Castelos de Portugal

       

Busca Mundial

Busca  Portugalwebt

 

EUROPA    AFRICA   AMÉRICA    ÁSIA   OCEANIA                     

EUROPA

PORTUGAL

AFRICA

NORTE DE AFRICA

AFRICA OCIDENTAL

ÁFRICA ORIENTAL E G. PÉRSICO

AMÉRICA

fortificações brasileiras

A Região da Cisplatina

ÁSIA

ORIENTE

EXTREMO ORIENTE

OCEANIA

AUSTRALIA

BATALHAS


World Heritage of Portuguese Origin

CRONOLOGIA

 

 

 

Do desastre de Mamora ao fim da política imperial


No mesmo ano em que partiu para Azamor a esquadra de 500 velas, cujo sucesso foi descrito no número anterior, mandou o rei D. Manuel uma enorme embaixada ao papa Leão X, com o aparente objectivo primário de reiterar formalmente a homenagem e a obediência devida ao sucessor de S. Pedro. Mostrava-se assim como um paladino da fé cristã, mostrando-se à Europa como o soberano que melhor servia os desígnios de Deus, levando a mensagem de Cristo a toda a parte. Um faustoso cortejo desfilou pelas ruas de Roma ao som de trombetas e tambores surpreendendo, sobretudo, pela exótica encenação a que não faltou um magnífico cavalo persa, duas onças de caça e de um elefante que fazia diversas habilidades. Mas, para Leão X, o mais importante da embaixada esteve, com certeza, nas riquezas oferecidas, que somavam um valor entre 300 000 a 500 000 cruzados. Tristão da Cunha – que dirigia a embaixada – teve a sua primeira audiência com o papa a 20 de Março de 1514, mas seguiram-se outros encontros que concretizaram quase todos os objectivos de D. Manuel.

Recorde-se que Leão X foi o papa que recebeu as críticas de Lutero por causa do fausto com que continuou as obras da basílica de S. Pedro, renovando o processo de venda de indulgências nos termos em que fora lançado pelo seu antecessor Júlio II. A gravidade da situação e o luxo sustentado pela corte pontifícia foram uma das causas determinantes da grave secessão da igreja cristã, podendo adivinhar-se a importância que teriam as dádivas de D. Manuel. Naturalmente que o rei sabia disso e tinha – como já vimos – objectivos claros para uma acção no Oriente e no Norte de África, para os quais queria o benefício da pregação da cruzada, com todas as vantagens económicas directas que daí lhe advinham, e com as motivações espirituais que facilitavam os recrutamentos e a organização das expedições. Digamos que há um contexto europeu em que estas coisas se inserem e que é preciso ver com atenção, para que as acções dos portugueses não sejam consideradas avulsas e descoordenadas.


Foi dentro deste ambiente que se partira para a conquista de Azamor, de onde o duque de Bragança, D. Jaime, parece ter regressado desmoralizado com o futuro do projecto imperial manuelino, mas sem que os seus receios tivessem grande eco na corte. Logo após a histórica embaixada, organiza-se nova expedição de monta, aparentemente preparada com grandes precauções de natureza militar e apoiada por uma especial bula de Leão X, que foi levada em procissão até à Sé, e solenemente pregada à multidão pelo bispo D. Diogo Ortiz. O objectivo era a foz do rio Cebu, onde já havia um pequeno povoado de nome Mamora. Aliás, as conquistas portuguesas procuravam sempre estas entradas de rios que, normalmente, tinham capacidade de fornecimento de água e lenha, eram acessíveis pelo mar e, ao mesmo tempo conferiam uma melhor protecção contra as agruras do mau tempo e dos piratas.


A Cisterna Portuguesa de Mazagão construída por Lourenço Franco, é ainda hoje uma das mais belas obras arquitectónicas deixadas pelos portugueses do Norte de África.


O problema que sempre se colocava era a capacidade de cultivar os campos circundantes, tarefa que era entregue às populações locais, que ficavam sob protecção. Mas essa solução exigia uma habilidade política que raramente foi tida em conta.

Em 1514, um documento assinado pela mão do secretário de D. Manuel ordena que Estêvão Rodrigues Bério e João Rodrigues procedessem, discretamente, ao reconhecimento da barra do Cebu, tomando medidas do fundo, da amplitude da maré, da quantidade de navios que ali poderiam entrar, das características da terra em ambas as margens, da existência de madeira, de pedra para construção, das condições de uma pequena ilha ali existente (se a artilharia ali colocada atingiria uma e outra margem), etc.. Tratou-se de um verdadeiro levantamento hidrográfico, com um estudo do terreno circundante que, todavia, não viria a ter grandes resultados na execução da própria expedição. A armada partiria a 13 de Junho de 1515, com cerca de 200 velas e 8000 homens, sob o comando de D. António de Noronha. Passou pelo Algarve e chegou ao local no dia 23 (era dia de S. João e, por isso, o local se chamou de S. João de Mamora), desembarcando sem dificuldade e começando a montar uma fortaleza de madeira, que serviria de protecção às obras de uma outra construção em pedra, mais sólida e definitiva. Mas, curiosamente, o local da fortaleza parece mal escolhido. Estava à beira do rio, abaixo de um pequeno outeiro sobranceiro que se tornaria um verdadeiro quebra cabeças para os portugueses. Não conheço nenhum estudo suficientemente pormenorizado sobre a situação militar de toda a zona, mas arrisco supor que a escolha do local da fortaleza seria adequado à protecção de uma armada, mas não tivera em conta a possibilidade de um ataque vindo do interior. A menos que – como aconteceu noutras circunstâncias – mais tarde viessem a ser construídos outros baluartes, em posições adequadas. A verdade é que os mouros tiveram tempo para tudo, e as gentes que para ali foram enviadas com a missão de combater não levavam muito mais que a fé nos benefícios da cruzada: não estavam preparados técnica e psicologicamente para uma natural oposição, e, quando foi dada ordem para retirar (10 de Agosto), precipitaram-se numa debandada sem nexo que levou à perda de mais de metade do pessoal, de grande quantidade de artilharia e de cerca de cem navios, afundados, ou encalhados na barra. As circunstâncias políticas da resistência aos portugueses no Norte de África agravou-se com este desastre e, a partir daí, o caminho foi francamente o da decadência, até ao abandono da maioria das praças, no reinado de D. João III. Em 1550, Portugal apenas detinha Ceuta e Tânger, sobre o Estreito de Gibraltar, e Mazagão na região sul, que acabaria por ser reforçada, e constituir um baluarte encravado numa zona absolutamente hostil, mas com vantagens comerciais significativas.

J. Semedo de Matos

CFR FZ
http://www.marinha.pt/Marinha/PT/Menu/Imprensa/Revista/
   
 

Guarda Almada    Castelos    Seixal    Sesimbra  Palmela  Arqueologia   Historia Portugal no mundo

intercâmbio  Adicionar Página  Contactos    Publicidade

Copyright © Ptwebs.