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Protestos inúteis na mudança de propostas
Há mais de 30 anos que era esperada a
aprovação do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida, a
que se juntou o regulamento do Parque Marinho Luiz Saldanha,
entretanto criado. Sem este documento, toda uma série de atentados a
uma zona que deveria ser preservada foi sendo cometida, como as
numerosas construções ilegais.
Contudo, uma vez dado início ao processo, nas audições públicas
realizadas em Sesimbra, Palmela e Setúbal, logo se percebeu que os
autores da proposta de plano não navegavam nas mesmas águas que os
residentes e os que exercem actividade naquelas duas áreas
protegidas. Falta de diálogo e de fundamentação científica na
elaboração do plano foram as críticas mais ouvidas, com os diversos
sectores profissionais e a população a recusarem desde logo a
proposta em análise.
Já depois de, no passado mês de Janeiro, as três autarquias que
partilham o parque terem dado parecer negativo a uma nova proposta
do plano, o Governo veio a aprovar essa mesma versão, em Julho
passado, com alterações de pormenor, que os contestatários
consideram sem importância.
Nesta altura, os pescadores de Sesimbra já tinham bloqueado o porto
por duas vezes e promovido marchas lentas. De nada valeram os
protestos e, a 23 de Agosto, foi publicada, em Diário da República,
a versão final do plano que, além de manter todas as restrições
previstas no sector da pesca, deixou cair a proibição da
co-incineração na Arrábida, motivando todo um coro de novos
protestos, que poderão vir a incluir um boicote às eleições
presidenciais. |
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