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Arrentela está situada na margem sul do estuário do rio Tejo, em local alto e debruçado sobre o esteiro do Judeu. O seu nome provirá eventualmente de "Aventella", por ser terra varrida por muitos ventos, ou de "Arreentella", por causa de estar implantada em areais ou ainda, segundo a tradição popular, de "além terra", desde que foi avistada do rio por pescadores.
 
Em 1384, a Arramtella era referida por Fernão Lopes, na crónica de D. João I. Em 1399, o Convento da Trindade trocava a sua Quinta de Arrentela por bens em Lisboa. Data de 1403 o aforamento do esteiro de Arrentela a Nuno Álvares Pereira, que o doou, conjuntamente com outras terras, ao Convento do Carmo, em 1404.
 
Datam de 1581 os primeiros assentos de Baptismo, Casamentos e Óbitos lavrados na Paróquia de Arrentela.
 
Como outros povoados ribeirinhos da região, a Arrentela desenvolveu-se com base nas potencialidades do rio, quer a nível dos seus recursos naturais, quer das actividades proporcionadas pela localização geográfica, como a construção naval, sobretudo a partir do período dos descobrimentos e expansão marítima portuguesa
 
Em 1620, segundo Frei Niculau de Oliveira (Livro das Grandezas de Lisboa), Arrentela tinha 350 fogos, com 890 habitantes
 
Já em 1733, segundo o Padre Luís Cardoso (Dicionário Geográfico), a freguesia de Arrentela - englobando na altura o Seixal, Paio Pires, Torre da Marinha e Arrentela - contava 563 vizinhos. Em 1734 a Paróquia do Seixal tornou-se independente de Arrentela.
 
A Igreja Matriz , destruída com o terramoto de 1755, foi reconstruída em 1757. Em 1758 a Arrentela tinha 202 vizinhos e 668 habitantes.
 
Até meados do século XIX a agricultura desempenhou papel importante nas actividades da população local, designadamente o cultivo da vinha. No esteiro do Judeu pescava-se peixe em abundância. Há notícia da existência de algumas marinhas de sal que pertenciam aos frades Jerónimos de Belém.
O Vinho, algum azeite, produtos hortícolas e frutas, assim como peixe, originaram importante comercio com a cidade de Lisboa, através do Tejo.
 
Em 1872, um grupo de Operários da Companhia de Lanifícios de Arrentela fundou a Sociedade Filarmónica Fabril Arrentelense. Poucos anos depois foi criada a Sociedade Filarmónica Fabril Honra e Glória Arrentelense. A fundação destas duas colectividades inseriu-se no movimento associativo que se tinha iniciado no Seixal, na primeira metade do século XIX e depois, com a industrialização do concelho, se estendeu a todas as freguesias.
 
Em 1890 sabe-se que o povo de Arrentela se manifestou contra a Inglaterra, devido ao Ultimatum, acontecimento a que decerto não era estranha a existência de encarregados ingleses na fábrica de lanifícios.
 
Em 1894 foi nomeada uma comissão com o objectivo de promover a construção do coreto na Avenida Serpa Pinto, a qual só obteve cedência do terreno em 1905. O coreto, mais tarde destruído por uma tempestade, não viria a ser restaurado.
 
Em 1895, com a extinção do concelho do Seixal, a Arrentela foi anexada ao Barreiro, até à restauração do concelho, em 1898.
 
Em 1908 a laboração da fábrica de lanifícios ocupava 420 operários, do total de 1440 habitantes da freguesia.
 
Em 1914 as duas sociedades filarmónicas fundiram-se, dando origem à actual Sociedade Filarmónica União Arrentelense. No mesmo ano foi inaugurada, na Calçada do Adro, a sede da colectividade, fruto de grande dedicação e empenho de um grupo de arrentelenses e sócios.
 
Em 1920 a Arrentela contava com 2258 habitantes.
 
Em 1927 deu-se a passagem do Concelho do Seixal do distrito de Lisboa para o de Setúbal.
 
Em 1940 a freguesia contava contava com 3276 habitantes.
 
Em 1945 foi publicada em Diário do Governo portaria aprovando o regulamento de serviço de saneamento da povoação de Arrentela (e da Torre da Marinha)
 
O número de habitantes aumentou sucessivamente para 3999, 5390 e 9980, respectivamente em 1950, 1960 e 1970.
 
Em 1977 a Igreja Paroquial de Arrentela foi classificada como Monumento Nacional.
 
Foi em 1979 que a Socamar apresentou projecto de transferência dos seus estaleiros para o Seixal, incluindo o da Arrentela.
 
No quadro económico local, a agricultura e a pesca perderam a sua importância nos modos de subsistência local ao longo da primeira metade do nosso século. Note-se que até cerca dos anos 60 ainda se produzia vinho na região.
 
O Seixal muito próximo e fortemente industrializado exerceu forte atracção sobre a população de Arrentela, designadamente através da industria corticeira e, nesta, da Mundet. De resto, desde o século XIX que a freguesia de Arrentela se vinha transformando num centro industrial, em que a industria de lanifícios assumia grande importância.
 
O outro factor económico de relevo até meados do século foi o tráfego de mercadorias, sendo a via fluvial a de maior importância, até então, para a povoação.

O quadro económico e social sofreu profundas alterações a partir da década de 60, com um novo arranque da industrialização regional, designadamente através da instalação da Siderurgia em Paio Pires e simultânea decadência da indústria corticeira local. Subalternizou-se a relação da comunidade com o rio, descaracterizando-se a própria localidade. A perda de importância do rio como via de comunicação torna-se tanto mais importante quando a outra via - a estrada marginal e principal - se secundarizou cada vez mais no quadro de desenvolvimento económico e de urbanização do concelho.
 
Por outro lado, retomemos a fábrica de lanifícios, factor de promoção e dinamização de Arrentela, para acentuarmos a relação da sua decadência e desactivação com falta de renovação do núcleo populacional antigo e o seu auto-fechamento.

 

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