Freguesia de Castelo
A freguesia do Castelo do concelho de Sesimbra está intimamente
ligada com a história da Nacionalidade, tendo sido conquistada aos
mouros por D. Afonso Henriques no ano de 1165. O seu castelo foi
povoado por uma colónia de Francos desde os finais do século XII,
talvez desde 1166, em torno da Igreja de Nossa Senhora da
Consolação do Castelo.
O castelo de Sesimbra que Afonso Henriques conquistou foi arrasado
em 1190 tendo sido reerguido em 1200, por ordem do rei D. Sancho
I, e teve um novo restauro em época recente. Este restauro
pretendeu recuperar a traça original da construção com a sua
muralha defensiva e respectivos parapeitos e guarnição das ameias.
O edifício recuperou o aspecto medieval com a maciça ala do
alcácer, dominada pela grande torre de menagem de abóbada
artesoada na cobertura do piso superior, a norte do recinto
amuralhado.
Junto da cisterna podem ainda ver-se as ruínas da Casa dos
Vereadores, que no início do século XVI ainda funcionava.
Na freguesia do Castelo localiza-se o Solar da Quintinha, amplo
solar barroco, situado no lugar da Cotovia e que é constituído por
várias alas modernizadas tendo a principal um terraço apoiado em
arcaria corrida.
O Solar tem uma capela privativa de fachada muito singela datada
de 1738 e possui um altar de talha clássica, em cujo trono figura
uma imagem de Nossa Senhora das Dores. O tecto é estucado e ornado
com figuras de dois Evangelistas, S. Paulo e S. Pedro e o Agnus
Dei. Nas paredes existem quatro telas do final de setecentos em
estilo de Pedro Alexandrino.
No entanto, a peça de maior valor da casa é a grande fonte do
século XVIII, toda revestida a azulejos azuis e brancos da mesma
época, de boa qualidade. A série inferior representa cenas da vida
aristocrática e a superior Santo António de Lisboa, a Imaculada
Conceição, a Última Ceia e S. Francisco.
A Igreja de Santa Maria do Castelo foi fundada no ano de 1160
tendo sofrido, desde então, várias reformas que lhe adulteraram a
traça original. Uma dessas remodelações deve ter ocorrido,
possivelmente no ano de 1721, como é atestado por inscrição
existente no portal.
O templo é de uma só nave, coberta por um tecto simples tendo ao
centro uma tela do século XVII que representa a Coroação da
Virgem. As paredes são todas revestidas a azulejos de cor azul e
branca do século XVIII, de boa qualidade, que figuram momentos da
vida de Nossa Senhora.
O púlpito é um bom trabalho em pedra de lioz. Os retábulos dos
sete altares em talha dourada merecem também referência e datam
dos princípios de setecentos. Na sacristia encontra-se a mais
valiosa peça que a Igreja guarda, uma escultura de alabastros
representando Nossa Senhora Mãe dos Homens, provavelmente do
século XIII, e que é um notável exemplo de concepção plástica.
Dentre o património da freguesia do castelo é importante referir o
Santuário de Nossa Senhora do Cabo, localizado no Cabo Espichel,
um dos mais interessantes pontos de toda a geografia e imaginária
nacional. O templo é também conhecido pelo nome de Santuário da
Pedra da Mua e está actualmente quase abandonado.
O Cabo Espichel é formado pelo extremo Sudoeste da Serra da
Arrábida, elevando-se a 150 metros acima das águas do mar. No
ponto mais avançado encontra-se o farol, cuja torre primitiva deve
ser do século XVIII, tendo sido reformada em 1848.
A veneração da Senhora do Cabo surgiu à volta da Ermida da
Memória, erguida no local onde apareceu a Virgem no ano de 1410 a
um casal de idosos de Alcabideche.
A data da fundação da capela é desconhecida. É de proporções
harmoniosas e coberta por uma cúpula boleada, o interior é
revestido de azulejos que contam a lenda do santuário.
A grande afluência de peregrinos durante todo esse século levou a
uma contínua ampliação do recinto, continuando-se a construir
ainda em 1791.
A igreja, para onde foi transferida em 1707 a imagem de Nossa
Senhora do Cabo, tem portal com frontão em meia concha, ladeado
por fogaréus.
O interior tem um guarda-vento em madeira brasileira, é de uma só
nave, coberta por tecto em abóbada onde se desenvolve uma bela
composição a fresco, de perspectiva, figurando no centro a
Assunção da Virgem, obra notável de Lourenço da Cunha, executada
em 1740. As paredes estão totalmente revestidas por mármore branco
e negro da Arrábida.
Na capela-mor encontra-se a maquineta-relicário em prata dourada,
oferecida pela peregrinação de Lisboa, de 1680, onde se guarda a
muito antiga e pequena imagem da Senhora do Cabo.
Fora do recinto da igreja e das hospedarias ergue-se a Casa da
Água, construída em 1770 a que se acede por uma escadaria e que
tem como peça mais valiosa a belíssima fonte de tipo rocaille de
mármore, em tipo berniniano.