EM PALMELA

 

como alojar o seu site

     desde 75€ ano

publicidade nas páginas

PORTUGALWEB.NET

 

               Busca Mundial Busca  Portugalweb

O Rio Frio

Pelos carreiros da herdade, outrora uma das maiores e mais produtivas herdades agrícolas do país, as pegas e as lavercas esvoaçavam por entre cardos e arbustos e iam empoleirar-se nas silvas mais próximas, em busca de algumas sementes. Pousados nos postes da vedação, os papa-moscas cinzentos, competiam num coral de bem cantar enquanto um bando de perdizes, aves raras por estas paragens, assustadas, levantava voo para os lados do campanário onde um casal de cegonhas recém chegadas ensaiam gestos de rara ternura, perante a azáfama habitual das gentes do campo, das gentes que se deitam cedo e cedo estão acordadas.

O Palácio do Rio Frio

As vacas, os porcos, as galinhas, os coelhos e a terra, são tudo o que têm para além do orgulho de quem trabalha e vive por prazer numa das mais belas localidades da Freguesia de Pinhal Novo: Rio-Frio. Terra de tradição, terra de vinho, de toiros, de palácio, terra de isto e mais aquilo. Um confim de terra que junta a serenidade, marcada pela forte tradição vitivinicola do início deste nosso século. Hoje, representa um encontro marcado com o outro lado do tempo.

Ir a Rio Frio e não ir ao Palácio é como ir a Roma e não ver o papa. O edifício foi mandado construir por António Santos Jorge, sobrinho do maior latifundiário português do século passado: José Maria dos Santos. Quis o destino que o rico proprietário não tivesse filhos, a sorte da fortuna acabou por bater à porta dos seus sobrinhos. Maria de Lurdes Lupi D'Orei, neta de António Santos Jorge, é a actual proprietária da casa senhorial construída no nascer do Século XX e transformada para turismo de habitação nos anos noventa. Se existem dúvidas sobre a autoria do projecto da casa, certa é a autoria dos painéis de azulejos que envolvem a casa: Jorge Colaço, nome grande da azuleijaria portuguesa.

Todo o espirito da casa está ligado à agricultura, onde se destaca, na sala de jantar, a magnífica representação do ciclo do vinho e em redor os retratos do quotidiano da vida das pessoas de Rio Frio, um passaporte com destino marcado ao outro lado do tempo.

A Lagoa do Rio Frio

Do lado de lá do tempo sabemos que fora uma das maiores e mais produtivas herdades agrícolas do país. Havia escola, hospital e sociedade recreativa para quem lá trabalhava, e eram muitos. Herdade que chegou a perfazer uma área de 16 mil hectares onde José Maria dos Santos mandou plantar seis milhões de videiras, numa altura em que a produção estava em crise. Ganhou a aposta mas aquela que fora a maior vinha do mundo foi dando lugar ao montado de sobro, a imagem que ainda permanece. Francisco Garcia, o proprietário actual, adquiriu a Herdade há dez anos com intenção de formar um complexo agro-industrial. Organizou a Casa Agrícola e a Sociedade Agrícola de Rio Frio. A vinha voltou à Herdade e grande parte dos vinhos da Região de Palmela são produzidos nas castas de Rio Frio, para orgulho dos 150 trabalhadores que trabalham e vivem na Herdade.

O Palácio do Rio Frio

Rio Frio sabe que não pode viver só da produção agrícola. O povo se calhar, tinha essa vontade, mas os traços futuros passam pelo turismo. Para já, a localidade oferece apenas atractivos naturais, continuando a ser um dos locais preferidos das gentes do concelho para a realização de piqueniques. As cavalariças e os seus magníficos exemplares lusitanos, ferro Rio Frio, são outras das atracções do sítio, visitado regularmente por grupos de turistas na sua maioria estrangeiros. Adivinha-se mais mudanças… do Aeroporto falam com medo, com o receio e com uma tristeza miudinha. De uma possível elevação a freguesia… poucos acreditam que seja possível nos próximos tempos. Estão mais preocupados com o que o campo vai produzir, com a qualidade do vinho, com a preservação do sossego. A tarde descaía límpida. Na vasta cúpula do céu, penachos de nuvens alvejaram, imóveis. Acesas naquela explosão rubra do ocaso, as arestas dos campos franjavam-se de púrpura e ouro, na decoração mágica dos poentes. Começava a cair sobre a aldeia a larga paz tranquila dos crepúsculos, e uma quietação dulcíssima e vagamente melancólica entrava para adormecer a natureza para o grande sono reparador da noite.

Paulo Jorge Oliveira in Jornal do Pinhal Novo, Ano 1, Nº1

 

 

O Palácio de Rio Frio

O Palácio de Rio Frio foi mandado construir por António Santos Jorge, sobrinho de José Maria dos Santos um dos maiores latifundiários portugueses do século XIX. Como este rico proprietário nunca teve filhos, acabaram por ser os sobrinhos os seus legítimos herdeiros. José Maria dos Santos não deixou descendentes directos e constituiu seu herdeiro um sobrinho, Antonio dos Santos Jorge que casou com D. Maria Cândida Lupi, deste casamento nasceu Samuel Lupi dos Santos Jorge que faleceu sem herdeiros directos, com a morte deste a herdade e o palácio passaram para o Engº. José Lupi, pai do Engº. José Samuel Lupi, cavaleiro tauromáquico já retirado, de D. Maria de Lurdes Lupi d’Orey e de D.  Maria José Lupi

 Não é conhecida a autoria do projecto da casa porque um incêndio destruiu parte do arquivo de Palmela, mas ainda assim a sua proprietária suspeita que terá sido obra de Raul Lino. Certo é o autoria dos painéis de azulejos, de Jorge Colaço, um dos nomes mais importantes do azulejo em Portugal. Este elemento decorativo está presente em toda a casa.

Hall Interior

A sala de estar apresenta uma cena de caça, onde os personogens representados são reais, desde o proprietário da casa, António Santos Jorge, até ao feitor e aos criados, que são antepassados de alguns dos actuais. Estes painéis apresentam uma coloração (acastanhada) e um estilo pouco comuns em Portugal.

Na sala de jantar uma magnífica representação do ciclo do vinho, com azulejos azuis, bem ao estilo português.

 Pequeno Almoço

Todo o espírito da casa está ligado à agricultura. José Maria dos Santos mandou plantar naquela zona a que era na altura considerada como a maior vinha do Mundo. Mas não era só o vinho; também a cortiça e os cavalos faziam parte das actividades que ligam este local a outro tempo.

UMA HÓSPEDE IILUSTRE CHAMADA CATHERINE DENEUVE

A casa manteve-se inalterada ao longo do tempo, sofrendo apenas uma mudança de cor nos tectos das salas de estar e jantar, de modo a que estas ficassem menos sombrias.

A casa foi aberta ao turismo de habitação apenas há seis anos. "Era uma pena estar fechada", refere a proprietária, confessando que deste modo incentiva a que se mantenha a conservação. "Recebendo hóspedes não dá para adiar as pequenas obras porque é preciso manter a casa no melhor estado possível."

Sala de Estar

Desde então, hóspedes já terão sido cerca de mil. Alguns deles bastante ilustres, como a actriz Catherine Deneuve, que esteve na casa em Agosto de 1997.

A maior parte dos frequentadores são estrangeiros, um pouco de todas as nacionalidades. Portugueses, apenas cinco por cento.

MONUMENTALIDADE DE INTERIORES

O Palácio de Rio Frio tem para oferecer quatro quartos com casa de banho, dos quais se destaca uma vistosa suite que integra além do quarto, uma salinha de estar e uma ampla casa de banho, com os acessórios originais (de notar uma antiga e bem conservada banheira de quatro pés). A zona dos quartos mantém a distancia devida aos aposentos de estar de modo a que seja salvaguardada a máxima privacidade.

Sala de Jantar

As salas de estar e jantar, logo à entrada, esclarecem de tudo o resto que se pode encontrar, dada a sua monumentalidade.

A sala de jantar, que exibe magníficos painéis de azulejos alusivos ao ciclo do vinho, tem uma mesa para trinta pessoas, de ar senhorial e magnânima.

Depois das salas de entrada um hall interior com uma escadaria de acesso ao piso superior, que antes abre num espaço com lareira e poltronas. Ainda outra sala que antigamente era a sala de bilhar e que agora está transformada num misto de sala de televisão e jogos de mesa, que por sinal, goza da especial preferência dos hóspedes.

A zona de estada termina com um oratório, onde se pode contemplar um quadro de Vieira Lusitano.

Hall Interior

Para além, naturalmente da casa e do sossego que oferece, os hóspedes procuram ali passeios pela zona envolvente que podem prolongar-se até Lisboa, através dos barcos no Montijo que fazem a travessia em apenas 30 minutos, ou através da nova ponte Vassco da Gama.

 

OS DONOS DE RIO FRIO

Um dos esplendorosos painéis presentes na casa representa a figura de AntónioSantos jorge numa caçada, que mandou construir o palacete em 1909, em terreno herdado do tio José Maria dos Santos, um dos maiores latifundiários do final do século passado e início deste.

Em 1892, a propriedade tinha 6000 hectares de vinha, que se estendiam desde Pinhal Novo até Poceirão. José Maria dos Santos era então dono de toda esta área e foi ele quem converteu uma charneca sem nenhuma cultura específica na que era considerada, para a altura, a maior vinha do mundo. Em 1904, conseguiu-se uma cultura de 16.500.000 litros de vinho, empregando-se três mil trabalhadores.

in Nova Gente, Especial Casa & Campo, Nº7

 

Setubal Guarda   Almada    Castelos    Seixal    Sesimbra  Palmela  Arqueologia   Historia Portugal no mundo

intercâmbio  Adicionar Página  Contactos    Publicidade

Copyright © Ptwebs.