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Escritora francesa imortaliza Arrentela A história das
festas em honra de Nossa Senhora da Soledade, na Arrentela, no
concelho do Seixal, tradição que começou com o terramoto de 1755, é
contada num livro da autoria de uma antropóloga francesa que foi
lançado no sábado.
Editado pela Câmara do Seixal e Junta de Freguesia de Arrentela, "O
Milagre das Águas - O Terramoto, Arrentela e a Nossa Senhora da
Soledade", de Mouette Barboff, evoca, a partir de testemunhos
escritos e orais, as origens da tradição religiosa e a sua
preservação ao longo de sucessivas gerações.
Tal como há 250 anos, a santa continua a ser venerada pelos
habitantes locais, que todos os anos, a 1 de Novembro, organizam
com esmero uma procissão em sua honra, que atrai muitos
forasteiros. O interesse de Mouette Barboff pelas festas de
Arrentela surgiu há dez anos, quando decidiu alugar uma casa no
centro histórico da freguesia, junto à igreja de onde sai a
procissão.
Rezam os ditos populares que, a 1 de Novembro de 1755, as pessoas,
aflitas, tiraram a imagem da santa do altar e colocaram-na junto ao
rio Judeu, onde Nossa Senhora da Soledade baixou o braço, impedindo
que as águas subissem e inundassem a povoação. Desde então, num
gesto de agradecimento à senhora do "milagre das águas", os
habitantes realizam anualmente, nesta data, uma festa em sua honra,
que inclui a tradicional procissão.
Apesar de as festividades terem sofrido alterações ao longo dos
tempos, o essencial mantém-se: a procissão, o peditório para
angariação de fundos, o baile e o desfile da banda de música pelas
ruas.
Mouette Barboff é autora, entre outros, de estudos sobre a arte do
pastoreio no Alentejo, o ciclo de produção do pão caseiro e as
festividades tradicionais portuguesas. |