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MOSQUITOS          Problema Local

Nesta secção, irá ser abordado o problema específico na região dos concelhos de Almada e Seixal, mais especificamente nas áreas que rodeiam a ETAR da Quinta da Bomba, local onde existe um sapal de onde provêm grande parte dos mosquitos da região.

Sempre que se aproxima a estação estival, começa a sentir-se a presença dos mosquitos nesta região. À medida que o Verão vai avançando, a onda de mosquitos vai aumentando, sendo o seu número maior nos finais do Verão. Há anos em que esta "praga" é maior do que outros e a sua presença depende das condições climatéricas.
Passando quase despercebidos durante o dia, ao chegar da noite podem-se notar nas janelas das casas grandes nuvens de mosquitos (fêmeas), que procuram obter proteínas para os seus ovos em lares que possuem seres homeotérmicos (tanto o homem como os seus animais de estimação ou outros "inquilinos" da casa).
É evidente que a maior parte (ou todas?) das pessoas consideram estes animais como inimigos e tentam ver-se livre destes zumbidores (sim, um autêntico inimigo do sono de qualquer um!) recorrendo a todo o tipo de artes marciais que deixam marcas de sangue (o nosso rico sangue que foi sugado!) ao esborrachar os pobres mosquitos nas paredes da casa; outros há que recorrem a produtos químicos como os repelentes para insectos que os mantêm longe das nossas proteínas.
Isto é exactamente o que se passa nesta região onde, começando em Miratejo e Corroios (localidades onde o sapal se situa) e seguindo para as várias localidades dos concelhos de Almada e Seixal, as pessoas têm que "gramar" com esta "fome proteica" proveniente destes insectos.

Uma pergunta provável que se poderia fazer neste momento talvez fosse: Mas porquê esta vaga de mosquitos provenientes do sapal?
Ora bem... todos sabemos que os sapais são locais de água paradas e com bastante vegetação, ou seja, um local ideal para o desenvolvimento dos mosquitos, já que possui o meio aquático ideal para o desenvolvimento das larvas e o refúgio ideal para os adultos. No entanto, esta análise ficava incompleta se não se referisse que o sapal encontra-se num braço do rio Tejo que vulgarmente se designa por "mar de sargaços" e como tal encontra-se poluído. Associado à poluição que já vem do "rio grande" ainda há a poluição local, dos esgotos municipais, que em tempos nem tratamento levavam. Actualmente, os esgotos são tratados na ETAR da Quinta da Bomba, onde levam um tratamento primário e secundário que retira grande parte da matéria orgânica do esgoto. No entanto, com a poluição já existente e com os esgotos (que embora sejam tratados a sua eficiência na remoção da matéria orgânica é de cerca de 90%), as águas do sapal vão ser extremamente ricas em matéria orgânica, o que só favorece o desenvolvimento dos mosquitos.

 
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ETAR da Quinta da Bomba


Convém também referir que se trata de uma região junto ao litoral e relativamente próxima de África e do Mediterrâneo, tal como todo o país (que não é grande), pelo que possui um clima ameno, temperado e húmido, que permite o desenvolvimento de um grande número de espécies de mosquitos. Apesar disso, actualmente, não existem epidemias de nenhuma doença transmitida pelos mosquitos em Portugal, apesar de existirem espécies capazes de as transmitir, tais como as espécies dos géneros Aedes (o mais comum), Anopheles, Culex (sobretudo Culex pipiens, também existente em grande número em Portugal) ou Phlebotomus responsáveis pela transmissão de doenças como a malária, a febre amarela, a dengue ou o Kala-Azar em países tropicais e mesmo temperados, alguns até com temperaturas inferiores às do nosso. Mas em tempos, sobretudo nos tempos dos Descobrimentos, as viagens levadas a cabo pelos portugueses traziam seres vivos inexistentes na Europa inadvertidamente, transportados pelas suas embarcações. Entre alguns desses seres encontravam-se por vezes larvas de mosquitos ou parasitas de doenças que até então só existiam em África. Adaptando-se ao clima de Portugal, alguns desses mosquitos e parasitas provocaram epidemias de doenças transmitidas pelos mosquitos como o paludismo. Como havia um número relativo de pessoas infectadas com este tipo de doenças, mesmo com o diminuir da exploração de novos mundos, elas continuaram a existir. Só foi possível que o seu número diminuísse com a evolução da medicina e com o melhoramento do saneamento básico. Actualmente, dado que vivemos num país europeu e desenvolvido (?), este tipo de doenças foi completamente erradicado, surgindo apenas alguns casos esporádicos mas que, felizmente, não resultam em epidemia, em parte porque o nosso clima é mais frio do que o ideal para que os mosquitos se tornem infecciosos. Mas com o efeito de estufa a tomar grandes proporções, não será de esperar uma nova vaga de paludismo ou febre amarela no nosso país, como consequência dos aumentos de temperatura e de precipitação que tornam os mosquitos mais numerosos e infecciosos?

De qualquer modo, para evitar ou reduzir as "pragas" de mosquitos são usados métodos de controle das populações, que tanto podem ser bíológicos como químicos, embora em Portugal (infelizmente!) os últimos sejam mais utilizados. No sapal nem sequer há qualquer controle biológico, até porque é improvável que, por exemplo, peixes que se alimentam de larvas de mosquito, sobrevivam ou mantenham um grande número naquelas águas (salobras) bastante poluídas. Apesar de os tratamentos serem químicos, felizmente são muito pouco poluentes, por serem usados em concentrações muito baixas, na ordem dos 2 a 3%. De qualquer modo seria sempre preferível um tratamento biológico a um tratamento químico, já que um produto pouco poluente usado várias vezes sempre dá alguma poluição e a estas águas já chegam os produtos químicos provenientes das fábricas que se encontram nas margens do Estuário do Tejo (inclusivé na Zona de Protecção Especial e na Reserva Natural!). Felizmente, em Portugal, já foi proibida a utilização do DDT, um dos pesticidas mais tóxicos e perigosos para a saúde pública e para todo o ecossistema, dado a sua falta de especificidade, apesar de continuar a ser usado em muitos países em vias de desenvolvimento, como método de controle de mosquitos transmissores da malária.

Conhecem-se cerca de 3000 espécies de mosquitos, das quais as mais nocivas são as que se alimentam de sangue, transmitindo doenças através dele. Contudo, na sua grande maioria, as espécies são inofensivas e úteis, alimentam-se de néctar de flores e sumo de frutas, cumprindo a sua função polinizadora, servem de alimento a peixes, pássaros e outras espécies e são, assim, insubstituíveis na cadeia alimentar da natureza. Até há mosquitos que se alimentam das larvas das espécies nocivas!
A poluição provocada pelo homem está na base do aumento da população de mosquitos, visto que, para além das causas naturais, no nosso país (e não só!) a proliferação de mosquitos deve-se a um deficiente saneamento básico ou a práticas menos cívicas de limpeza e incorrecta deposição de resíduos orgânicos por certas indústrias e populações.
As larvas de mosquito apenas precisam, para se desenvolverem, da existência de águas estagnadas, matérias putrefactas (que equivale a dizer matéria orgânica), latas de conserva vazias, valas fora de uso, pedreiras abandonadas com águas pantanosas, ribeiros e cursos de água não escoantes, cemitérios de automóveis, etc.
A proliferação das espécies incómodas (nomeadamente as melgas) é, no nosso caso (e, em geral, em praticamente todo o Hemisfério Norte), mais acentuada no Verão, devido ao calor e à ausência de pluviosidade, agravando-se quando não há vento.
Nos centros urbanos, estas condições favorecem a fermentação dos resíduos orgânicos mal depositados; no campo, os ovos encontram as condições ideais de desenvolvimento, particularmente, nas zonas pantanosas.

AUTORES

Hugo Miguel de Almeida Ferreira
Nº 10103

Ana Rita de Abreu Cruz
Nº 10211

Ana Rita Correia Santos
Nº 9697

Gualter Hugo de Sousa Barbas Baptista
Nº 10213

Sónia Clarisse Martins Cardoso
Nº 10208

todos alunos do 1º ano de Engenharia do Ambiente, ramo de Ambiente (1997/98).

 
 

 

 

 

 

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