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História
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'Dragões' de Angola 1966-1974

'Dragões' de Angola

INTRODUÇÃO


54G007 - 'Cavaleiros do Capim' CCAV2563 - Angola 1970
O emprego de unidades de Cavalaria a Cavalo no Teatro de Operações de Angola, nasceu da necessidade de, num terreno como o Leste de Angola, e na presença de um inimigo essencialmente nómada, existir uma tropa de reconhecimento altamente móvel e silenciosa, com capacidade de percorrer longas distâncias durante vários dias sem necessidade de reabastecimento, mantendo-se em condições físicas para, a qualquer momento, executar acções de combate. Os Dragões, tal como os seus antecessores na história, caracterizavam-se pela capacidade de combater tanto a pé como a cavalo.

O cavalo foi encarado no seu emprego como um meio de transporte para chegar a um determinado ponto. Dada a sua extraordinária capacidade todo-o-terreno permitia chegar a locais que de outra forma eram inacessíveis mantendo duas características muito importantes no tipo de guerra de contra-subversão que Portugal travava: a surpresa e o estado de "frescura física" dos militares (quando comparado com a mesma aproximação mas apeada).

Foi este o grande sentimento nos militares da Companhia de Cavalaria 2563, que depois de um ano de operações "a pé" foi devidamente instruída e equipada tornando-se no 1º Esquadrão a Cavalo. Antes, no início de 1967, um pelotão experimental fora constituído por pessoal voluntário já a prestar serviço em Angola e por uma remonta de cerca de trinta cavalos vindos da África do Sul.

UNIFORME, ARMAMENTO E EQUIPAMENTO

O Uniforme usado pelos militares era o Uniforme de Campanha m/964, com camisa ou dolman, o calçado mais usado eram as botas pretas modelo/967 usadas com polainas. Quanto à cobertura de cabeça, houveram várias propostas no sentido do quico ser substituído por um chapéu de abas largas para proteger melhor, uma vez que a cavalo, o militar ficava acima do capim e por isso não desfrutava da sombra que este proporcionava.

O Armamento consistia na Espingarda Automática G-3 7,62mm para Oficiais, Sargentos e Praças. Mais tarde foi usada a espingarda automática G-3 com coronha retráctil igual à usada pelas tropas paraquedistas. O transporte da G-3 fazia-se consoante era improvável, provável ou iminente o contacto com o Inimigo. Quando o contacto era improvável, a G-3 era transportada no respectivo suporte que podia ser colocado à frente ou à retaguarda da sela. (O transporte da espingarda automática G-3 a cavalo foi sempre um assunto que mereceu muita atenção mas que esteve longe de ser completamente resolvido). Quando o contacto com o inimigo era provável ou iminente a G-3 era empunhada com a bandoleira cruzada no tronco. Mais tarde adoptar-se-ia o emprego da pistola walther que seria empunhada municiada permitindo uma resposta quase instantânea a qualquer ameaça. Segundo vários veteranos a G-3 nunca era "sacada" enquanto a cavalo, sendo a pistola a arma por excelência para as acções a cavalo. A G-3 era essencialmente empregue nas operações apeadas. Não era vulgar as unidades a cavalo usarem armamento pesado tais como metralhadoras ligeiras ou morteiros, no entanto nalgumas operações de maior risco, foi levado o Morteirete.


Espingarda Automática G3

Pistola Walther P38

O Equipamento para o cavalo consistia no "Arreio para cavalo Oficial e Praça m/938" constituído pelas seguintes peças de equipamento:

Arreio de cabeça:
-Barbela m/77 x 1
-Cabeçada m/41 x 1
-Freio-bridão m/935 x 1
-Rédea m/903 x 2


Arreio de montada:
-Cilha M/42 x 1
-Cilha mestra m/42 x 1
-Estribos M/917 x 2
-Loros m/935 x 2
-Peitoral m/935 x 1
-Selim m/42 x 1


Outros Artigos:
Relativo à alimentação:
-saco de boca e para ração m/935 x 1
-saco de boca m/914 x 1
Relativo à limpeza:
-luva x 1
-brussa x 1
-almofaça x 1
Relativo à conservação:
-cobrejão m/935 x 1

Equipamento para o militar:
-Cinturão x 1
-Suspensórios x 1
-Porta-carregadores x 2
-bornal x 1
-Cantil x 1
-Marmita x 1
-Porta-granadas x 1
-Poncho x 1

Como é visível nas fotografias e que aliás é característico das forças em campanha, existia bastante flexibilidade para a forma como cada militar aparelhava o seu cavalo e qual o equipamento individual, para além do obrigatório, trazia consigo. No entanto, existiam pequenas regras (comuns a quase todas as tropas montadas ao longo da história):era feito um "malote" para cavaleiro e um outro para o cavalo.

"Malote" do cavalo
-cobertor
-coberjão
"Malote" do cavaleiro
-pano de tenda
-cobertor
-tenda 3P
-muda de roupa interior (eventual)

A acrescentar a estes malotes havia o transporte da ração do homem e do cavalo para um período de cerca de cinco dias. No inicio da operação, o cavalo transportava consigo cerca de 18Kg ou 22,5Kg de ração granulada, já dividida em pequenos sacos de plástico, para cada refeição, preservando-a da humidade. Para o homem era distribuído uma ração de combate por dia. Por vezes transportava-se um suplemento da ração (para os homens e cavalos) em cavalo de baste, que também podiam ser usados como cavalos de reserva, para substituição de algum doente ou sofrendo de graves assentaduras.

fotografia de perfil do cavalo de um Oficial dos dragões. Como curiosidade é o facto de o selim estar revestido por uma pele de cordeiro o que o torna muito mais cómodo (prática muito usada desde sempre nas unidades montadas). Podemos observar que a cabeçada não é a cabeçada militar modelo m/41. Nesta foi improvisada uma corda para forragear. Como restante equipamento podemos observar o saco de boca e para ração m/935 pendurada na parte posterior do selim. Na parte anterior está um pano de tenda enrolado com o cobrrejão ou um cobertor constituindo o "malote" do cavaleiro.

Nesta fotografia podemos constatar a razão pela qual os Dragões equipavam com os porta-carregadores de lado e não atrás como mandava a técnica individual de combate. Quando montado e com o cavalo em ordem de batalha os carregadores bateriam no malote de trás tornando-se muito incómodo ao longo de várias horas de marcha. Identificáveis são os dois malotes o da frente com pano de tenda e acessórios para o homem e o de trás com cobrejão e manta para o cavalo, ambos presos com correias que têm o nome de "garupas". De notar que foi preso à parte da frente do arreio o bornal de lona do equipamento individual do homem e na parte detrás é visível o que parece ser o saco de boca m/914. O militar enverga botas com polainas. No arreio de cabeça é visível o freio-bridão m/935 com duas rédeas e a corda de forragear. A G-3 é transportada à retaguarda do lado direito.

Nesta fotografia pode-se observar uma outra forma de aparelhar o cavalo socorrendo-se do equipamento individual do cavaleiro. De notar os dois modelos de quico utilizado pelos militares. O do militar da frente é o do uniforme de campanha Nº2-C e o da retaguarda é o do uniforme Nº2-G com o cobre-nuca todo descaído.

Quando o contacto era provável ou iminente, como é o caso desta fotografia em que os Dragões já estão no interior de uma base logística inimiga, a arma era colocada a tiracolo permitindo fazer fogo com uma mão enquanto a outra comandava o cavalo.

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