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SESIMBRAA ocupação humana no território de Sesimbra é atestada por inúmeros vestígios desde a Pré-História, sendo as presenças romana e muçulmana as mais marcantes no período anterior à fundação da Nacionalidade. Em 1165, D. Afonso Henriques apoderou-se do castelo que estava na posse dos mouros. Perdeu-o depois, durante alguns anos, sendo retomado por D. Sancho I, em 1191. Em 1236 foi doada aos Cavaleiros da Ordem de Santiago, que protegeram a população e promoveram o desenvolvimento da actividade marítima. Sesimbra recebeu carta de foral em 1201, confirmada por outros monarcas; D. Dinis elevou-a vila, em 1323. Nos séculos XV e XVI, Sesimbra contribuiu para a empresa dos Descobrimentos de uma forma determinante, sendo o seu pescado muito afamado. O rei D. Manuel I concedeu novo foral em 1514 e tal como seu filho, D. João III, viveram na vila durante um certo período de tempo. D. João IV, os comendadores da Ordem de Santiago e a Casa de Aveiro fizeram na vila vários melhoramentos com destaque para os dois fortins que defendiam o porto marítimo.
Sesimbra e Cabo Espichel.Além do agradável enquadramento em que se insere esta vila, o forasteiro poderá admirar belos exemplares de arquitectura religiosa na vila e arredores. Igreja da Santa Casa da Misericórdia: de construção quinhentista, foi remodelada posteriormente. Belo conjunto de azulejos enxaquetados nas paredes. O altar-mor é de boa talha dourada joanina, que infelizmente não foi bem recuperada devido à utilização de purpurina no redouramento. É de salientar a figura que representa o Senhor das Chagas. Conta a lenda que esta imagem tardo-medieval apareceu no mar e foi recolhida por pescadores. Remonta à época de quinhentos, embora o resplendor que transporta seja barroco. A planta do templo é dos finais do século XVI, inícios do século XVII. Os altares laterais são de talha dourada: um é dedicado ao Cristo dos amarrados, em talha joanina, o outro, dedicado à Pietá, é de talha nacional, embora o enquadramento seja maneirista. Neste templo pode ver-se uma bela imagem de Nossa Senhora do Rosário, em mármore, num altar de pedra polícromo de 1696. Foi mandado construir por um capitão de mar e guerra, certamente para cumprimento de alguma promessa. Tanto o coro alto como a tribuna dos mesários são do século XIX. São de grande interesse as quatro boas telas barrocas do século XVIII que existem na capela-mor; o tecto, de madeira, apresenta pintura barroca perspectivada com o tema da visitação ao centro. Ao sair demore o seu olhar no portal principal, que é típico do estilo pós-terramoto; no entanto, se reparar bem, a porta lateral é do século XVI. Numa dependência anexa, organizada como um pequeno Museu, não deve deixar da admirar o painel "Nossa Senhora da Misericórdia", excepcional pintura renascentista atribuída a Gregório Lopes. Repare que há outra bela igreja nesta localidade, a Igreja de Santiago. Possui um belo altar-mor de talha nacional e altares colaterais de talha maneirista de transição para o estilo nacional. Nas paredes belos azulejos enxaquetados da 2.ª metade do século XVII ou princípios do século XVIII. Os dois altares laterais da ala esquerda têm pinturas e talha barroca. Os altares da ala direita possuem talha maneirista. A restante decoração distribui-se pelas colunas com frescos e pelo tecto de madeira. As naves central e laterais são da mesma altura. O coro alto, o púlpito e as teias são do século XVII. Esta igreja é claramente de traça quinhentista: a planta é basilical (com três naves, sem transepto). De estilo manuelino é, por exemplo, o arco triunfal, no entanto as colunas são já renascença. O portal é renascentista, mas a janela por cima da porta da fachada é do século XVIII, assim como a torre sineira. Uma janela lateral tem assinalada a data de 1534, que é seguramente a data da sua construção. Querendo, pode ainda visitar alguns lugares com interesse onde poderá encontrar pequenos exemplares da nossa arquitectura religiosa popular rural: sugerimos Alfarim e Santana, assim como a igreja localizada no castelo de Sesimbra. Estes percursos ajudá-lo-ão, também, a descobrir a vila numa perspectiva multifacetada.
O que sugerimos é uma visita à igreja. O altar-mor barroco é de estilo nacional e possui inseridas algumas pinturas da mesma época; a igreja é de finais do século XVII, princípios do XVIII. Os azulejos do altar-mor são azuis e brancos com símbolos da Litania da Virgem. O altar-mor possui uma tribuna que era destinada aos reis quando estes visitavam o templo. A traça desta igreja é atribuída a João Antunes. O tecto da nave é profusamente decorado com uma pintura perspectivada do século XVIII e, nas paredes, vêem-se muitas pinturas barrocas. A igreja tem quatro altares de cada lado, todos do século XVIII. Na sacristia, duas excelentes pinturas do século XVI, do Mestre da Lourinhã, representam S. Tiago e Santo António. Outras cinco, que acompanham este conjunto, são de época mais tardia. Um belo arcaz do século XVIII completa a colecção de objectos artísticos existentes na sacristia. A fachada é representativa do primeiro barroco: tem um portal encimado por uma vieira em pedra dos princípios do século XVIII. A primitiva capelinha que está na origem da
lenda de Nossa Senhora do Cabo Espichel, do século XV ou XVI, é uma mancha
branca perto do oceano, a uns metros do santuário. De pequenas proporções,
tem uma cúpula bulbosa muito singular. No interior, possui azulejos do
século XVIII que revestem parte das paredes.
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