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Concelho de Seia

Região de inconfundível beleza natural, o concelho de Seia é uma terra recheada de encantos rurais, onde brilha o chão verde dos socalcos, as águas límpidas da serra da Estrela e o sorriso das gentes que fizeram dos velhos vales glaciares novas terras de pão.
Concelho vasto, próspero, dinâmico e progressivo, ocupa uma área de 43.590 hectares, distribuída por 29 freguesias e cerca de uma centena de povoações. Em 1991, a sua população era de 30.241 habitantes residentes em 14.752 fogos, números que fazem de Seia o segundo concelho mais populoso do distrito da Guarda.
Encostado à vertente ocidental da serra da Estrela, o concelho de Seia detém no Sabugueiro a aldeia mais alta do País, com 1080 metros de altitude. As outras freguesias estão numa altitude média que vai desde os 800 metros em Loriga, aos 300 metros em Vide. A maioria assenta em terrenos férteis, onde abundam as culturas tradicionais da Beira. As que mais se encostam à montanha, ou com assento nas suas ondulações, têm desde recuados tempos uma tradição de pecuária baseada no aproveitamento dos pastos abundantes e sua riqueza florestal.
Neste concelho paira a sombra de Viriato, cuja terra natal é desconhecida, embora por muitos disputada. Se aqui não nasceu, teve pelo menos os seus pontos de apoio. Conhecia a serra da Estrela e sabia abrigar-se nas suas florestas ou penedias inacessíveis. Do alto dos montes cheios de castros vigiava o inimigo, e daí desceu vezes sem conta para infligir pesadas derrotas aos invasores romanos.
A dominação romana fez-se sentir poderosamente nesta região. A influência cultural foi profunda e os vestígios daquela civilização são numerosos. São ainda bem patentes em diversas freguesias do concelho como S. Romão, Loriga, Sandomil, Tourais e Seia, destacando-se nesta, a estação arqueológica de Nogueira, local onde assentou a “Civitas Sena”. Sepulturas antropomórficas existem no monte de Santa Ana, em Seia, S. Romão, Girabolhos, Loriga, Várzea e Carragozela. De uma época muito mais recuada é a Anta do Carvalhal da Louça, na freguesia de Paranhos, onde, há cerca de cem anos, Martins Sarmento registou mais cinco monumentos dolménicos. Castros também existiram em quantidade, como por exemplo em Crestelo, Torrozelo, Valezim, Casal, Loriga, Alvoco e S. Romão. Deste último falam os trabalhos arqueológicos que ali têm vindo a ser desenvolvidos, de outros, notam-se ainda vestígios, de muitos deles, apenas nos chegou a tradição.
No perímetro do actual concelho de Seia chegaram a existir onze concelhos: Alvoco da Serra, Loriga, Casal, Santa Marinha, Sandomil, S. Romão, Valezim, Vide, Vila Cova à Coelheira, Torrozelo e Seia. De uma maneira geral, eram de reduzidas dimensões, mas em todos eles se erguia o pelourinho como símbolo das suas regalias e independência. O mais antigo e importante era naturalmente o de Seia, no qual foram integrados os outros após a sua extinção durante o século passado. Mas de importância ainda superior foi a “Terra de Sena”, imenso território que os historiadores, desde os mais antigos aos contemporâneos, exumaram, como o fez o grande Alexandre Herculano. Toda essa vastidão, constantemente citada em documentos pré-nacionais, foi ficando na história, até se fixar na moldura dos dorsos mais fortes da Estrela.
A serra da Estrela, por ser a mais alta montanha de Portugal, encerra um significado e uma atracção muito particulares. A presença da neve, por vezes, e a espetacularidade de muitas formas de relevo, quer estruturais, quer herdadas de antigos glaciares que a cobriram, constituem atractivos mais do que suficientes para justificar uma visita. E em Seia encontra-se a mais bela e fascinante de todas as “Portas da Estrela” que, para além de tudo, é das poucas zonas do País onde se pode fazer turismo de Inverno. Assim o concelho passou a plano nacional de grande centro turístico, salpicado de hotéis, estalagens, residências e restaurantes que o visitante procura.
A pista de Covões de Loriga, para o prazer de esquiar, as barragens do alto da serra, para a prática de desportos náuticos, as lagoas da serra e as ribeiras de Alvoco e Loriga, oferecendo a pesca da truta, o queijo da serra e toda a gastronomia local, a louça do Carvalhal e o cobre de Torrozelo, além dos monumentos, igrejas, capelas, casas, solares e varandas de diversos estilos, são alguns dos motivos capazes de satisfazer o mais exigente dos turistas. Turismo que, de dia para dia, se afirma como uma das principais fontes de riqueza desta região que abraça a serra da Estrela pelo lado onde o Sol se põe.

 

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