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Fortificações do Paraná
Nesta edição, daremos seqüência à
abordagem das fortificações militares construídas em
todo o território brasileiro. Já havíamos comentado
sobre as fortificações do Rio Grande do Sul e Santa
Catarina (textos abaixo), e agora, continuando a subir o
Brasil, chegamos ao Paraná.
Em meados do século XVII, a Baía de Paranaguá contou
para sua defesa, com uma bateria na ilha que conservou o
seu nome: "Ilha das Pessas" (peça de artilharia =
canhão). Essa fortificação, certamente a primeira do
atual Estado do Paraná, deveria ser de faxina e taipa,
destinando-se à proteção daquele ancoradouro, tendo
sobrevivido apenas na toponímia do local.
Pouco depois, a descoberta de ouro em Paranaguá pelo
bandeirante paulista Gabriel de Lara (1646), inicia o
povoamento da região. Heliodoro Ébano Pereira, nomeado
administrador das Minas dos Distritos do Sul, atinge os
Campos de Curitiba (1649), fundando, em 1654, a povoação
de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais (atual
Curitiba), elevada a Vila em 1693. Estes serão os
primeiros núcleos de povoamento do atual estado do
Paraná, então subordinados à Capitania de São Paulo.
Em meados do século seguinte, iniciada a ocupação da
região sul, o Tenente-coronel Cândido Xavier de Almeida
e Souza atinge os Campos de Guarapuava (1770), fundando
a povoação de Guarapuava e erigindo o Forte de Nossa
Senhora do Carmo, hoje desaparecido, de faxina e taipa,
para a proteção do nascente núcleo.
Hoje, a única fortificação remanescente no Paraná é a
Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, localizada na
praia da Fortaleza, no sopé do Morro da Baleia (hoje da
Fortaleza), na Ilha do Mel, dominando a barra do canal
grande de acesso à Baía de Paranaguá. Esta fortificação
destinava-se à defesa estratégica da antiga Vila de
Paranaguá, garantindo a segurança do seu ancoradouro.
Segundo instruções recebidas do Marquês de Pombal, foi
erguida de 1767 a 1769, por determinação do governador
da Capitania de São Paulo, Capitão-general D. Luiz
Antônio de Souza Botelho e Mourão - Morgado de Mateus,
que encarregou a direção das obras ao seu irmão, o
Tenente-coronel Afonso Botelho de Sampaio. Os recursos
foram obtidos à custa de uma subscrição forçada, aberta
desde 1765 entre os moradores da vila.
A Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres (Fortaleza da
Barra, Fortaleza de Paranaguá ou Fortaleza da Ilha do
Mel, como também é conhecida) insere-se no grupo das
fortificações orgânicas, desenhada que foi adaptando-se
às condições topográficas do terreno. No sopé de um
morro, sua estrutura desenvolve-se em cinco lances de
muralhas de alvenaria de pedra e cal com 10 metros de
altura, material extraído do próprio local, configurando
a praça de guerra. Os espaços abobadados sobre o
terrapleno foram utilizados como Casa da Guarnição e
Prisão, tendo sido levantados os Quartéis da Tropa ao
abrigo da cortina interna da muralha. O tratamento nobre
em cantaria do conjunto da portada a leste, encimado por
uma grande concha esculpida em um único bloco de pedra,
revela a preocupação estética dos construtores.
Segundo Carlos Garrido (1940), era originalmente
artilhada com duas peças de calibre 24 libras, duas de
18 e duas de 12 libras. Parte de sua artilharia foi
remetida em 1791 para a Fortaleza da Barra Grande em
Santos, por ordem do Conde de Sarzedas. Alguns autores
dão o ano desse desarmamento como 1800. Em 1826, devido
aos ataques de corsários argentinos, será rearmada com
doze peças de 30 a 18 libras, para ser novamente
desarmada pela Regência ao final de 1831.
Augusto Fausto de Souza (1885) informa que a fortaleza
tomou parte no chamado "Incidente de Paranaguá", quando
enfrentou a fragata inglesa "Cormorant" (01/jul/1850),
que invadindo território e violando soberania
brasileira, aprisionara três navios brasileiros naquele
porto, sob a acusação de tráfico negreiro. O então
comandante da praça, Capitão Joaquim Ferreira Barbosa,
auxiliado pelos poucos soldados da guarnição e por mais
de duzentos moradores e tripulantes dos navios
apresados, conseguiram montar dez peças sobre paus e
pedras, e dando ordem de fogo às improvisadas baterias,
atingiram a fragata na proa e na caixa de rodas,
obrigando-a à retirada e a reparos em alto-mar.
Tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a
partir de 1938, durante a 2ª Guerra Mundial (1939-45),
aquartelou cerca de 200 homens. Após ser desativada, a
fortaleza permaneceu abandonada. Reduto "hippie" na
década de 70, na década de 80 do século XX foi palco de
uma "caça ao tesouro", alimentada pela lenda do Padre
Thiago e pela descoberta, nas suas dependências, de um
cofre contendo papéis velhos e moedas de pouco valor. A
fortaleza foi restaurada entre 1985 e 1995, em parte
graças a recursos do Banco Mundial, abrigando um pequeno
museu na Casa da Guarnição, e o posto local da Polícia
Florestal. A trilha ou caminho da Figueira liga a
fortaleza à Vila de Brasília, um dos principais
ancoradouros da ilha.
Fonte: texto condensado do
CD-ROM Fortalezas Multimídia, obra que contém
informações sobre 460 fortificações no Brasil e 300 em
outros países
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