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Paragem 1 (Foto3)

A Escama de Palmela

O Parque Natural da Arrábida

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Foto 3 - A paisagem vista do primeiro local de paragem.

A Escama de Palmela

Sendo a mais recente de todas as estruturas da Arrábida, é uma estrutura peculiar localizada na estremidade NE da cadeia, resultando sobretudo do elevado gradiente morfológico criado na sequência do episódio Miocénico de inversão tectónica.

Foi descrita pela primeira vez por Choffat (1908) que a interpretou como a última escama de cavalgamento da cadeia, com vergência para W: “L’ecaille de Palmela doit-elle être considérée comme le témoin dúne nappe charriée par dessus la totalité de la chaine, ou du moins du 3e chaînon, ou bien n’ est-ce qu’un petit morceau détaché du contrefort miocéne du jambage septentrional, et charrié seulement par dessus l’extremité de la chaine, postérieurement à son plissement et à un premier nivellement.” (Choffat, 1908, p.75).

Mais tarde, Ribeiro et al. (1979) re-interpretou a estrutura compo resultante de colapso por gravidade, com descolamento para norte de um flanco da cobertura miocénica do anticlinal de S. Luís.

De acordo com a interpretação recente (Kullberg & Kullberg,1996), a escama de Palmela é uma estrutura de colapso gravítico, vergente para leste.

Fig. 11 - Modelo esquemático para a Estrutura de Palmela. Neste modelo a estrutura de colapso gravítico de Palmela é interpretada como o resultado da combinação de: i) uma estrutura de releasing bend da falha de transferência esquerda Setúbal - Pinhal Novo e ii) colapso gravítico associado a um forte gradiente morfológico.

A figura11 e a análise do mapa geológico, mostram esquematicamente o que se observa no campo: a estrutura de Palmela está controlada por movimentação diferencial em duas falhas principais de cisalhamento esquerdo com orientação N-S, pertencentes ao sistema Setúbal-Pinhal Novo, conectadas por uma zona que funciona como releasing bend, o que permite a formação em profundidade de uma estrutura de acomodação em colapso no interior da zona de cizalhamento (Fig. 12). Acima desta estrutura profunda de subsidência, desenvolveu-se uma estrutura de colapso múltiplo por gravidade , vergente para leste, afectando os sedimentos mais modernos do flanco norte do recentamente formado anticlinal da Serra de S. Luís (±8 a 6 MA). Este colapso gravítico é consequência do elevado gradiente morfológico existente entre o relevo produzido pelo anticlinal  da Serra de S. Luís e a peneaplanação de Pinhal Novo (presentemente a diferença de altitudes ainda é superior a 200 metros) e foi acomodado pelos sedimentos muito dúcteis do Jurássico  superior e Paleogénico.

  Fig. 12 - 1. perfil geológico esquemático E-W da estrutura de Palmela, 2. Modelo, em planta, evidenciando a influência de estrutura transpressiva na geração de colapsos gravíticos.

O Parque Natural da Arrábida

O Parque Natural da Arrábida (PNA) surge a 28 de Julho de 1976  pelo D.L.nº622/76 com 10821 hectares e localizado na Península de Setúbal nos concelhos de Palmela, Sesimbra e Setúbal, estende-se por parte significativa da área designada por Cadeia da Arrábida, que compreende o conjunto de relevos que acompanham o rebordo costeiro meridional da Península de Setúbal; deste destacam-se a Serra da Arrábida (com 500m no alto do Formosinho), a sua mais importante elevação e que constítui o núcleo orográfico da cadeia.

A cadeia arrábica inclui, ainda elevações periféricas do Parque Natural como sejam as serras de: São Francisco (com 275m), São Luís, Gaiteiros (estas duas últimas com acesso pelo vale de Barris e Setúbal e com uma altitude de 395m e 215m , respectivamente), do Risco (a sudoeste do maciço da Arrábida constítui a maior falésia sobre o mar em Portugal continental com 380m de altitude e a maior escarpa carbonatada da Europa) e Louro (do Castelo de Palmela e em direcção a oeste, com 224m de altitude).

O principal objectivo da criação do PNA foi a imperativa necessidade de conservar a sua flora e vegetação, que constítui um património natural de importância mundial. Os objectivos do PNA estão claramente declarados na legislação que o criou.

 

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