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De
portas encerradas contra restrições à pesca
protestos Plano da Arrábida
leva Câmara a fechar serviços municipais e a apelar a empresas
locais para seguirem exemplo Pescadores vão bloquear porto entre as
6 e as 12 horas
"Isto é um escândalo. Só em Sesimbra é
que a pesca não vale nada, para não falar do turismo. Há poucos
dias, assistimos à implosão das torres em Tróia, onde se pode fazer
tudo dentro do estuário do Sado em nome do turismo, pois a verdade é
que o parque marinho só começa do lado de cá, do de Sesimbra, onde
tudo é proibido". Ao balcão da 'Navipesca', um estabelecimento de
artigos de pesca no centro da vila, Mário José não cala a sua
revolta e revelou ao JN que vai aderir à acção de protesto convocada
pela Câmara Municipal de Sesimbra contra o Plano de Ordenamento do
Parque Natural da Arrábida (POPNA), que integra o regulamento do
Parque Marinho Luís Saldanha, pelo que, amanhã, vai encerrar as
portas entre as 10 e 12 horas.
E vai fazê-lo à semelhança de muitos outros comerciantes da vila.
Caso de Isabel Leão, do talho com o mesmo nome, ou da Casa Adelino,
estabelecimento de confecções, cujos proprietários manifestaram ao
JN que vão fechar as portas. Isabel Leão adianta mesmo que «se o
comércio já teve uma quebra na vila, com estas restrições serão
menos as pessoas e vai ser tudo mais difícil».
No âmbito do protesto, a autarquia decidiu encerrar todos os
serviços públicos municipais, bem como apelar a todas as empresas,
serviços públicos e privados instalados na vila para que encerrem as
portas entre as 10 e as 12 horas. Pede ainda aos funcionários da
edilidade e à população em geral para que se concentrem naquele
período junto ao monumento ao Pescador, «manifestando dessa forma o
seu protesto pela aprovação do POPNA e exigindo a sua revogação
parcial ou a sua alteração».
Com esta decisão, a autarquia alia-se aos protestos dos pescadores,
que levam a União das Associações de Pesca do Porto de Sesimbra a
promover, também amanhã, um bloqueio do porto de pesca local. João
Lopes, dirigente da União, explicou ao JN que «este protesto implica
que amanhã não vão funcionar os serviços de lota e venda todo o dia
e que toda a restante actividade do porto vai estar bloqueada entre
as 6 e as 12 horas». Entretanto, os representantes dos pescadores
serão recebidos hoje, às 15.30 horas, pelo secretário de Estado do
Ambiente, a quem vão exigir a revisão do plano.
As críticas contra o POPNA e o regulamento do Parque Marinho Luiz
Saldanha têm estado centradas nos efeitos que a entrada em vigor
destes documentos vai ter na actividade piscatória. Mas são muitas
as áreas de actividade que se vão ressentir, como afirma João Lopes.
A situação «é mais gravosa, pois bate à porta de qualquer sector»,
diz. Em causa, estão actividades ligadas às oficinas onde são
arranjados barcos e motores, mas também se fará sentir ao nível do
pagamento dos seguros das embarcações. Isto porque muitos barcos de
pesca artesanal vão deixar de se fazer ao mar e os proprietários de
embarcações de recreio já manifestaram a sua intenção de abandonar a
doca de recreio.
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