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A Laguna de Albufeira situa-se na orla
Ocidental da Península de Setúbal, no arco litoral Caparica-Espichel,
cerca de 20Km a Sul de Lisboa. Ocupa uma superfície de 1.3Km2
e apresenta uma geometria alongada, com o eixo maior oblíquo
relativamente à linha de costa, orientado SW-NE.
É formada por dois corpos lagunares
principais ligados por um canal estreito, sinuosos e pouco profundo: a
Lagoa Pequena, mais interior e menos profunda e a Lagoa Grande, com
profundidades máximas de cerca de 15m, constituída por dois seguementos
elípticos definidos por cúspides arenosas marginais.
A laguna está separa do oceano por uma
barreira, contínua ao longo de 1200m, ancorada por ambas as extremidades
a um litoral de arribas talhadas em terrenos plio-quaternários. A
barreira é formada por areias grosseiras, remobilizadas e transportadas
em permanência pelas ondas do mar. No extremo Norte deste cordão
estabeleceu-se uma duna frontal embrionária, colonizada por vegetação
pioneira.
A laguna ocupa a região vestibular da
Ribeira da Apostiça, seu afloente principal. As restantes linhas de água
são de menores dimensões e afluem exclusivamente à margem esquerda. A
bacia hidrográfica drenante extende-se por 106Km2, em
formações de natureza litológica diversa que, cronologicamente, se
situam entre o Jurássico e o Quaternário.
Com o intuito de melhorar a qualidade do
corpo aquoso e controlar a autotrofização, é aberta periodicamente por
meios mecânicos uma barra de maré que fecha naturalmente algum tempo
depois. Esta intervenção antrópica (que começou pelo menos no século XV),
consiste em remover areia do lado interno da barreira e abrir depois uma
estreita ligação ao mar; o forte fluxo de descarga, que se gera em
baixa-mar devido ao disnível existente entre as cotas dos planos de água
lagunar e oceânico, rasgam um canal amplo e profundo através de um
cordão arenoso.
Devido ao tipo de agitação marítima
local, existe um fluxo de areias ao longo da praia, dirigido
preferencialmente para Sul, que é responsável pela reconstrução da
barreira quando nela se abre a barra de maré. Esta construção faz-se por
acreção na margem norte e erosão na margem sul do canal de maré, o qual
meandriza, perde eficiência hidráulica e finalmente é colmatado. A barra
tem, pois, um carácter divagante, e funciona durante um período
variável, de semanas a meses.
Enquanto a barra se mantém aberta, a maré
oceânica porpaga-se no interior da laguna, transportando areias a favor
da enchente, que se depositam nas vizinhanças da boca da barra sob a
forma de leques sedimentares. Os sucessivos episódios de abertura/fecho
da barra e a meandrização dos canais promovem a multiplicação,
justaposição ou erosão destes leques, produzindo a longo prazo, uma
morfologia complexa da margem interna da barreira, variável no tempo.
A água lagunar tem características sazonais
que reflectem a dualidade barra aberta/barra fechada. A abertura da
barra promove a renovação completa da água no interior da laguna que
adquire temporariamente características físico-químicas idênticas às da
água oceânica. A coluna de água torna-se homogénea, oxigenada e límpida,
com salinidade da ordem 3.5%. Em situação de barra fechada, os aportes
de água doce aumentam a profundidade do corpo aquoso e, devido a
diferenças de densidade, gera-se um coluna de água estratificada, com
acumulação de água salgada nas zonas mais profundas e salobra ou doce à
superfície. O oxigénio dissolvido nas camadas mais profundas é
rapidamente consumido, gerando-se anoxia junto ao fundo. Os sedimentos
de fundo apresentam uma distribuição marcadamente concêntrica, em que as
areias ocupam a faixa periférica e as vasas a área central, mais
profunda. Esta organização reflecte baixo hidrodinamisno do corpo
lagunar e a diversidade das fontes sedimentares, marinha e continental.
Os sedimentos provenientes do continente perdem os componentes mais
grosseiros (areia e cascalho, transportados junto ao fundo) na periferia
do espelho de água, originando pequenas praias lagunares ou deltas
fluviais; os componentes mais finos (siltes e argilas, transportados em
suspensão) alcançam as regiões mais internas da bacia lagunar. Os
sedimentos de origem marinha concentram-se preferencialmente no terço
poente do corpo lagunar, em estreita associação física e funcional com a
barreira e barra de maré.
Os sedimentos de fundo são de natureza
essencialmente minerogénica, incorporando quantidades variáveis de
matéria orgânica e bioclastos.
A Laguna de Albufeira, tal como a conhecemos
hoje, representa uma das etapas evolutivas do troço costeiro em que se
integra, nos últimos milhares de anos, em resposta às variações
ambientais que se fizeram e continuam a fazer sentir.
Há cerca de 10 000 anos o nível médio do mar
localizava-se a cerca de 20 m abaixo do actual. Nessa altura a laguna
ainda não se teria formado e em seu lugar existia um vale profundo,
escavado no substrato que desembocava a mais de 1 Km de distância do
litoral actual.
No período de 10 000 a 6 000 BP o nivel do
mar elevou-se rapidamente até perto da cota actual, invadindo a
superfície previamente modelada pela rede hidrográfica,formando um
litoral de rias.
Cerca de 5 000 BP, ocorre uma desaceleração
brusca da taxa de elevação do nível do mar, que possibilita a
diferenciação e acumulação de uma restinga arenosa que definiu o
ambiente de laguna.
Desde 5 000 BP até ao presente, a descarga
sólida fluvial preencheu os vales que hoje se encontram afogados em
sedimento e com fundo plano. O corpo lagunar reduziu a sua extensão e
profundidade.
A evolução futura da Lagoa de Albufeira será
certamente dominada pelos processos de assoreamento que se traduzem pela
agradação vertical do fundo do corpo lagunar e pela redução da sua
superfície molhada. Os condicionantes desta evolução são de natureza
global (elevação do nível médio do mar associada ao efeito de estufa) e
de âmbito local, com relevância especial para os de origem antrópica.
Dos últimos, destacam-se a intervenção agrícola, a desflorestação, a
ocupação urbana da margem terrestre e a (re)abertura frequente da
barreira. Colectivamente, estas actividades potenciam a erosão dos solos
e a captura de areias do litoral exterior, aumentando a taxa de
sedimentação total.


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DE ALBUFEIRA NA WEB
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