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O moinho de Corroios situa-se
dentro da Baía do Seixal, uma enseada abrigada pela
Restinga do Alfeite
que permitiu o desenvolvimento de uma extensa mancha de sapal com cerca de
143ha (Freire, 1999): o sapal de Talaminho (a Sul) e sapal de Corroios (a
Norte e Oeste).
Deste local é possível
observar-se as principais características morfológicas de um sapal salgado
em estado de maturação avançado. O sapal desenvolve-se sobre sedimentos
essencialmente vasosos e é cortado por numerosos canais de maré,
meandrizados e anastomosados, apresentando por vezes, um padrão dendrítico
nos canais de ordem inferiror. Contrariamente às rededs fluviais da margem
terrestre adjacente, os canais de maré dos sapais
não são formas erosivas, mas formas remanescentes da degradação lateral e
vertical dos bancos de vaza que os confinam.
A textura e constirtuição
mineralógica destes sedimentos, essencialmente siltosa, argilosa e
orgânica, confere-lhes
propriedades
de floculação, adsorção e troca iónica importantes com a água de
circulação. Estas propriedades permitem a
Fig. 3 Localização do Sapal de
Corroios
retenção selectiva de algumas
substâncias poluentes (nomeadamente metais pesados) extraíndo-os da água de
circulação, ficando armadilhados no sapal em crescimento. Por isso, os
sapais funcionam como "rins", depurando o sistema hidrológico. Os sapais
são ecossistemas que incluem vegetação halófita, apresentando zonação
característica determinada pelo tempo de imersão. A vegetação é um factor
condicionante da evolução do sapal, sendo os seus sistemas radiculares e
estrutura aérea armadilhas eficientes para a captura de sedimentos trazidos
em suspensão pelas correntes de maré. Constituem as zonas de maior
produtividade da biosfera, tendo papel importante como berçário de
variadissímas espécies piscícolas e local de nidificação de aves.
Cerca de 46% das margens de
sapal da Baía do Seixal encontram-se fortemente intervencionadas por
actividade humana, da qual se salienta: actividade agrícola (ocupação e
recuperação de terrenos, construção de diques, regularização e desvio de
canais), aterro e instalação de moinhos de maré. Estes últimos constituem
um exemplo interessante de modificação da dinâmica das margens. Nos moinhos
de maré a presença de um dique que controla a entrada/saída de água para a
zona da caldeira modifica as velocidades de corrente e a taxa de
sedimentação na zona a montante do dique. Lima (1995) refere, para a
caldeira do moinho de Corroios, um assoreamento de 1.5m nos últimos vinte
anos, o que equivale a uma taxa de sedimentação de 7.5cm/ano (a taxa de
sedimentação média nos sapais do estuário é variável entre 5mm e 1 cm/ano).
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