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ARGUIM
É uma pequena
ilha a 12 km da costa, na actual baía de Levrier, próximo do Cabo
Branco e que faz hoje parte da República Islâmica da Mauritânia. O
Arquipélago foi descoberto pelo navegador português- Nuno Tristão
(1443), até aqui parece haver concordância entre os historiadores,
quanto ao primeiro a desembarcar e explorar a ilha, deparei com duas
hipóteses, Gonçalo de Sintra e Gonçalves da Silva (até os nomes são
parecidos), mas uma coisa é certa, um deles
foi.
Estas ilhas já
há muito que eram frequentadas por caravanas de mercadores
(sobretudo do sal) e tornaram-se um local de extrema importância
para as expedições esclavagistas portuguesas. Como é lógico, as
populações não nos reberam bem, daí que entre 1446 e 1460 os
portugueses tenham tentado uma aproximação mais pacífica e cordial.
É neste período que a Feitoria de Arguim é fundada, a abundância de
água doce e de peixe, tornam o local ideal para a instalação de
habitações e armazens para as mercadorias.
A data exacta da
sua fundação, não é conhecida, mas deduz-se que terá sido depois de
1455, pois foi este o ano em que se criou em Lagos um entreposto de
abastecimento e controlo do comércio com Arguim. Foi erguida em vida
do Infante Dom Henrique e mais tarde fortificada por ordem do rei de
Portugal, obra essa entregue a Soeiro Mendes de Évora.
Um dos seus
fundadores era colaborador do Infante, João Fernandes, que aprende a
língua local e os segredos do comércio da região. O objectivo da
feitoria era desviar para o Atlântico as rotas das caravanas de
Tombuctu e de Udane, ao ser atingido este objectivo, viria a
revelar-se decisivo na expansão comercial dos portugueses em África.
Os portugueses
levavam toda a espécie de tecidos e peças de roupa, trigo,
quinquilharias, objectos de adorno (pérolas, pedras de cornalina),
especiarias, cavalos, selas, espelhos e outros artigos simples que
trocavam com os comerciantes africanos (na sua maioria muçulmanos),
por escravos negros, ouro, peles de Antílope, ovos de Avestruz,
goma, etc.
Os preços eram
fixados pelo rei. O feitor que tinha também o título de capitão, não
os podia alterar.
As mercadorias
de origem europeia, chegavam ao nosso país, através da Antuérpia,
onde em 1499, o rei português manda fundar uma feitoria de car´cter
permanente, para abastecer o reino com os produtos negociáveis com
as outras feitorias africanas. Muitas das peças de vestuário, vinham
das redes comerciais do Magrebe. Portugal tinha em várias cidades
marroquinas, circuitos de abastecimento e até nalguns casos de
produção.
Mas D. João II,
vê que o sucesso de Arguim se desvanece e tenta penetrar mais
profundamente nos circuitos comerciais, para isso, funda uma
feitoria em Uadana, mas o deserto revela-se um factor de insucesso e
regressa-se a Arguim.
A hipótese que
se pensa ser mais viável, é o desenvolvimento do comércio mais para
sul, em especial para São Jorge da Mina e para a Ásia.
Sabe-se que em
1455, a feitoria De Arguim era administrada por uma sociedade
privada, o usufruto do comércio, tinha-lhe sido concedido pelo
Infante, durante dez anos.
Em 1638, a
feitoria é conquistada pelos holandeses.
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