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História da Batalha

Por sugestão de seu tio D. Henrique, D. Afonso V resolveu então conquistar Tânger, tentando evitar que se repetisse a derrota sucedida em 1437. Mas, a tentativa do Rei de Fez contra Ceuta e os instantes pedidos de auxílio do Conde de Odemira, administrador da praça, fizeram tomar diferentes medidas. Assim, era mais prudente conquistar Alcácer Ceguer, por ser mais fácil de tomar e servir aos Mouros de base de operações contra Ceuta. Apressaram-se os preparativos; convocaram-se os fidalgos e os besteiros de Setúbal, Porto e Sagres. A 30 de Setembro de 1459 a frota de El-Rei, de 94 navios, sai de Setúbal para Sagres, onde o Infante D. Henrique organizava o contingente do sul. Nos começos de Outubro foi-se-lhes juntar a Sagres o Conde de Odemira com 4 navios. Pouco depois chegou também a esquadra do Porto, sob o comando do Marquês de Valença. Finalmente a 17 de Outubro, saíu de Lagos a grande frota de 220 velas, com 25000 homens de guerra, sob o comando de Afonso V que ía na nau Santo António.
Tendo chegado 3 dias depois a Tânger, o rei convocou o seu conselho para se debater o projecto de atacar Tânger. Opôs-se a isso D. Henrique, cuja opinião prevaleceu.
No dia seguinte, 21, a esquadra surgiu diante de Alcácer Ceguer «pequena vila de tôrres e muros mui fortes e bem providos de gente» próximo da costa, entre Tânger e Ceuta, na foz do rio de Larache.
Operado desembarque, o Rei, depois de preparar as mantas e outros instrumentos de guerra, mandou à tarde fazer um ataque simulado, a fim de reconhecer as forças de defesa da praça. As tropas portuguesas, no seu ardor combativo exorbitaram das instruções, e o simulacro do assalto transforma-se em ataque geral. O Infante D. Henrique animou os seus cavaleiros de Cristo a atacarem com engenhos as portas da vila, valorosamente defendidas pelos Mouros com panelas de fogo e tiros de artilharia. Por fim, os freires arrombaram as portas e entraram na praça. À meia-noite o combate era geral. E alta noite, os Mouros, vendo os estragos que uma grossa bombarda dos portugueses fazia nas muralhas, dirigiram-se ao Infante D. Henrique e pediram-lhe que negociasse uma capitulação.
Rendida a 23, os Mouros de Alcácer Ceguer puderam sair da praça com todas as suas riquezas.

 

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