|
Setúbal foi fundada pelos fenicios, cerca de 1000 a.C. Foi dedicada ao
deus Baal, a mais importante divindade deste povo. Assim como as
vizinhas e também fenícias Lisboa e Alcácer do Sal, fornecia sal, peixe
salgado, cavalos para exportação e alimentos para os barcos que
comerciavam estanho com a Cornualha. A povoação recebeu foral em 1249.
Em 1525 recebe o título de Notável Vila e, em 1860, é elevada a cidade.
O distrito foi criado em 1926.
O concelho de Setúbal, a cerca de 40
quilómetros de Lisboa, concilia, no conjunto das oito freguesias,
características urbano-rurais.
O concelho é
montanhoso nas freguesias situadas a oeste - S. Lourenço, S. Simão e
Anunciada - em cujas áreas se situam parte das serras da Arrábida, de S.
Luís e de S. Francisco.
A população concentra-se
fundamentalmente na cidade, apresentando as freguesias de S. Lourenço,
S. Simão, Sado e Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra densidades
populacionais significativamente baixas.
Nº de
habitantes: 113.934 (Censos 2001)
Nº de
eleitores: 92.820
Área
territorial: 170 km2
|
|
Os registos de ocupação humana no
território do concelho remontam à pré-história, tendo sido recolhidos,
em vários locais, numerosos vestígios desde o Neolítico.
Com a presença romana, nos séculos I
a IV da nossa era, nasceu Cetóbriga, um importante núcleo urbano e
industrial, principalmente ligado à salga de peixe, que se estendeu
pelas duas margens do rio Sado, integrando Tróia.
Durante as invasões bárbaras e a
ocupação árabe, a zona habitada foi sendo progressivamente abandonada
devido ao avanço das areias.
Atalaias como Palmela, portos mais
abrigados como Alcácer do Sal, e vales férteis, como Azeitão, foram os
locais escolhidos pelos invasores muçulmanos para se fixarem.
Após a conquista de Palmela aos
mouros e do estabelecimento da Ordem de Santiago da Espada, Setúbal foi
repovoada, primeiro na colina de Santa Maria e, progressivamente, na
zona baixa que se estende até ao actual bairro de Troino. Recebeu, em
1249, de D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem, a primeira carta foral.
Setúbal, com uma extensão territorial
relativamente diminuta, teve de afirmar-se, lutando com os concelhos
vizinhos - Palmela, Santiago do Cacém e Alcácer -, já então
constituídos.
Com as dificuldades apresentadas
pelos habitantes, no que diz respeito à entrada e venda de produtos
trazidos de Sesimbra, Palmela e Alcácer, o mestre de Santiago, D. Garcia
Peres, em 1343, deu execução a uma carta de D. Afonso IV, que delimitava
o termo de Setúbal, tendo sido construída uma cortina de muralhas.
Ao longo do século XV, a vila
desenvolveu actividades económicas, ligadas sobretudo, à indústria e ao
comércio, tirando rendimentos elevados com os direitos cobrados pela
entrada no porto.
Os primeiros conventos franciscanos,
um deles o Convento de Jesus, foram construídos em Setúbal durante esse
século.
A época dos Descobrimentos trouxe um
grande desenvolvimento, tendo D. Afonso V, em 1458, partido do porto de
Setúbal à conquista de Alcácer Ceguer.
A construção de um aqueduto, em 1487,
que conduzia a água à vila, iniciada por D. João II, terminou no reinado
no reinado de D. Manuel. Este monarca reformou o foral da vila, em 1514,
devido ao progresso e aumento demográfico que Setúbal tinha registado ao
longo do último século.
O título de “notável villa” é
concedido, em 1525, por D. João III. Foi este título que proporcionou a
criação, em 1553, por carta do arcebispo de Lisboa, D. Fernando, de duas
novas freguesias, a de S. Sebastião e a da Anunciada, que se juntaram às
já existentes S. Julião e Santa Maria.
A cerca de um quilómetro de Setúbal,
o Rei D. Filipe II mandou edificar uma fortaleza –de S. Filipe -, cujos
trabalhos foram iniciados em 1582.
No início do século XVIII, a
população setubalense solicitou que S. Francisco Xavier fosse eleito
padroeiro da cidade.
O terramoto de 1755 destruiu e
danificou muitos edifícios, tendo as freguesias localizadas na zona mais
baixa de Setúbal sido as mais afectadas.
Ao longo do século XIX, o
desenvolvimento económico e social transformou a vila num dos mais
importantes centros comerciais e industriais do País. A elevação a
cidade deu-se em 1860, por carta régia, após solicitação da Câmara, dois
anos antes, ao Rei D. Pedro V.
Nessa altura, foi inaugurada a via
férrea Barreiro-Setúbal e, em 1863, a iluminação a gás. As obras de
aterro sobre o rio iniciaram-se, fazendo nascer a Avenida Luísa Todi.
Setúbal foi elevada, em 1926, a sede
de distrito e, em 1975, a cabeça de diocese.
Fontes:
-
“Setúbal”, José Custódio Vieira da
Silva, 1990;
- Região de Turismo da Costa Azul
|