Freguesia de Santiago
A freguesia de Santiago foi oficialmente criada a 8 de Abril de 1536,
reconhecendo o poder régio o crescimento de Sesimbra e sobretudo a
opção definitiva pelo mar. Até então o monte prevalecera sobre a
praia, a terra sobre o mar a agricultura superava a pesca.
No documento de criação da nova freguesia dizia-se que “D. Jorge,
filho de El-Rei D. João 2.º, mestre de Sant’Iago e de Aviz, Duque de
Coimbra, Juiz executor, lavrou sentença que na Igreja nova da Ribeira
(Sesimbra), se faça campanário e pia de baptismo e outras insígnias
que à igreja paroquial pertencem e se dividisse entre as duas igrejas
do Castelo e da Ribeira tôdas as rendas e proventos, ficando na igreja
do Castelo um beneficiado com os encargos de dizer missa e ministrar
todos os sacramentos aos moradores do Castelo e todo o têrmo, com o
mantimento anual de 11 000 réis e dois móios de trigo, côngrua
suficiente e honesta. Dom Marcos Vigério, Núncio do Santo Padre,
apresentou o breve. Sentença de Manuel Afonso, Prior-mor do Convento
de Sant’Iago e Juiz Apostólico, Sentença de 8 de Abril de 1536. Em 10
de Abril, junto à capela, tesoureiro, foi lida a sentença na presença
das testemunhas Francisco M. Gomes Freire, António Gonçalves Vicente
Preto, todos moradores no lugar da Ribeira (Sesimbra)”.
Desde a criação da nova freguesia a tendência é precisamente contrária
e as novas necessidades de uma população crescente que necessitava de
outros espaços e de uma actividade mais rentável.
Sesimbra desceu então do castelo até à beira-mar e construiu casas
permanentes, lançaram-se ao mar os homens. O peixe de Sesimbra ganhou
fama tal que Duarte Nunes de Leão afirmou que a sua sardinha e a de
Setúbal eram as mais saborosas de toda a Europa.
José Custódio Vieira da Silva descreveu poeticamente este processo de
transformação em Sesimbra “Há quatrocentos e cinquenta e seis anos
Sesimbra cumpria o seu destino: descia à Ribeira, acariciava entre as
mãos a areia suave da sua praia, olhava com firmeza o seu mar, fazia
um pacto com ele. Daí em diante, só nas ondas pensaria: delas
receberia o seu sustento, o seu peixe de prata, desde que nunca mais
pensasse na terra, nos campos que as muralhas do Castelo já não
deixavam ver...”
Em 8 de Abril de 1536 Dom Mendo Afonso, prior-mor do Convento da Ordem
Militar de Santiago de Palmela executou a Bula Apostólica de 1535,
extinguiu a Igreja de Santa Maria do Castelo do seu papel de igreja
matriz, dando essa função à nova igreja de Santiago “na povoação
Debaixo na Ribeira”.
A Igreja foi mandada em 1534 construir por D. Jaime de Lencastre, neto
de D. João II, bispo de Ceuta. O seu interior é de três naves de cinco
tramos com arcos de volta perfeita e colunas capiteladas. As colunas
do corpo do templo estão pintadas em estilo tardo-renascença.