|
Pode um megaempreendimento
turístico ser benéfico para o ambiente? A
experiência nacional aconselha a duvidar da
possibilidade. Mas os promotores do Projecto da Mata
de Sesimbra, que contam investir mil milhões de
euros numa área de 5300 hectares, estão determinados
a provar isso mesmo Desenvolvida
pelos portugueses da Pelicano e apoiada pelo
programa One Planet Living, do conceituado World
Wildlife Fund (WWF), esta iniciativa, ainda em
discussão pública, pretende ser um exemplo para todo
o mundo: o "primeiro projecto turístico sustentável"
do planeta. Para já, conseguiu despertar a
curiosidade de vários países, do Canadá à China.
O compromisso é conciliar um empreendimento que
inclui seis mil residências, quatro hotéis e
infra-estruturas como um campo de golfe, com a
criação e manutenção de uma reserva natural de 4600
hectares. Tudo isto, respeitando um conjunto de
normas muito além do habitual. A meta, segundo disse
ao DN Jean-Paul Jeanrenaud, responsável do WWF para
o One Planet Living, é "provar que há modelos
alternativos de desenvolvimento que são bons para o
ambiente, para as pessoas e para os negócios".
A aposta do WWF num país do Sul da Europa não foi
acidental: "As estimativas são que, no prazo de 15 a
20 anos, assistiremos a uma subida de cerca de 222
milhões para 350 milhões de turistas na região do
Mediterrâneo", explicou. "E isso implica enormes
pressões numa área já de si sujeita a muita
pressão."
Já a escolha do projecto português deveu-se a vários
factores, desde o facto de propor "algo que nunca
foi tentado a esta escala", a incidir "numa área
degradada, que pode ser recuperada, para além de se
tornar num local turístico". Mas o aspecto decisivo,
segundo este especialista em florestas do WWF, foi o
"entusiamo" dos promotores: "É muito invulgar
encontrar investidores que estejam dispostos a fazer
o que está certo do ponto de vista ambiental." Para
justificar a confiança, a Pelicano terá que fazer
mais do que recuperar o ecossistema de pinheiros e
carvalhos da Mata de Sesimbra. Todos os aspectos do
empreendimento serão sujeitos à lógica da
sustentabilidade. Desde os materiais e alimentos
utilizados, que terão que ser todos obtidos na
região, à própria água, parcialmente obtida por
meios próprios de captação, e usada em quantidades
muito inferiores às usuais.
"Esperamos que, se as coisas correrem bem, o
projecto seja aprovado este ano e os nossos
parceiros comecem o desenvolvimento no início de
2007", disse ao DN Eduardo Gonçalves, responsável
português do One Planet Living.
A implementação total, que levará vários anos, terá
12 fases distintas, cada uma "monitorizada
cautelosamente" por especialistas do WWF, "de forma
a que, mesmo durante a fase de construção, o
empreendimento cumpra os critérios de
sustentabilidade ambiental". |