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Equipas itinerantes ouvem população sobre novo
hospital
Ana Rute Silva
Nas ruas confusas de
Fernão Ferro, o altifalante instalado numa carrinha
da Câmara Municipal do Seixal debita frases de apelo
à construção de um novo hospital no concelho.
Pede-se a participação na discussão pública do
estudo feito pela Escola de Gestão do Porto, que
defende a ampliação do Hospital Garcia de Orta, em
Almada, em detrimento da construção de uma nova
unidade. Assim que a viatura estaciona no pátio da
Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos de
Fernão Ferro (ARPIFF), José Gomes Nogueira deixa a
conversa na mesa do café.
"Tenho netos e família que vão precisar de um
hospital aqui no concelho", afirma decidido,
enquanto entrega o Bilhete de Identidade a um
funcionário da câmara. Os técnicos de informática
criaram um formulário na página da autarquia onde é
possível enviar as opiniões dos munícipes para um
único endereço. Os e-mails seguem, depois, para a
caixa de correio criada pelo Ministério da Saúde, a
única forma de participação no debate sobre as
prioridades de investimento em novos hospitais."As
consultas chegam a demorar três anos para marcar",
denuncia Maria Cândida Monteiro. Com 72 anos, Manuel
Costa acredita que já não vai poder ver a construção
de uma nova unidade no Seixal, mas defende melhores
condições de atendimento. Também Adelina Faustino
participa na discussão e pede aos técnicos
municipais que escrevam por ela. "Acho muito bem que
façam um hospital aqui porque já há cá muita gente.
Estive um dia inteiro no Garcia de Orta com a minha
filha à espera de uns exames", conta.
Vasco Raminho, funcionário da Autarquia, explica
que, além do registo electrónico das opiniões, são
distribuídos formulários para facilitar o processo.
"Não conseguimos dar vazão só com um computador",
justifica, por seu lado, Soraia Issufo, sublinhando
que "a adesão tem sido grande".
Anteontem à noite, no fórum "Juntos pelo hospital no
concelho do Seixal", a plataforma que junta mais de
150 instituições aprovou uma declaração pública onde
acusa o relatório da Escola de Gestão do Porto de
ser "tecnicamente inconsistente". "O número de camas
indispensáveis para satisfazer as necessidades
hospitalares na margem Sul está subavaliada",
sublinha o documento. A plataforma defende a
realização de obras de beneficiação no Garcia de
Orta, planeadas desde 1998, e a construção de um
novo hospital para responder ao elevado crescimento
demográfico dos concelhos de Sesimbra e Seixal.
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