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A freguesia de Arrentela desenvolveu-se, tal como a maioria das freguesias
da região, à volta das potencialidades criadas pelo rio Tejo.
Em termos históricos aparecem referências a Arrentela desde o século XIV. O primeiro documento em que a localidade aparece mencionada é na Crónica de D. João I, datada de 1384. No ano de 1399 surge a referência de que o Convento da Trindade procedia à troca de uma Quinta que possuía em Arrentela por bens em Lisboa. O esteiro da Arrentela foi aforado a Nuno Álvares Pereira em 1403, tendo-o este doado ao Convento do Carmo em 1404. Os primeiros registos ou assentos de casamento, baptismo ou óbito da Paróquia de Arrentela foram lavrados em 1581. Frei Nicolau de Oliveira refere em 1620 que a povoação tinha 350 fogos e 890 habitantes. O Dicionário Geográfico do Pe. Luís Cardoso, de 1733, aponta para a freguesia de Arrentela, que englobava o Seixal, Paio Pires, Torre e Arrentela, uma população de 563 vizinhos. Em 1758 a população era de 202 vizinhos e 668 habitantes. O Terramoto de 1755 provocou a destruição da igreja matriz. A igreja foi de imediato reconstruída como o comprova a data de 1759 gravada na fachada do templo. Da construção anterior apenas subsiste o frontão da porta lateral esquerda, de cariz renascentista. O interior da igreja é de uma só nave, coberta por tecto de estuque pintado, representando temas vários. O altar-mor apresenta um retábulo de talha dourada de finais do século XVII com colunas salomónicas, um minucioso sacrário entalhado e algumas imagens de madeira policroma. As paredes são revestidas até meia altura por painéis de azulejos azuis e brancos setecentistas com cenas da vida da Virgem. A capela baptismal tem um painel de azulejos que também representa o Baptismo de Cristo. Pontos de grande interesse artístico são também os retábulos de talha dos altares laterais. Uma bela mesa setecentista entalhada e uma série de imagens estofadas de época barroca. O valor da igreja foi reconhecido com a consideração, em 1971, como Património Nacional. As principais económicas da povoação foram, até ao século XIX, basicamente de índole agrícola, designadamente a vinha, a pesca praticada no esteiro do Judeu e a exploração de marinhas de sal, pertença do Jerónimos de Belém. Foi com base nesses produtos, vinho, azeite, sal, peixe e algumas verduras, que se desenvolveu um importante tráfico comercial entre Arrentela e Lisboa, tendo como veículo o rio Tejo. O século XIX trouxe à localidade os primeiros estabelecimentos industriais. O primeiro a surgir foi uma fábrica de lavagem de lãs, que se estabeleceu na Torre da Marinha no 2.º quartel do século XIX. Por ordem de D. Miguel a fábrica foi adquirida, aí se estabelecendo o fabrico das mantas para o exército. Em 1834 a fábrica estava bastante arruinada e foi vendida a José Rodrigues Blanco, que a remodelou para estamparia de algodão. A ruína voltou a atacar os edíficios até que em 1855 se fundou a Companhia de Lanifícios de Arrentela, dirigida por Júlio Caldas Aulette. O rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia visitam a Companhia em 1892. Desde aí a empresa constituiu, além de tudo, um núcleo de progresso cultural, que se enquadrou no surto do associativismo que ao tempo grassou no Seixal. Os seus operários criaram a Sociedade Filarmónica Fabril Arrentelense, em 1872 e alguns anos depois a Sociedade Filarmónica Fabril Honra e Glória Arrentelense. Em 1914 as duas colectividades uniram-se, dando origem à actual Sociedade Filarmónica Arrentelense. |
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