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População unida em defesa do turismo e das pescas
protesto Porto foi encerrado
e comércio juntou-se a serviços camarários em duas horas de
paralisação Pescadores insinuam que plano da Arrábida esconde
interesses económicos
Paulo Morais
As portas dos serviços camarários
fecharam-se, as dos estabelecimentos comerciais também, o porto de
pesca foi bloqueado e mais de 1500 pessoas reuniram-se, ontem de
manhã, junto ao Monumento ao Pescador, na marginal de Sesimbra, em
luta contra o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida e o
Regulamento do Parque Marinho Luiz Saldanha.
O protesto teve início às 6 horas. Cerca de três dezenas de barcos,
hasteando bandeiras negras, bloquearam o acesso ao porto de pesca,
onde a lota esteve fechada todo o dia. Entre as 10 e as 12 horas, a
vila juntou-se aos pescadores e paralisou. Num ambiente calmo, a
população concentrou-se sem grandes palavras de ordem. A certa
altura um grupo típico animou o ambiente tocando o vira de Sesimbra,
com uma letra adaptada, pedindo para não lhes roubarem o mar.
Para João Lopes, esta adesão da sociedade civil à luta dos
pescadores vem dar mais força aos protestos, até porque, insinuou,
"parece que existem interesses económicos muitos fortes a apoiar
estas restrições à pesca".
Instado a explicar esta afirmação, adiantou que, "há cerca de dois
meses, o presidente da Assembleia da República disse que queriam
fazer da zona um jardim zoológico, embora não tenha afirmado quem.
Ora, só o Governo é que pode tomar decisões sobre esta área".
As baterias foram também apontadas a Tróia. "Com a destruição das
duas torres em Tróia e os investimentos para aí previstos, a
proibição de se ir para aquela zona específica do parque marinho é
estranha, pois mesmo a aposta no turismo da natureza só faz sentido
nesse local, já que a costa ao Sul de Tróia é toda areia e lodo". E
a verdade, rematou, "é que o turismo da natureza é permitido pelo
regulamento nas zonas de onde querem afastar a pesca".
Opinião similar tem o presidente do Clube Naval de Sesimbra, Lino
Correia, que afirma existirem alguns sinais nesse sentido "Muitos
dos que têm embarcações maiores em Sesimbra já manifestaram intenção
de abandonar a vila e de ir para Tróia".
O ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, desvalorizou os
protestos e considerou que as críticas se devem a falta de
informação. "Ou os pescadores estão mal informados ou alguém
estimula esta ideia de que a pesca em Sesimbra vai acabar", afirmou. |
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