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Histórias e crendices
Tragédias na Barra Sul deram origem ao nome da praia
e a sua ocupação, ainda no Século 18

Fábio Bianchini


No extremo Sul da Ilha de Santa Catarina fica um lugar cheio de lendas, histórias, mas principalmente, de uma bela e indomável natureza. O canal da Barra Sul, ponto em que a Ilha está muito próxima ao continente, abriga em uma de suas margens a Praia de Naufragados. A origem do nome causa controvérsias, mas a versão mais aceita, de longe, conta que um grupo de 250 imigrantes açorianos foi embarcado em 1753, com destino ao Rio Grande do Sul, mas as naus foram a pique próximas da ponta de Naufragados, no Canal da Barra Sul. Dos 77 sobreviventes, alguns seguiram viagem até o fim, outros ficaram por ali para povoar a praia.

Mas não foram os primeiros a afundar por ali. Conta-se que o navio São Miguel, comandado por Don Rodrigo de Acuña, saiu de La Coruña, na Espanha, no dia 25 de julho de 1525, com destino ao Rio da Prata, mas não passou do canal da Barra Sul. Como resultado, antes de chamar-se Naufragados, a praia era conhecida como Ponta de Don Rodrigo. Dez anos antes, quem encalhou no mesmo lugar foi a nau comandada por Juan Dias Solis, o descobridor do rio, que passou a referir-se ao extremo Sul da Ilha como Baía dos Perdidos. Um dos 11 sobreviventes foi Pedro Aleixo Garcia, primeiro europeu a desbravar o caminho do Peabiru, que levava até o Império Inca.

De qualquer forma, todos esses acidentes podem ter sido fundamentais para a decisão de instalar no costão direito da praia um farol, que acabou sendo inaugurado no dia 14 de maio de 1883. Ainda restam ruinas da torre branca e circular, de alvenaria, construída num maciço de 30 metros, o que elevava o conjunto a 42,6 metros acima do mar. Pouco depois, o farol recebeu o apoio de uma bateria de três canhões, que continuam lá, mas só foram utilizados para treinos e testes, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, quando voltou-se a temer que a Ilha pudesse ser invadida. Além de jangadas de folhas de bananeira, atiradas no mar para esse fim, foi utilizada como alvo, num rasgo de genialidade, a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba, erguida em 1740 pelo Brigadeiro José da Silva Paes, hoje quase destruída.

O que restou da fortaleza está na Ilha de Araçatuba, localizada bem diante da ponta. Ali também desenrolou-se outro episódio importante. Em 1839, os soldados amotinaram-se e juntaram-se a rebeldes farroupilhas. Capturaram o comandante da fortificação, Alferes Pedro Fernandes e levaram-no para Laguna, onde foi executado. Dias depois, foram todos aprisionados na Praia da Pinheira, em Palhoça, logo à frente de Naufragados.

Fonte: Jornal Diário Catarinense, em 26/02/2002

 

 
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