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Paio Pires Futebol Clube
A culpa foi do Sporting

Se não fosse o Sporting Clube de Portugal, Paio Pires, a pequena aldeia do concelho do Seixal que cresceu à sombra da gigantesca Siderurgia Nacional, teria hoje uma colectividade com um nome completamente diferente.

"Não existem quaisquer documentos que nos digam algo de concreto sobre a fundação do Paio Pires Futebol Clube", afirmam os responsáveis desta colectividade do concelho do Seixal. Todavia, de acordo com um depoimento que enviaram à "Elo associativo", a "opinião de pessoas idóneas", aponta para a conclusão de que o "clube da nossa terra teve origem no agrupamento de elementos de dois grupos já existentes nesta localidade".
O que se sabe hoje é que no dia 6 de Junho de 1925 foi fundado o "Portugal Foot Ball Clube Aldeense", com sede social na Rua Aristides da Costa, em Paio Pires. Foram seus fundadores os irmãos João e Manuel Marques, Silvestre Rosmaninho e Valentim Rebelo.
Chegada a altura de se proceder à filiação da equipa do novo clube, para que pudesse disputar provas oficiais, surgem algumas dificuldades na Associação de Futebol de Lisboa, "pois nesta cidade já existia um clube com "Portugal" no nome", explicam os actuais dirigentes da colectividade, que pensam que na origem destes problemas poderá ter estado o Sporting Clube de Portugal e a impossibilidade de existir um novo clube que utilizasse também o nome de Portugal na sua designação oficial. Convém explicar que, na altura, toda a área que hoje integra o distrito de Setúbal pertencia a Lisboa e que Setúbal só passou a ter o estatuto de capital de distrito em 22 de Dezembro de 1926.
Perante tal dilema foi convocada uma assembleia geral extraordinária, na qual ficou decidido adoptar o nome de "Paio Pires Futebol Clube", o nome que chegou aos nossos dias.

Dissidências

A equipa de futebol jogou, durante cerca de dois anos, no Campo de Vale de Abelha, passando depois para o Campo da Quinta da Ribeira, onde se conservou até 1930, altura em que o clube se "dissolveu por dissidências" entre a equipa de futebol e a direcção, recordam os responsáveis do Paio Pires. Em 1933, por carolice de Bento Rodrigues, Guilherme Martins e Manuel Gonzalez, o Paio Pires volta a ter actividade e regressa ao Campeonato da Quinta da Ribeira, onde permaneceu durante 30 anos.
A partir de então, a actividade deste clube da margem sul do Tejo não parou de crescer. Em Janeiro de 1941 foi formado um grupo dramático que levou à cena diversas peças e em Janeiro de 1946 foi criada uma comissão pró-biblioteca.
Em Abril de 1960, a equipa de futebol conquistou o campeonato distrital da 2.ª divisão e, em Abril de 1970 ganhou a distrital da 1.ª divisão, vitória que lhe deu acesso à 3.ª divisão nacional, escalão onde permaneceu por 12 épocas consecutivas. Em 1982/83 voltou a ser campeão da primeira divisão distrital.
No dia 23 de Dezembro de 1972, num jogo com o Futebol Clube Barreirense, foi inaugurada a luz eléctrica do parque de jogos. A 26 de Setembro de 1976, outra data recordada no depoimento enviado à "Elo associativo", foi inaugurada a praça de toiros, com um cartel de luxo constituído pelos Cavaleiros Luís Miguel da Veiga e José João Zoio, pelos Espadas José Simões e Ricardo Chibanga e pelos grupos de forcados amadores do Aposento do Barrete Verde de Alcochete e do Aposento da Moita do Ribatejo. Uma corrida histórica de que ficou o registo fotográfico publicado ao lado.
O ano de 1978 constitui outro marco na história da associação de Paio Pires. Neste ano, com a colaboração da Junta de Freguesia de Paio Pires, foram cedidas ao Paio Pires Futebol Clube as instalações da actual sede social, as mesmas que, durante três gerações, albergaram a escola primária da freguesia.
"Mas nem só o futebol tem merecido a atenção das sucessivas direcções", afirmam os dirigentes da colectividade. O Paio Pires já desenvolveu actividades de outras modalidades desportivas, como é o caso do karaté, do basquetebol feminino e do ciclismo Nesta última modalidade, o atleta paio pirense Bruno Castanheira foi campeão nacional na categoria de cadetes em 1998.
Actualmente, o Paio Pires Futebol Clube tem aproximadamente mil associados, movimenta cerca de 140 atletas repartidos pelos escalões infantil, iniciado, juvenil, júnior e sénior na prática do futebol. O objectivo futuro, salientam os responsáveis da colectividade, é "desenvolver novas práticas de desporto e cultura para reactivar o clube, tal como os seus fundadores o perspectivaram, ou seja, tornar o Paio Pires num verdadeiro pólo dinamizador da população no âmbito da prática cultural e desportiva".

Elo Associativo Nº 13 - Junho 2000

 

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