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Freguesia de Loriga

 
Loriga foi sede de concelho desde a outorga do foral, por D. Manuel, em 15 de Fevereiro de 1514, até à data da sua extinção, ocorrida em 28 de Outubro de 1855. Tinha Câmara Municipal, cadeia e pelourinho, monumento este que terá desaparecido durante o século passado. Era constituído por uma coluna de pedra, oitavada, com uma argola movediça de ferro forjado, tendo por base três degraus, e encimado por uma pedra quadrangular, ostentando as armas da vila.
A vila de Loriga fica situada na encosta sudoeste da Serra da Estrela a 770 metros de altitude. É a povoação central de um formoso vale de origem glaciar que começa nas mais elevadas alturas da Estrela, a 1993 metros e desce abruptamente até Vide, a 290 metros. É um vale repleto de história, onde permanecem vestígios glaciares, espécies vegetais raras duma floresta que cobria as encostas antes e após glaciação, construções rudimentares de pastores transumantes, uma espantosa infinidade de socalcos intensamente verdes, construídos para a cultura do milho, e também o passado e o presente da indústria têxtil, principal ocupação das gentes de Loriga.
“Loriga já não é uma verdadeira aldeia da serra, antes uma vila caiada e alegre, aninhada no fundo do vale e aconchegada à igreja paroquial, num abraço terno de religiosidade”. Foi há já muitos anos que Quelhas Bigotte escreveu estas palavras, num tempo em que “a activa indústria de lanifícios e malhas, uma metalomecânica próspera e dinâmica, dá-nos a medida exacta do valor industrial duma terra que, apesar do absentismo dos seus filhos, não pretende morrer”.
Com a crise dos anos setenta, muitas dessas fábricas fecharam; entretanto, outras abriram, sendo reposta a dinâmica. Mantendo-se inalterável, “a paisagem que envolve Loriga surpreende-nos e encanta-nos. Pelas vertentes da serra arborizada, as manchas verdes dos pinhais. Acima e abaixo da vila, uma infinidade de socalcos, cavados pelos homens, onde se criam e sustentam animais e as suas pastagens crescem. As águas abundantes descem pelas encostas, represadas aqui e além, repartidas em levadas que regam milhos e pastagens”.
À cavaleiro da vila, à maneira de moldura imponente, erguem-se dois formidáveis baluartes da serra: a Penha dos Abutres (1819 metros) e a Penha dos Gatos (1768 metros), ficando entre as duas a chamada “Garganta de Loriga”. Na sua “Memória Paroquial”, o vigário João Roiz Ribeiro falava de sete cabeços que formaram a defesa natural de Loriga. Seriam obstáculos intransponíveis para qualquer invasor, locais ideais para a edificação de castros, o que parece ter acontecido, pois o padre viu “vestígios dos alicerces dos muros que ainda hoje se conservam na Cabeça do Castelo”. E cremos que a chamada “pedra incavalada, por ter uma grande pedra atravessada no cimo”, mais não seria que um monumento megalítico, a que o bom do prior não soube pôr o nome.
Parece não haver qualquer dúvida quanto há existência, em Loriga, de pelo menos um castro lusitano, havendo um local onde abundam montes de pedras, que foi desde sempre denominado de “O Castro”. A tradição diz que os habitantes desse povoado castrejo, quando forçados pelos romanos a abandoná-lo, desceram ao vale, onde no “Chão do Soito” fundaram a primitiva Lo-riga, deslocando-se mais tarde para o actual assento da vila. Também algumas tradições dão Loriga como berço de Viriato, existindo ainda, bem conservados, restos do que dizem ter sido a sua habitação.
Os povos que se seguiram, romanos, suevos, visigodos e mouros, igualmente deixaram os seus vestígios. Dos primeiros conservam-se sepulturas antropomórficas, um troço de calçada e a ponte. A própria etimologia do topónimo da freguesia parece radicar no termo latino “Lorica”, uma armadura ou couraça guerreira, frequentemente usada pelos romanos.
Ao nível do eclesiástico, Loriga foi uma vigairaria do padroado real. Em 1706, tinha a igreja matriz e duas ermidas, S. Gens e Santo António. Em 1758, além das duas capelas referidas possuía mais três, uma de S. Sebastião, outra no Casal da Cabeça e a terceira, no Fontão. Quanto a irmandades e confrarias, segundo o Pe. João, não existia qualquer uma.
O terramoto de 1755 quase destruiu a igreja paroquial, e como não se fizeram obras a tempo, acabou mesmo por ruir. Era um templo românico com as características da Sé Velha de Coimbra. Possuía uma abóbada artesoada com riquíssimos quadros que alguns atribuem à escola de Grão Vasco. Tinha cinco altares e dela hoje apenas resta a traça duma das portas que tem uma inscrição visigótica dum salmo sobre o baptismo, e uma pedra, contendo inscrito o ano de 1233, numa das portas laterais da actual igreja paroquial.
A grande devoção das gentes de Loriga é a Nossa Senhora da Guia, venerada na sua capela, onde todos os anos na primeira semana de Agosto acorrem Loriguenses de diversas paragens assim como outros visitantes. Visitantes que ao longo do ano encontram nesta freguesia os mais variados atractivos: a diversão na neve, podendo-se esquiar nas magníficas pistas, o mergulho nas águas frescas da ribeira, e a descoberta da montanha, percorrendo inúmeros caminhos que, a cada momento, proporcionam cenários únicos e inolvidáveis.

 

Património

 
Capela Nossa Sra. do Carmo  
Capela S. Sebastião  
Cruzeiro da Independência  
Igreja Matriz de Loriga  
Pelourinho de Loriga  
Santuário Senhora da Guia  
Locais de Interesse Turístico

 
Caixão da Moura  
Caminho Romano  
Praia Fluvial  

 

 

 

 

 

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