamente com vestígios ósseos recolheram-se no local vários objectos pré históricos como pontas de seta em sílex, machados de pedra polida e placas de xisto decoradas e taças cerâmicas designadas como Taças Tipo Palmela. Estes sepulcros continuaram a ser utilizados como locais de enterramento colectivos durante a Idade do Cobre.

Jazidas Arqueológicas do Camarral e Casal da Cerca (Palmela)

Situado nas imediações do actual núcleo urbano de Volta da Pedra, o estabelecimento mesolítico do Camarral data de 9000 a 7500 antes do presente. Os grupos humanos que durante o Mesolítico residiram no sítio do Camarral desenvolveram uma indústria lítica predominantemente sobre sílex.
O Casal da Cerca é um povoado neolítico antigo, com cerca de 6000 anos, que ocupou uma extensa área da vertente norte da colina de Palmela. Praticava -se aí uma economia mista: caça- recolecção e produção de alimentos.
É de sublinhar a presença da cerâmica - uma das principais inovações tecnológicas que caracterizam o Neolítico e a qual se relaciona com a crescente sedentarização.

Zambujalinho (Herdade do Zambujal, Marateca)

O sítio do Zambujalinho engloba uma vasta área de cerca de 13,7 ha, na margem esquerda da Ribeira da Marateca, onde se inicia o canal de Águas de Moura. Era aqui que se fabricavam as "vasilhas" - ânforas para o transporte de produtos piscícolas produzidos em Tróia, com destino aos vários pontos do Império Romano.

Área Urbana de Palmela

Período Baixo - Medieval/ Moderno

Nas intervenções arqueológicas realizadas em vários pontos da vila - Rua de Nenhures, casa nº4 da Rua do Castelo, Paços do Concelho (Poente) e Castelo de Palmela obteve-se espólio cerâmico datável dos sécs. XIII a XV.
As escavações revelaram ainda algumas estruturas, com destaque para as da casa nº 4 da Rua do Castelo.
Materiais de finais do século XV, séc XVI e séc: XVII foram recolhidos no acompanhamento de obras efectuadas em diversas ruas da vila. Salientam-se as cerâmicas esmaltadas e vidradas da Rua Augusto Cardoso, algumas das quais importadas de Valência e vários elementos de adorno pessoal.

O Castelo Islâmico

A ocupação do castelo pelos muçulmanos está hoje atestada arqueologicamente no período entre os séculos VIII-IX/XII. Apesar de mais escassos subsistem alguns traços da presença Almoada.
Pelos dados documentais cristãos do séc. XII e XIII sabemos da existência de uma casta nobre muçulmana em Palmela (Balmâla) por alturas da conquista de Lisboa (1147) e da rendição incondicional do castelo logo após. Em finais do séc XII- inícios do XIII sucedem-se as incursões almoadas e as contra-investidas cristãs, sob a lança dos freires de Santiago que entretanto estabeleceram um núcleo militar neste castelo.
As investigações arqueológicas efectuadas nesse local da alcáçova conduziram à descoberta de estruturas sobrepostas que abrangem todas as fases atrás citadas. Além de fossas e silos, encontram-se restos de casas de habitação, algumas adossadas à muralha, com a respectiva distribuição funcional: lixeiras, canais de escoamento de águas. Derrubes e níveis de incêndio ilustram momentos de destruição violenta no castelo.

Aldeia de Quinta do Anjo

Quinta do Anjo

Sede de Freguesia com o mesmo nome, é um importante pólo de desenvolvimento do Concelho de Palmela, situando-se na sua área um conjunto de empreendimentos industriais de grande dimensão e mantendo simultaneamente uma tradição rural de elevada expressão na produção de Vinho, de Queijo de Ovelha (Queijo de Azeitão) e de Doces Regionais.

Centro da aldeia

O Largo da Igreja e da Sociedade de Instrução Musical são o centro social da aldeia, onde decorrem os grandes eventos e festas locais. Na Quinta do Anjo, a devoção religiosa é muito grande sendo celebrada initerruptamente desde 1756 a Festa de Todos os Santos, a 1 de Novembro, como agradecimento pela salvação da localidade aos estragos do terramoto do ano anterior. A Sociedade de Instrução Musical é pólo de cultura e de formação musical e cívica desde a sua fundação em 1921, sendo de salientar a beleza da sua sede em estilo romântico.

Aldeia dos Bacelos

A parte mais antiga da Quinta do Anjo, provavelmente com ocupação desde a pré-história, é composta por núcleos de casas baixas, com pátios onde tradicionalmente se guarda o gado ovino e caprino e onde se situam algumas das queijarias. O seu nome provém da enorme quantidade de vinhas que circundavam as habitações e que noutros tempos constituíam, a par do pastoreio, a única subsistência das populações locais.

Quinta da Fonte do Anjo

Diz a lenda que a fonte existente nesta quinta foi protegida por ".. um anjo bom armado de espada, portanto S.Miguel" da tentativa de envenenamento pelas forças do mal, salvando assim as populações que dela viviam. A imagem de pedra e cal que lá existia do anjo armado de espada pisando o dragão, esborou-se em 1985, estando a própria fonte quase seca devido ao abaixamento dos níveis friáticos. A Quinta do Anjo acabou por dar o nome a toda povoação que se desenvolveu ao seu redor.

Moinhos

No alto da Serra do Louro, erguem-se os moinhos de vento que, num passado não muito distante, constituiam importante indústria de transformação de cereais. A força do vento embate nas velas abertas, fazendo rodar um eixo, que por sua vez transmite a rotação a uma pedra calcária que roda sobre uma outra fixa. Estas pedras denominadas "mós", recebem entre elas os grãos de cereal, transformando-o em farinha.

Sepulturas colectivas pré-históricas

Um dos mais importantes vestígios da Pré-História são um conjunto de quatro grutas artificiais, escavadas na rocha e que serviram de sepulcro colectivo para os povos da região durante cerca de 1000 anos no Período Calcolítico (Idade do Cobre). O morto era colocado na posição fetal, acompanhado de um conjunto de cerimoniais e oferendas, dentro da sepultura que pela sua configuração imita um ventre materno, simbolizando esta acto um voltar à origem da vida e um tributo à fertilidade.

Pinhal Novo: a transição cidade - campo

Já foi a maior vinha do país. Hoje é um centro urbano em grande expansão. A 20 minutos de Lisboa, a freguesia de Pinhal Novo justifica um olhar mais atento e reserva-lhe algumas surpresas.

Comece por visitar o centro da vila, percorrendo as ruas da baixa e o Largo José Maria dos Santos. Desde finais do Século XIX que este largo, cedido à população por José Maria dos Santos, foi usado como recinto de mercado e feira de gado, sendo hoje, o jardim central da vila que alberga a capela, o coreto e a estação ferroviária.
Na Estação de Caminhos de Ferro, entretenha-se a observar os interessantes painéis de azulejos de 1938 e a reconhecer as paisagens ali representadas. Construção da década de 30 do século XX, a estação dos caminhos de ferro têm ainda a Torre de Controle que é considerada um notável edifício funcionalista, da autoria do Arquitecto Cotinelli Telmo.
Ainda no Largo, desperte o olhar para os pormenores decorativos do coreto. Edificado em mármore, pedra lioz e ferro é um bom exemplo da decoração típica da época de construção (1927).
De seguida, passe pela Biblioteca Municipal, consulte livros, filmes ou música, e fique a conhecer um pouco mais sobre a literatura portuguesa, na exposição bibliográfica que todos os meses destaca um autor diferente.
Se a sua visita coincidir com o segundo Domingo do mês, aproveite para fazer compras no mercado, um dos mais movimentados no distrito.
Siga em direcção a Rio Frio, desfrutando em pleno a sua manhã. Mantenha o olhar na paisagem e aperceba-se da transição nítida entre cidade - campo. Numa das maiores herdades do país, poderá admirar um magnífico exemplar da arquitectura do início do século: o palácio de Rio Frio, projecto de José Ribeiro Júnior, decorado com azulejos de Jorge Colaço, que abordam a temática da agricultura e do vinho.
Adaptada a turismo de habitação, o palácio disponibiliza também um espaço para a realização de festas de casamento e outros eventos.
Para além do palácio, a herdade conserva um interessante conjunto de edifícios de apoio às actividades agrícolas e residência de trabalhadores assim como uma escola, o picadeiro e cavalariças e uma capela dos anos 50. É também aqui, no armazém nº8, que se situa a Oficina do Mestre Ferreiro Faria, reserva visitável do Museu Municipal de Palmela. Mas atenção: para conhecer esta colecção de utensílios que nos recorda um ofício tradicional quase desaparecido, é necessário marcar previamente com o Serviço Educativo do Museu Municipal de Palmela.
No Centro Hípico de Rio Frio aproveite para ter a sua primeira lição de equitação, ou se é já experiente nestas matérias, retomar o contacto com o mundo equestre.

De Poceirão à Marateca: Por terras de vinho, arroz e cegonhas

Dedique um fim-de-semana a visitar as freguesias de Poceirão e Marateca que, no Concelho de Palmela, são conhecidas por serem terras privilegiadas de vinho, arroz e cegonhas.

Inicie a sua viagem no Poceirão, zona de produção de vinho e cereais e que tem também como referência na sua história a estação de caminhos de ferro. Junto à estação, poderá ver um conjunto de armazéns, frente à linha férrea, que relembram cenários de arquitectura industrial.
Nesta localidade não deixe de visitar o Centro Cultural de Poceirão, que alberga um conjunto de associações culturais que aí preparam e desenvolvem a sua actividade. Com sorte, ainda poderá assistir a algum espectáculo ou animação.
Passando a linha férrea, dirija-se para a localidade de Fernando Pó, onde poderá ver várias adegas que produzem vinhos de excelente qualidade, reconhecida além fronteiras. Visite uma delas e percorra o processo de produção do vinho. Desfile também o olhar por um conjunto de peças, objectos e artefactos do quotidiano ligados à produção do vinho.
Depois desta visita vitivinícola, dirija-se para a Marateca, onde poderá admirar, além da habitual pacatez da vila, a Igreja de Águas de Moura, com traça dos anos 50 e cujo edifício se destaca na povoação, pela sua volumetria e pela torre coroada, como em Poceirão, pelo tradicional ninho de cegonha.
Também nesta localidade, não deixe de visitar o tanque público, datado de 1899 e que constitui um bem preservado local de convívio e trabalho feminino ao longo de décadas, marcando as relações de sociabilidade locais.
Para terminar este passeio visite a Herdade do Zambujal e a antiga ponte ferroviária. Com uma casa senhorial e um aglomerado rural caracterizado por casas rústicas chãs, bem cuidadas, esta herdade tem acesso por uma antiga ponte ferroviária construída em 1913/14.
O projecto da ponte férrea - em recta, de vão único, com um comprimento total de 60,600 metros - terá sido elaborado pela Empresa Industrial Portuguesa em colaboração com os então Caminhos de Ferro do Sul e Sueste. A estrutura é porticada, de tabuleiro inferior e as vigas principais do tipo Bratt. O troço da via foi desactivado em 1980. Junto a esta ponte a Ribeira da Marateca entra na Reserva Natural do Estuário do Sado - os arrozais dão aí lugar às marinhas.

Percurso pela Reserva Ecológica Nacional

Este continua a ser um dos segredos mais bem guardados do nosso concelho. A 7 km do centro do Pinhal Novo encontra-se uma das mais importantes áreas naturais do País que encerra um verdadeiro tesouro em flora e fauna. Um excelente percurso para efectuar a pé ou em BTT.

A Reserva Ecológica Nacional(REN) abrange cerca de 9% da área do concelho de Palmela, incluindo as margens do estuário do Sado, as albufeiras e grande parte das linhas de água.
A maior área da REN situa-se na zona da Brejoeira/Lagoa da Palha e abrange cerca de 10 km2.
A reserva abrange o troço final da Vala da Salgueirinha que nasce a 200 m de altitude na Serra do Louro e a cerca de 14 km do Vale da Brejoeira e integra charnecas húmidas e prados mediterrânicos.
Muitos destes habitats estão classificados e abrigam espécies ameaçadas da flora e fauna.
Aqui podem observar-se 25 espécies de avifauna ameaçadas na Europa e estritamente protegidas.

Flora

Neste terreno encontra-se pinheiro bravo e sobreiro. Ao longo das linhas de água podemos observar salgueiros, choupos, freixos e vimeiros. Nas margens da albufeira existem caniçais, junco, Maios, campanhias amarelas e lírio amarelo, entre outros.

Fauna

Morcegos, toupeiras, lebre, raposa, cobra de água e muitos outros poderão ser observados no local.
Entre a extensa lista de aves aquáticas destacamos o perna longa, o borrelho pequeno de coleira, o maçarico de bico direito, a galinha de água, águia de asa redonda e águia calçada, o pato real, a garça, o melro, o verdilhão, bico de lacre, carriça, pintassilgo e a toutinegra de cabeça preta.

O Gabinete de Ambiente da Câmara Municipal de Palmela organiza regularmente passeios pedestres e em BTT a esta zona. Para mais informações contacte 21 233 6600.

Passeio nas Serras do Louro e S. Luís

Benvindo às Serras do Louro e de S. Luís, duas importantes áreas integradas na Reserva do Parque Natural da Arrábida. Neste percurso, poderá recuar na história e testemunhar o modo de vida das populações anteriores, através dum importante conjunto de achados arqueológicos.

Chibanes

Povoado em exploração arqueológica, com ocupação plena no Período Romano, mas com vestígios de ocupações anteriores e posteriores, podendo-se constatar diferentes alinhamentos de construções sobrepostas. É de notar que, ao contrário dos nossos dias, as populações escolhiam os locais de altitude para implantarem os seus povoados, tanto pelas melhores capacidades de defesa como pela mais elevada salubridade.

Queimada

Ponto mais alto da Serra do Louro com altitude de 224 metros, assinalado com um marco geodésico. Esta sinalização tem diversas aplicações práticas sendo as mais comuns os trabalhos de geodesia e de topografia. Trabalhos arqueológicos mostram que este local teve, pelo menos, ocupação desde o Período Romano até ao século XI da nossa era. A rocha a nascente do marco apresenta vários sulcos, onde estaria provavelmente instalada uma zona de vigia. Na vertente subjacente a este local, de fácil acesso, encontra-se um espectacular banco de ostras fossilizadas de génese idêntica à dos corais já referidos.

Bancos de corais

Os corais são criaturas marinhas, de águas pouco profundas e quentes que se desenvolvem em grandes comunidades. Aqui aparecem completamente fossilizados (transformados em pedra), partidos, amontoados e misturados com os solos de cobertura. Isto mostra que estes terrenos tiveram uma formação subaquática, com deposição de diversas camadas de estratos calcários e que posteriomente sofreram poderosos movimentos tectónicos (movimentação da crosta terrestre) vindo a formar as elevações. Tudo isto há cerca de 23 a 20 milhões de anos.

Serra do Louro

Extensa elevação de orientação SW-NE, com cerca de 6 quilómetros e uma altitude mais ou menos regular entre os 200 e 230 metros. Constituida por enrugamento do maciço Arrábida, ocorridos na orogenia Alpina tardia (movimentos da crusta terrestre), há cerca de 12 a 10 milhões de anos. Composta por calcários margosos, grês e arenitos, do periodo Miocénico (22 a 18 milhões de anos) onde abundam fósseis de animais marinhos. Daqui é possível avistar quase toda a região da Arrábida e o Rio Sado bem como, para Norte, a extensa Penísula de Setúbal, o Rio Tejo e a Costa de Lisboa.

Portela

A designação "Portela" está associado a ideia de "passagem" ou "pórtico". Realmente estes são locais onde o relevo torna a passagem mais simples, pelo que é escolhido por pessoas e animais para efectuar os cruzamentos de serras e montes. Do ponto de vista geográfico, uma portela é um ponto minimo entre dois cumes, na direcção do seu alinhamento, e simultaneamente o ponto máximo na direcção que lhe é perpendicular. Trata-se assim do que matemáticamente se denomina de "ponto de sela".

Ribeira de Alcube

Neste vale inicia o seu curso a Ribeira de Alcube, que circunda a Serra de S.Luis pela vertente Oeste, segue pela Vale da Comenda e desagua na Praia com o mesmo nome. No seu leito de cheia desenvolveram-se várias zonas de cultivo de pequena dimensão, mas com solos extremamente enriquecidos pela intensa mineralização das suas águas. O topónimo "Alcube" poderá derivar da designação árabe Al Kuba, que significa mausoléu ou sepulcro de pessoa importante.

Capela de S. Luis da Serra

Esta ermida tornou-se local de culto de pastores da região da Arrábida, quando se deslocavam de Azeitão a Setúbal para vender o seu gado. As preces eram no sentido de manter pastos suficientes para a alimentação do gado, principalmente nos quentes Verões, pelo que se instituiu uma romaria no inicio da Primavera, finais de Abril, ao protector dos animais. As oferendas, que em tempos foram de animais vivos, são agora simbolizadas em figuras de cera, normalmente por curas em animais ou mesmo em pessoas.

Povoado pré-histórico do pedrão

O Pedrão é um promontório natural de rocha calcária que aflora na vertente Este da Serra de S.Luis, a cerca de 150 metros de altitude, sensivelmente a meio da altitude desta. Este local foi refúgio de populações residentes, dando origem a diversas ocupações. Verificou-se um primeiro nível de ocupação referente ao Calcolítico Antigo (idade do cobre), há cerca de 4500 anos. No século II a.c. os povos da região viram-se obrigados a, de novo, ocupar este local. O expoente da ocupação terá sido em meados do século I a.c. Neste período viveu aqui uma comunidade interessante, da qual podemos definir um retrato, pois numa das habitações foi encontrado um "esconderijo" onde se encontrou: duas ferramentas agrícolas de ferro (podão e roçadoira); uma moeda do século anterior; um machado polido pré-histórico. Que significa então este "tesouro" ? As ferramentas são a subsistência, o trabalho, a sobrevivência; a moeda é por demais evidente que já se sabia a necessidade da segurança em valores materiais, mostrava o poder e a riqueza acumulada para um futuro que poderia ser incerto; o machado pré-histórico é uma veneração mística aos antepassados numa perfeita ligação com o passado.

Capela da Escudeira

Pequena capela do século XVIII de invocação a Nossa Senhora da Conceição, anexa à casa da quinta, onde anualmente se celebra, a 15 de Agosto, as Festas da Assunção. As populações de Palmela, e de toda a zona rural em redor, dedicam grande devoção a este culto, fazendo várias promessas e pedidos de intervenção divina. O seu nome poderá ser uma designação de protecção (vindo da palavra escudo) ou uma deturpação para o feminino (para a viúva) de um possível título de Escudeiro do proprietário da quinta.

Estrada da Cobra

Possivelmente de origem mais antiga, esta estrada foi mandada reparar e alargar por D.Jorge de Lencastre, Mestre da Ordem de Santiago, proporcionando um mais fácil acesso entre Palmela e Setúbal. Tratava-se de uma via de extrema importância, para o acesso de pessoas e bens, atendendo que a Ordem cobrava impostos sobre as mercadorias descarregadas na região. O seu trajecto repleto de curvas e contracurvas, motivo que lhe deu o nome, foi estudado para ter o mínimo de inclinação e para se conseguir o maior controlo possível a partir do Castelo

Golfe, Karting e Reserva Natural do Estuário do Sado

A combinação perfeita para um dia único.

São inúmeras as potencialidades turísticas do concelho de Palmela, que se destacam quer pelo património natural quer ainda pelos diversos pontos de atracção ao nível do recreio e lazer.
Aqui sugerimos-lhe um percurso diferente, que contemple para além da natureza e gastronomia, alguns dos empreendimentos que fazem do concelho de Palmela um local agradável para viver.

Dedique a manhã a uma prática desportiva que carece de alguma paciência e conhecimento, mas em que vale a pena arriscar: o golfe.
O Clube de Golfe do Montado, inserido na paisagem alentejana de Montado que dá o seu nome ao Clube, é um local acolhedor, situado a 10 minutos de Palmela e apenas a 40 minutos de Lisboa.
O Campo cujo "lay-out" é do arquitecto Duarte Sotto-Mayor possui 18 buracos "par 72" e tem 6000 metros de extensão. Se nunca experimentou é chegada a altura de confiar na sua pontaria e, sobretudo, na sorte de principiante, se for este o seu caso.

Depois da jogada de mestre que certamente fez, é altura de recuperar foras provando a gastronomia do concelho, no Restaurante do Clube de Golfe do Montado. Em Palmela predominam as características da gastronomia Alentejana. A sopa e tamboril com poejos, o coelho com feijão à moda de Palmela e as pêras cozidas em vinho Moscatel, bem como os excelentes vinhos e queijos de Azeitão, são os petiscos mais genuínos do concelho.

No período da tarde e porque tirou o dia para experimentar coisas novas, aceite um outro desafio: o Karting! O KIP - Kartódromo Internacional de Palmela, que fica na Herdade de Algeruz e bem próximo do Clube de Golfe do Montado, distingue-se por um conjunto de características verdadeiramente excepcionais, com especial destaque para os 1.270 metros de perímetro e dez metros de largura constantes da pista, bem como para os 1.500 metros quadrados de área das infra-estruturas de apoio.
A Herdade de Algeruz é uma quinta com cerca de 200 hectares e que ainda hoje conta com um importante volume de produção ao nível da agricultura e pecuária. O KIP está inserido numa agradável zona de beleza natural em que é interessante o contraste com os edifícios agrícolas que lhe são contíguos.

Ao entardecer e depois de tanta aventura e emoção propomos-lhe momentos bem mais sossegados. Visite a Reserva Natural do Estuário do Sado, na parte que confina com o concelho de Palmela e vai ficar impressionado com a paisagem que vai encontrar: a frente ribeirinha do concelho de Palmela para o Estuário do Sado, desconhecida para muitos, vai desde a foz da ribeira da Marateca até à foz da ribeira de Vale de Cão, conhecida como Ribeira de Sachola, no extremo sul do concelho. Os seus olhos vão ficar admirados com as áreas de sapal, salinas, pisciculturas, arrozais e a extensa zona florestal do Zambujal. Para terminar e se ainda tiver forças, suba ao Outeiro Alto, o ponto mais alo do concelho de Palmela, incluído na Reserva Natural do Estuário do Sado, e veja as cores do pôr do sol projectadas em toda esta área protegida.

Quinta do Anjo: por Terras do Queijo, Pão e Vinho

Quinta do Anjo: conhecida terra de bom queijo, pão e vinho.
Este é um importante pólo de desenvolvimento no Concelho de Palmela, conciliando um conjunto de empreendimentos industriais de grande dimensão com uma tradição rural de elevada expressão na produção de vinho, de queijo de ovelha amanteigado (Queijo de Azeitão) e de doces regionais.
Mais do que um percurso, este é um desafio ao seu paladar.

Queijo de Azeitão

É na Quinta do Anjo que se encontra a maior parte dos produtores do queijo de Azeitão.
Foi por volta de 1830 que Gaspar Henriques de Paiva, nado e criado na Beira Baixa, veio para Azeitão e passou a dedicar-se à agricultura. Para povoar as suas terras, mandou vir ovelhas leiteiras, de lã preta e raça bordaleira. Todos os anos fazia vir um queijeiro da sua terra natal, só para lhe fabricar queijos do tipo "Serra". Foi esse queijeiro que ensinou os segredos da arte a um dos pastores, que deles não fez segredo. E assim, se foram transmitindo a sucessivas gerações de queijeiros artesãos que nos oferecem um Queijo com uma tipicidade ímpar.

Há mais de uma década, que se tomaram medidas para proteger a tipicidade deste queijo, surgindo a Região Demarcada do Queijo de Azeitão. A "ARCOLSA" é a entidade que faz o controlo de qualidade dos Queijos de Azeitão e que emite os selos de garantia, travando assim, o aparecimento de produtos falsificados, que nada têm a ver com o verdadeiro sabor deste queijo.

O Queijo de Azeitão é produzido de Novembro a Maio, em queijarias tradicionais, onde o pote de barro vidrado espera, junto à lareira, a coagulação do leite, e posteriormente a francela (mesa queijeira) recebe a coalhada que é trabalhada dentro dos cinchos com as sábias mãos dos queijeiros, que vão separando pacientemente o soro da massa.

Com uma produção artesanal, cuja duração média é de 45 dias, o Queijo de Azeitão chega-nos à mesa com um paladar requintado e único, que nem todos sabem explorar. A melhor maneira de servir o Queijo de Azeitão é cortá-lo de forma transversal em duas metades circulares iguais ou abrir um orificio na parte superior e retirar o queijo amanteigado com uma colher.

Adegas típicas

Aproveite também este passeio para adquirir o famoso vinho tinto produzido nesta região. Se está a pensar em enriquecer a sua garrafeira, propomos-lhe uma visita às adegas integradas na Rota dos Vinhos, um projecto conjunto da Câmara Municipal de Palmela, da Região de Turismo da Costa Azul da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal, que pretende divulgar a história e os produtos vinícolas da região.

Queijarias tradicionais

Visite uma das queijarias tradicionais da Quinta do Anjo, onde é produzido o famoso queijo de Azeitão. Aqui, poderá conhecer os métodos tradicionais da sua produção, bem como adquirir manteiga de Ovelha, queijo seco ou queijo de Azeitão.

Para além dos sabores e paladares aproveite para deliciar o olhar noutras atracções que a Quinta do Anjo oferece, como a Igreja, a Sociedade de Instrução Musical (fundada em 1921 e em que apresenta no seu interior paredes pintadas em estilo romântico), as Sepulturas Colectivas Pré-Históricas e a Serra do Louro com os seus característicos moinhos, entre outros.

Desde há sete anos que e, Abril, se realiza na Quinta do Anjo o Festival Queijo, Pão e Vinho, uma das melhores montras a nível nacional, que reúne a excelência dos produtos regionais.
Se visitar estes três dias, poderá provar todo o tipo de queijo, amanteigados ou secos, a soberba manteiga de ovelha, vinhos e uma grande diversidade de bolos caseiros, num certame que conjuga o esforço de produtores e entidades da região.Logotipo

 

 

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