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Pedro Mota Curto.
Professor publica livro sobre o século e meio em que
histórias de Portugal e da Etiópia se confundiram.
Ensaio é fruto de dez anos de investigação sobre uma
aventura que envolveu padres e militares, escravos e
aristocratas
Um historiador fascinado pela aventura da expansão
portuguesa
"Como é que um país, já na altura, pobre e periférico,
quase analfabeto e pequeno (cerca de um milhão de
habitantes), conseguiu ser o primeiro da Europa a chegar
à Índia (por mar) e à América ou à Malásia e à
Indonésia, conseguiu dar início à globalização?" Pedro
Mota Curto continua "sem encontrar uma explicação
integralmente plausível" para a expansão e
descobrimentos portugueses e, talvez por isso mesmo,
eles são um período que tanto o fascina e tanta
investigação lhe tem sugerido.
As explicações existentes são "aceitáveis, fazem
sentido, mas faltam mais e melhores" causas para o
fenómeno. "Quem éramos, na altura, ao pé de Espanha e
Inglaterra ou da Holanda e França?", questiona o
professor e investigador, intercalando com perguntas as
respostas que vai dando para a grande aventura
portuguesa. E é essa busca que tem ocupado boa parte dos
seus 47 anos de vida, desde a licenciatura (em Coimbra)
e mestrado (Faculdade de Letras de Lisboa) ao
doutoramento (a fazer, na Universidade de Lisboa) ou
desde a publicação de artigos e conferências à edição de
História dos Portugueses na Etiópia (1490-1640) -
livro a lançar dia 11 de Dezembro (às 18.30), no Casino
da Figueira da Foz.
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A
paixão por aquela época portuguesa, antes de mais, e o
prazer da descoberta, geridos com "muita organização e
sacrifício", ao longo dos últimos dez anos, permitiram a
Pedro Mota Curto contar, no seu ensaio de 600 páginas, a
história dos portugueses na Etiópia, país que, no
entanto, nunca visitou. "Mas hei-de lá ir, aos sítios
por onde andaram e fizeram história os portugueses",
diz, em jeito de reafirmação de uma promessa, que quase
esteve a ser cumprida, no Verão passado - na sequência
de um convite do Japão à Universidade de Lisboa e ao
ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da
Empresa) , que indicaram o seu nome, para uma
conferência na antiga capital do império da Etiópia (Gondar).
Entre a chegada e o fim (iniciado em 1632, com o
conflito religioso entre cristãos ortodoxos e os
jesuítas portugueses, apostólicos romanos) da nossa
presença na Etiópia, que chegou a atingir centenas de
portugueses e cerca de três mil lusodescendentes, muita
história e muitas histó- rias aconteceram, a História
daquele misturou-se com a História do nosso país. Uma
cumplicidade (mais ou menos voluntária, mais ou menos
imposta) que durou século e meio e não foi feita apenas
de religiosos e soldados, mas também de aventureiros,
escravos e aristocratas, enfim, por todo o tipo de
cidadãos portugueses. Mas sempre exclusivamente
masculina - "nunca encontrei qualquer referência, ao
longo de milhares e milhares de documentos, a mulheres
portuguesas" - ao contrário do que acontecia noutras
expedições (embora, por vezes, disfarçadas de homem) e
colonizações.
É destes e muitos outros enigmas, destas e outras
revelações, destas e outras dúvidas, que fala Pedro Mota
Curto. No seu livro e, ao DN, em sua casa, em Buarcos
(Figueira da Foz), virada, naturalmente, para o mar. E
sempre sem disfarçar o entusiasmo apaixonado por aquele
pedaço de história, que tantas outras leituras lhe tem
roubado, que tanto o tem afastado de outras paixões,
como o cinema ou o desporto (praticou andebol e artes
marciais) e, sobretudo, o convívio com os amigos (que é
o que mais falta lhe faz). E que, apesar do esforço,
também penaliza a família (mulher, igualmente
professora, e filho, nove anos), mas não a vida de
professor, nos últimos tempos, como presidente do
Conselho Executivo da Escola Infante D. Pedro, em
Buarcos.
Se tivesse de optar entre a investigação e a escola, o
que escolhia? Pedro Mota Curto não tem resposta, apesar
do momento que a educação em Portugal vive e das
críticas que, também ele, faz à ministra (mas nem tudo é
negativo na acção de Maria de Lurdes Rodrigues,
sublinha). E enquanto não encontra a resposta, o autor
da História dos Portugueses na Etiópia (1490-1640),
com "muita organização e sacrifício", vai continuar na
escola e a "procurar" histórias da História de Portugal
noutras partes do mundo. Com um novo ensaio "programado"
para daqui alguns anos.
http://dn.sapo.pt/2008/12/13/dngente/presenca_portuguesa_etiopia_registo_.html |
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