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‘Ana’ (nome fictício) escapou por pouco a ferimentos graves
causados por um desses ataques. Na quarta-feira à noite, a jovem,
residente na Arrentela, apanhou o comboio das 21h45 em direcção ao
Fogueteiro.
“Ela viajou acompanhada de algumas amigas e colegas. Tudo decorreu
normalmente até o comboio chegar à estação de Corroios”, disse ao
CM Maria do Patrocínio Semedo, mãe da jovem de 22 anos.
Pouco depois de o comboio ter iniciado marcha, em direcção à
estação dos Foros de Amora, ‘Ana’ decidiu levantar-se, por “se
sentir incomodada com o cheiro de um passageiro”. “Menos de cinco
segundos depois uma pedra partiu o vidro, e caiu em cima do banco
onde ela estava sentada, à altura da cabeça”, salientou Maria do
Patrocínio Semedo. “Uma chuva de vidros voou por todo o lado”,
acrescentou.
Apesar do pânico, o comboio seguiu marcha até à estação dos Foros
de Amora. Neste local, os funcionários da empresa trataram de
evacuar a carruagem. Os passageiros não ganharam para o susto.
EMPRESA RECONHECE
A Fertagus, empresa concessionária da exploração ferroviária da
Ponte 25 de Abril, reconhece a gravidade dos ataques sofridos. Na
última quarta-feira, pelo menos dois apedrejamentos foram
contabilizados, ambos no troço compreendido entre as estações de
Corroios e Foros de Amora. “Desde que o fenómeno começou, há
algumas semanas, temos pedido a colaboração da GNR e da PSP,
responsáveis pelo policiamento ao longo de toda a linha”, disse ao
CM Cristina Dourado, administradora da Fertagus. E os resultados
começaram já a aparecer. “Já nos foram comunicadas diversas
detenções, feitas em especial durante as férias escolares”,
acrescentou a responsável. Até hoje, acrescentou Cristina Dourado,
“não há a registar quaisquer ferimentos em passageiros”. No
entanto, a empresa tem sofrido prejuízos sérios, que “merecem o
reforço dos contactos com as autoridades policiais”. “A Refer,
empresa que explora a infra-estrutura ferroviária, também tem
colaborado nestas acções, que são para continuar”, disse a
responsável. |