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QUATRO SÉCULOS DE HISTÓRIA
O Convento da Arrábida, construído no século XVI, abrange ao longo dos
seus 25 hectares, o Convento Velho, situado na parte mais elevada da
serra, o Convento Novo, localizado a meia encosta, o Jardim e o
Santuário do Bom Jesus e ainda, adjacentes ao convento, mas autónomos,
os aposentos do duque de Aveiro e as casas onde eram alojados os
peregrinos. No alto da serra, as quatro capelas, o conjunto de guaritas
de veneração dos mistérios da Paixão de Cristo e algumas celas escavadas
nas rochas formam aquilo a que convencionou chamar-se o Convento Velho.
O Convento Novo, o edifício principal a meio da encosta, dispõe de 27
celas, igreja, seis capelas, livraria, refeitório, cozinha, torre de
relógio, casa de lavagem e vários fontanários. A água das fontes
continua a ser captada em minas, segundo o sistema hidráulico implantado
pelos franciscanos.
O Convento foi fundado em 1542 por Frei Martinho de Santa Maria,
franciscano castelhano a quem D. João de Lencastre (1501-1571), primeiro
duque de Aveiro, cedeu as terras. Anterior à construção, existia onde é
hoje o Convento Velho, a Ermida da Memória, local de grandes romarias,
junto da qual, durante dois anos, viveram, em celas escavadas nas
rochas, os primeiros quatro religiosos arrábidos: Frei Martinho de Santa
Maria, Frei Diogo de Lisboa, Frei Francisco Pedraita e São Pedro de
Âlcantara. De arquitectura austera, o convento é praticamente desprovido
de ornamentos. No seu interior, destacam-se apenas, de onde em onde,
esculturas de santos e Cristos, de terracota e de madeira, colocadas em
nichos, os azulejos que ornam as capelas, e ainda os embrechados
compostos de pedrinhas misturadas com conchas e cacos de faiança e
usados na decoração de fontes, paredes, muros e capelas. Assinalem-se
ainda peças escultóricas de cerâmica e de madeira, cantarias e lajedos,
tectos pintados e uma talha dourada. D. Jorge de Lencastre, filho do 1º
duque de Aveiro, continuou as obras mandando construir uma cerca para
vedar a área do convento. Mais tarde, seu primo D. Álvaro, mandou
edificar a hospedaria que lhe servia de alojamento e projectou as
guaritas, na crista do monte, que ligam o convento ao sopé da montanha,
deixando, no entanto, três por acabar. Por sua vez, D. Ana Manique de
Lara, viúva do duque de Torres Novas e nora de D. Álvaro, mandou
construir duas capelas, enquanto o filho de D. Álvaro, D. António de
Lencastre, mandou edificar, em 1650, o Santuário do Bom Jesus. Com a
extinção das ordens religiosas em 1834, o convento, as celas e as
capelas dispersas pela serrania sofreram várias pilhagens e enormes
estragos causados pelo abandono. Em 1863, a Casa de Palmela adquiriu o
convento mas as obras só começaram no século seguinte, nas décadas de 40
e 50. Quarenta anos depois, em 1990, o seu então proprietário optou por
vender o convento e a área envolvente, num total de 25 hectares, à
Fundação Oriente, a única instituição, que, em seu entender, dava
garantias de manter os mesmos valores com que, no século XVI, os seus
antepassados o entregaram aos arrábidos. O convento está integrado na
Rede de Centros Culturais Europeus implantados em locais históricos.
http://www.foriente.pt/Pt/act_arrabida.asp
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