A cidade do Seixal teve, muito possivel- mente, origem num núcleo de
pescadores, no entanto a história das suas origens é ainda muito obscura.
Nos primeiros anos do século XVI o Seixal pertencia à freguesia de
Arrentela. Nessa época foi construída a Capela de Nossa Senhora da
Conceição.
O passar do tempo e o crescimento da população tornaram a capela pequena
para as necessidades religiosas da população, pelo que foi solicitada ao
Patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida, a necessária licença para
construção de um novo templo.
A autorização foi dada a 29 de Março de 1726, tendo as obras começado de
imediato, sendo lançada a primeira pedra a 26 de Abril. A obra foi rápida
uma vez que a igreja nova foi aberta ao culto a 25 de Dezembro de 1728, no
meio de grandes festividades.
Os moradores começaram de imediato a requerer o estatuto de paróquia o
que, apesar de alguma contrariedade do pároco de Arrentela, veio a
acontecer por provisão do Patriarca dada em 23 de Junho de 1734.
A igreja matriz foi destruída pelo Terramoto de 1755, tendo morrido também
muitas pessoas, soterradas pelos escombros da igreja.
A subida das águas do Tejo provocou também muitos estragos e vítimas. A
população sobrevivente da tragédia refugiou-se no local conhecido por
Barrocas do Conde de Vila Nova.
O processo de reconstrução do Seixal foi lento. Durante este período foi
usada como igreja matriz a Ermida de N.ª Sra. da Boa Viagem. A Ermida de
N.ª Sra. da Conceição foi reedificada rapidamente e em 1756 já aí se
celebrou a Semana Santa.
A igreja matriz só foi concluída em 1762 e a torre sineira foi acabada em
1776. Para além desta reconstrução o templo sofreu várias alterações em
1858 e em 1904.
A frontaria de estilo barroco é revestida a azulejos azuis e brancos, tal
como a torre sineira.
O interior é de uma só nave, coberta por tecto de madeira e pinturas de
Pereira Cão, datadas de 1904, que representam ao centro a padroeira e
lateralmente os bustos de S. Pedro e de S. Paulo.
Nas paredes da capela-mor, revestidas a estuque imitando mármore, pendem
quatro painéis sobre tela de características italianizantes do século
XVIII. O retábulo de talha dourada é da mesma época, tal como os retábulos
e as imagens dos dois altares laterais.
O concelho do Seixal foi criado pela reforma administrativa de 1836,
recebendo a povoação o título de vila. O concelho foi extinto por Decreto
de 26 de Setembro de 1895, passando a freguesia para os concelhos
limítrofes.
Em 13 de Janeiro de 1898 o concelho foi restaurado com todas as suas
freguesias.
No Seixal publicaram-se vários periódicos dos quais se salienta O
Seixalense, quinzenário independente criado em 1925 e O Seixal, revista
mensal ilustrada, publicada em 1928, sendo seu proprietário Duarte Alves e
redactor principal Casanova Ferreira, que se destinava a defender os
interesses do concelho do Seixal.
Em 1907 celebrou-se no Seixal a Festa da Árvore, a primeira do género em
Portugal, tendo sido plantadas árvores no Jardim dos Mártires da
Liberdade. Só a partir do 25 de Abril a Festa da árvore se voltou a
comemorar, agora em todo o concelho.