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Evocar rota
histórica
No próximo domingo, a
barca ‘Nossa Senhora da Aparecida’ inicia uma viagem
rumo ao Brasil. Com quatro tripulantes, esta tradicional
embarcação de Sesimbra vai seguir a rota que Pedro
Álvares Cabral realizou há 505 anos.
A bordo, tudo é feito
para que a barca fique pronta para tão importante
viagem, preparativos estes que foram ontem
presenciados pelo CM.
Para esta missão, a embarcação foi totalmente
restaurada e adaptada a fim de responder às
exigências e necessidades dos tempos modernos, uma
tarefa que constituiu um desafio para o ateliê de
arquitectura de interiores ‘e_dinteriores’.
Optimizar um espaço exíguo, concedendo-lhe conforto
e funcionalidade mas mantendo as características
originais não foi tarefa fácil, como reconheceu ao
CM Joana Beirão, responsável pelo ateliê.
“A nossa preocupação maior foi criar um ambiente que
fosse minimamente confortável, mas seguindo a traça
original”, referiu a arquitecta, acrescentando:
“Tendo em conta a especificidade da embarcação, esta
preocupação reflectiu-se na escolha do material”.
Aproveitando os espaços existentes e as medidas
disponíveis da barca, o ateliê optou por uma
decoração moderna, integrada no estilo tradicional,
e concedeu funcionalidade à área de lazer, composta
por um quarto, casa de banho e cozinha.
A arrumação teve em atenção a segurança dos
objectos, a fim de evitar a queda destes com a
ondulação. Na cozinha, um micro-ondas ocupa um lugar
de destaque, enquanto que a casa de banho possui um
pequeno estendal amovível, prático para os dias de
chuva em alto mar.
A barca vai seguir a rota de Pedro Álvares Cabral,
mas isso não significa que a tripulação tenha de
abdicar da tecnologia moderna. Assim, a bordo e em
lugar próprio e acessível, seguem também
equipamentos informático, fotográfico e de
segurança.
“EMBAIXADA ITINERANTE”
A viagem da barca ‘Nossa Senhora da Aparecida’ visa
“homenagear os antigos navegadores e toda a gente do
mar e as artes a eles ligadas”, disse Ana Souza e
Holstein, mulher do proprietário e um dos membros da
tripulação, Alexandre Souza e Holstein.
Com paragens em Tenerife (Canárias), São Vicente
(Cabo Verde) e Porto Seguro (Brasil), a tripulação –
composta por homens com larga experiência marítima –
pretende igualmente “fazer uma ligação histórica,
cultural e religiosa” com os países de língua
portuguesa, funcionando como uma “embaixada
itinerante”.
Nota curiosa e mais um ponto de união entre Portugal
e o Brasil: a barca chama-se ‘Nossa Senhora da
Aparecida’ em honra da Virgem e da devoção mariana a
Nossa Senhora da Conceição. A mesma padroeira dos
dois países: a de Vila Viçosa, em Portugal, e a da
Aparecida, no Brasil.
HISTÓRIA DE UMA BARCA COM TRADIÇÃO
A barca ‘Nossa Senhora da Aparecida’ zarpa da marina
de Sesimbra no domingo, quando for meio-dia.
A bordo seguem quatro homens: Alexandre Souza
e Holstein, patrão da costa e piloto aeronáutico (40
anos); Ricardo Ribeiro Couto, patrão de vela e motor
e apanhador de mariscos (39); João Bustorff Burnay,
patrão de alto mar e a trabalhar na produção de
filmes (46); e Nuno Pinheiro de Melo, operador de
câmara (38). Adquirida há três anos por Souza e
Holstein num estado deteriorado, a embarcação foi
construída em 1961 no antigo estaleiro de Sesimbra
de Joaquim Silvestre Farinha. Durante os dois
últimos anos, a barca foi alvo de restauro, missão
dirigida pelo mestre Acácio Vidal Farinha.
Arquétipo das antigas caravelas de pesca dos séculos
XIII e XIV, esta embarcação era mais conhecida pelos
nomes ‘barca de Sesimbra’ ou ‘barca do alto (mar)’.
Mais pequena do que uma caravela de pesca,
desconhece-se se, no passado, chegou a ir ao Brasil.
A presente viagem, que se prevê termine a 4 de
Fevereiro em Porto Seguro, poderá ser acompanhada
através do ‘site’ www.portugalrumoaobrasil.com.
TUDO PENSADO AO PORMENOR
TECNOLOGIA
Apesar de a viagem seguir a rota original de Pedro
Álvares Cabral, a tripulação conta com equipamento
sofisticado. No entanto, durante a travessia do
Atlântico, apenas serão utilizadas as velas da
embarcação.
CONFORTO
Respeitando o estilo tradicional, o conforto e a
funcionalidade integram-se e respondem às
necessidades e exigências actuais da tripulação para
os mais de dois meses de viagem. O espaço é exíguo
mas não falta nada. |
Inês Sampaio
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