Busca Mundial

Busca  Portugalweb.net

ALFABETOS DE ONTEM E DE HOJE

MAPA DE PORTUGAL

MONARQUIA

   DINASTIAS

REPÚBLICA

  PRESIDENCIAS

     MINISTROS

HISTÓRIAS

       Batalhas

       Batalhas Navais

 

História da Bandeira de Portugal

Bandeiras Portuguesas

Epigrafia

Página Medieval
Os Descobrimentos
Batalhas de Portugal

Apontamentos

Heróis de Portugal

Caminhos de S.Tiago

Ordens Religiosas

Portugal/Espanha

Parentesco

Século XII

Sociedade Histórica da Independência de Portugal

Colónia Penal do Tarrafal

História do Exército

    Guarda : Sé

Cabinda was a Portuguese Protectorate

 

 

OLIVENÇA INTERNATIONAL DISPUTE

Portuguese capture of Goa

Colégio Militar
menu

Bibliotecas

Voltar à Pagina Inicial

 

 

As Ordens Religioso-Militares

Gabinete de História

 

 

Um reflexo da Idade Média: as Ordens Religioso-Militares.

Dois exemplos: Templários e Hospitalários.

A realidade Ibérica: as Ordens Militares em Portugal.

 

 

“A Idade Média foi caracterizada por dois instrumentos: a espada do guerreiro e o “cajado” do pastor (ou seja o papel que o clero teve como guia das populações segundo a própria doutrina de Cristo).

 

 

 

Com as Ordens Religioso-Militares estes dois instrumentos cruzaram-se como nunca antes”. (João Simões)

 

 

 

 

Índice

 

 Introdução: A cavalaria. 2

 Capítulo I: O contexto de aparecimentos das ordens militares (seus aspectos) 3

 Capítulo II: O percurso internacional das ordens militares. 4

 Capítulo III: As ordens militares na Península Ibérica, o seu aparecimento (contexto político e militar) 5

 Capítulo IV: As ordens militares em Portugal 6

 Capítulo V: O papel das ordens militares na arquitectura militar 9

 Capítulo VI: As ordens militares, sua organização e vida interna. 10

 Considerações finais. 12

 Bibliografia. 12

 Imagens. 12

 

 

Introdução: A cavalaria

 

Em meados do século V a legião, organização militar romana que se batia em filas cerradas e compactas acompanha a decadência do Império Romano do Ocidente, ficando a cavalaria como única arma eficaz de defesa. Cito um exemplo ocorrido na batalha dos Campos Catalúnicos (451) entre Hunos e Romanos aliados a Visigodos que foi travada exclusivamente pela cavalaria. O ideal de soldado tornou-se a bravura e a força no seu estado mais primitivo. A maior honra para os homens passa a ser a glória da morte corajosa no campo de batalha, como estava patente na ideologia germânica.

 

Com a desagregação do mundo romano, a sua viragem para a ruralidade, a decadência das cidades, e a desorganização e insegurança social nasce uma nova época para a Europa Ocidental. Emergem dois poderes distintos: o primeiro, a Igreja Católica Romana, como herdeira do Império, receptáculo do poder eterno e divino. No entanto, o predomínio religioso absoluto só seria possível se a guerra e a paz fossem conduzidas segundo as leis da igreja; o segundo poder era a ordem social, criada pelo feudalismo que se implantava, que se encontrava na mão da aristocracia guerreira e que visava a obtenção de segurança num mundo pautado pela incerteza, em que as pessoas estavam desamparadas e sem nada a que se apoiar.

 

A guerra não foi proibida nem tão pouco abolida, visto que era considerada inerente à natureza humana. Porém, influenciada pela Igreja, aparece como um julgamento pelas armas, a qual Santa Sé arbitrava em nome de Deus.

 

No entanto, a Igreja impunha limites à guerra. É o caso da “Paz de Deus” de que se ouve falar a primeira vez cerca de 990. Visto que a força e violência dos cavaleiros era tal a igreja tentou restringir-lhes a actividade tomando sob a sua protecção os pobres (clérigos, camponeses, mulheres, órfãos, peregrinos e velhos) interditando aos cavaleiros o uso de violência sobre eles. Passando depois para uma imposição com as “Tréguas de Deus” que saem do sínodo de Elna em 1027 no qual se limita e canaliza a violência dos guerreiros para a “guerra justa”, exposta sob várias condições: toda a guerra defensiva é justa; a guerra travada para recuperar um bem injustamente tomado é lícita; a guerra tem que ser decretada por uma autoridade legítima.

 

Para fazer cumprir isto a igreja usava duas armas terríveis: a excomunhão (ou seja um rei ou nobre quando atingidos pela excomunhão não podiam receber os sacramentos nem tão pouco podia pisar solo sagrado, muito menos ser enterrados nele) e o interdito (um nobre interditado não podia ter nas suas terras um padre, até podia ter uma igreja, mas era proibido o seu uso e por consequência as populações que viviam nesse domínio deixava de ter acesso ao culto).

 

Em 1095 o papa Urbano II no concílio de Clermont convida os cavaleiros a respeitar ambos os movimentos anteriores, apelando por outro lado à guerra para libertar Jerusalém, ocupada “injustamente” pelo Islão. O guerreiro torna-se num cavaleiro cristão que une à sua força e entusiasmo germânico, a humildade e princípios cristãos. Infelizmente esta fusão não teve o reflexo desejado, pois raramente foi concretizado no calor da batalha. Acaba de nascer o movimento que ficará conhecido como as Cruzadas do Oriente.

 

 

Capítulo I: O contexto de aparecimentos das ordens militares (seus aspectos)

 

Vários aspectos contribuíram para o aparecimento das ordens militares. A saber:

 

- Aspectos económicos e sociais: após o ano mil dá-se um grande florescimento económico e demográfico no ocidente cristão que se prolongará por três séculos, verificando-se progressos técnicos a nível agrícola (alfaias de ferro, afolhamento trienal), renascimento das cidade aliado a um renascimento do comércio (cito os casos das cidade italianas de Veneza e Génova, a Flandres com Bruges à cabeça, as feiras da Champagne), repercutindo-se num aumento demográfico por todo o Ocidente e também se prende com a necessidade de proteger as novas rotas comerciais.

 

- Aspectos religiosos e políticos: dão-se grandes peregrinações a Roma, a Jerusalém e a Santiago de Compostela; a reforma gregoriana e a intenção do papa Gregório VII (1073-85) que pretende arrancar a igreja ao laicismo que alastrava por ela dentro. O desenvolvimento espiritual do séc. XI em que o ocidente se cobre de muitas igrejas; a evolução do monaquismo especialmente com a ordem de Cister e de ordens dos cónegos regulares. Impõe-se a ideia da divisão social em três grupos: bellatores que tem por obrigação combater e defender os demais, oratores que rezam para a salvação e intercedem junto de deus a favor dos demais, laboratores que tem o dever de sustentar os dois grupos anteriores e “trabalhar em prole dos outros”.

 

Há também a recuperação da ideia da “guerra justa” e a redescoberta do pensamento de

Santo Agostinho.

 

- Aspectos Militares: basicamente deve-se às cruzadas. Porém era um movimento não inovador uma vez que no Magreb no séc. IX existiam Ribats que eram conventos – fortaleza muçulmanos em que os seus membros cumpriam um serviço temporário e lutavam pela expansão do Islão.

 

A Cruzada é pregada por Urbano II no concílio de Clermont em 1095. Os cristãos gregos de Constantinopla não se associam, exceptuando pontualmente, vindo mesmo a ser vítimas do movimento em 1204, quando os cruzados tomam Constantinopla.

 

Mas falando pessoalmente penso que foi este motivo, muitos mais que os outros, que originou o aparecimento das ordens militares: a igreja atinge um extremo de fanatismo religioso, sendo talvez o pensamento de então: “os muçulmanos ocupam Jerusalém, massacram os peregrinos cristãos, o que é inadmissível, canalizemos o ímpeto e a violência dos cavaleiros e vamos expulsar os infiéis da Terra Santa”.

 

As ordens militares oferecem aos cavaleiros uma ascese própria, compatível com o seu modo de vida, evitando o convento e a fuga ao mundo.

 

Sendo produto do séc. XI, satisfazem as necessidades espirituais da cavalaria, na qual a igreja gregoriana se baseia para ter sucesso na reforma no ocidente e nas Cruzadas no oriente.

 

Durante os sécs. XII e XIII os objectivos das Cruzadas alargam-se atingindo os heréticos no Sul de França (albigenses), os adversários políticos da igreja e do papado, populações pagãs da zona do Báltico e a Espanha Muçulmana.

 

Com a Terra Santa perdida, a reconquista finalizada, as ordens militares desaparecem ou transformam-se profundamente.

  

Capítulo II: O percurso internacional das ordens militares.

 

Neste capítulo pretendo abordar cada ordem de forma particular, relatando o seu percurso internacional desde a fundação até ao seu término.

 

 

A Ordem do Templo.

 

A primeira cruzada (1096-99) tornou possível a constituição de quatro estados na Síria-Palestina: o condado de Edessa, o principado de Antioquia, o condado de Trípoli e o reino de Jerusalém (ver mapa 1). Está patente o desejo de povoar e defender esses estados contra os emires de Alepo e de Damasco, assim como contra o califado Fatímida do Egipto, mas também a necessidade de proteger os peregrinos e os lugares santos, o que leva a que em 1120 Hugo de Payns, cavaleiro da Champagne, decida criar com os seus companheiros na Terra Santa uma milícia para proteger os peregrinos e guia-los nos lugares santos.

 

O objectivo é o combate contra os muçulmanos seguindo uma regra religiosa. Assim dá-se a fundação da ordem do Templo sob o nome oficial de “Fratres Militiae Templi”, na Terra Santa em 1119, com o objectivo de combater os infiéis.

 

O rei de Jerusalém, Balduíno II, aprova o projecto e instala-os na cidade na mesquita de al-Aqsa erguida sobre as fundações do Templo de Salomão, estando sob a autoridade do patriarca de Jerusalém e dos cónegos do Santo-Sepulcro.

 

Em 1128 a ordem é confirmada pelo papa devido à intercessão directa de S. Bernardo de Clairvaux que escreve “ De laude nova militae ad milites Templi” na qual exalta os novos cavaleiros e levanta todas as dúvidas sobre a legitimidade das suas acções na Terra Santa.

 

Em 1129 Hugo de Payns faz adoptar ao concílio de Troyes a regra da nova ordem, assim, emancipando-se do patriarcado de Jerusalém. Doações enormes permitem à nova ordem criar uma rede de comendas no ocidente, cujas receitas são enviadas para o oriente, tal como muitos homens livres (nobres ou não) que pronunciam os três votos (obediência, pobreza e castidade) e partem para a Terra Santa para defende-la do infiel. Porém esta história não tem um fim feliz.

 

O processo dos Templários (1307-14) simboliza a afirmação da política do estado moderno face ao poder da igreja. Em 1312 a coroa francesa, na pessoa do rei Filipe IV, o Belo, principal opositor dos Templários, leva o papa Clemente V a abolir a Ordem do Templo, mas sem a julgar ou condenar, no concílio de Viena.

 

Em 1307 são acusados de renegar Cristo, práticas mágicas, e práticas sexuais devassas, as clássicas acusações contra heréticos, prenunciando o seu fim. A reacção dos Templários é inútil e a fogueira é o castigo para 54 membros em Paris, talvez em 1310.

 

Os seus bens são atribuídos á ordem do Hospital ou passam para a coroa francesa. O mestre da Ordem, Jacques de Mollay, após uma conduta hesitante por parte das autoridades inicialmente, termina na fogueira em 18 de Março de 1314.

 

 

A ordem do Hospital.

 

Antes da primeira cruzada um hospital fora fundado em Jerusalém perto do Santo Sepulcro em 1048 por mercadores italianos para acolher os peregrinos que vinham do ocidente. O seu primeiro administrador conhecido é Gérard de Amalfi, liderando o grupo com o nome de “Ordem de S. João do Hospital”.

 

Devido ao sucesso da primeira cruzada, as visitas de peregrinos aumenta, tal como as doações para o hospital. Também no ocidente especialmente nos portos de embarque dos peregrinos (na Itália e na Provença especialmente) os hospitais são fortificados e afiliam-se ao hospital de Jerusalém. O seu crescimento foi rápido e no início do séc. XII, a ordem dispunha de casas dispersas pela Europa e pelo Próximo Oriente.

 

A 15 de Fevereiro de 1113 o papa Pascoal II reconhece o hospital de S. João de Jerusalém como ordem independente recebendo nesse mesmo ano uma regra própria. Ainda no primeiro quartel do séc. XII são-lhe atribuídas características militares, que se juntam aos seus objectivos iniciais de assistência e caridade pública.

 

Adquire esse carácter militar sob o comando de Raimundo de Puy, que sucede a Gérard d’Amalfi em 1120 fortalecendo-se essa facção militar entre 1130 (seguido ao concilio de Troyes dos Templários) e 1136, quando o rei de Jerusalém lhes doa a guarda da fortaleza de Bethgibelin (sul da Palestina). Participam na batalha do Hattin contra Saladino tal como os Templários onde acabam por sofrer baixas numerosas.

 

A queda de S. João de Acre em 1291 obriga os Hospitalários tal como os Templários a refugiarem-se em Chipre (ver mapa 2).

 

A ordem, agora sob a direcção de Guillaume de Villaret e após 1305 do seu sobrinho Foulques de Villaret, conhece sérias dificuldades. A conquista de Rodes começada em 1306 e terminada em 1309 é uma escapatória da falta de poder e contestação que acontecia pelo Ocidente que acusavam as ordens de falhar. Contestação graças à qual os Templários acabaram por pagar por todas as ordens.

 

Rodes era uma ilha grega em que o seu governador se encontrava em rebelião contra o imperador bizantino, além de um ninho de piratas que ameaçava constantemente o comércio e as rotas no Mediterrâneo Oriental. A campanha conclui-se com a submissão de Rodes e das ilhas do Dodecanesso (ver mapa 3).

 

Porém apesar dos seus sucessos, Foulques é impopular e tendo escapado a uma tentativa de assassinato é deposto pelos seus pares em 1317, e depois pelo papa João XXII. Lançara no entanto as bases dum principado que será por dois séculos o bastião avançado da cristandade perante os Turcos Otomanos.

 

A ordem acaba por ser expulsa de Rodes por Solimão, o Magnífico em 1522 após heróica resistência de seis meses de cerco.

 

Após algumas etapas pela Europa recebem das mãos do imperador Carlos V de Habsburgo a ilha de Malta. Aí continuarão o seu papel de bastião da cristandade perante os Otomanos, onde permanecerão até serem expulsos em 1798 por Napoleão Bonaparte.

 

Como é óbvio outras ordens surgiram na Terra Santa: a Ordem Teutónica (fundada em 1198), a ordem de São Lázaro (fundada no fim do séc. XII), ou a ordem de S. Tomás de Acre (fundada em 1227-28).

 

As ordens da Terra Santa possuíam ainda estabelecimentos na Pequena Arménia, em Chipre e nos Estados Latinos da Grécia (fundados após 1204).

 

 

 

Capítulo III: As ordens militares na Península Ibérica, o seu aparecimento (contexto político e militar)

 

Para abordar esta parte julgo que é necessário recuarmos uns séculos, mais precisamente ao ano de 711, ano em que a invasão muçulmana, derrota o rei Rodrigo dos Visitados na batalha da Lagoa de Janta. O reino visigodo encontrava-se num estado de anarquia total e assim o islão submete a península rapidamente, porém subsistem pequenos enclaves cristãos no norte: as Astúrias, nos Pirinéus e o condado de Barcelona reconquistado pelos exércitos de Carlos Magno em 804. Ou seja é das montanhas que partem os primeiros “raids” contra o califado de Córdova. Estes “raids” que posteriormente passarão a campanhas deu-se o nome de Reconquista.

 

A reconquista tem duas fases principais: a primeira que ocorre nos sécs. XI e XII com a tomada de Saragoça e Toledo, aproveitando a divisão do Califado de Córdova no séc. XI em diversos reinos taifas.

 

A Segunda fase ocorre na primeira metade do séc. XIII após a batalha de Navas de Tolosa (1212) e cuja vitória abre a Espanha do Sul e Portugal aos exércitos cristãos.

 

A reconquista acompanha progressivamente a formação dos reinos ibéricos: Leão e Castela que se fundirão (1230), Portugal, Navarra, Aragão e Catalunha.

 

A ponte de ligação entre a reconquista e as cruzadas do oriente é a luta contra os muçulmanos. Sendo a participação das ordens internacionais apagado pois concentram os seus esforços em grande parte na Terra Santa, o que leva os monarcas ibéricos a criar as suas próprias ordens militares, mas com uma raiz e identidade própria.

 

O próprio ambiente era favorável à associação entre a luta militar e o ascetismo antes da introdução das ordens do Templo e do Hospital na península, pois já havia confrarias ou seja associações de cavaleiros próximos à monarquia e sob jurisdição episcopal mas que acabam por se ligar a ordens religiosas existentes: os cavaleiros de Santiago associam-se aos cónegos de Santo Agostinho tal como os de Calatrava aos monges de Cister.

 

A principal razão de ser das ordens ibéricas seria a perseguição dos inimigos de Cristo e a expulsão total do Islão.

 

 

Capítulo IV: As ordens militares em Portugal

 

Tal como em Castela, Leão e Aragão, Portugal também teve ordens militares no seu território e com um papel bastante relevante em diversos aspectos (ver mapa 4).

 

Como tal começarei pelas ordens ditas internacionais: o caso do Templo.

 

O documento mais antigo em relação aos Templários data de 1128, e tratava-se da doação do castelo e terra de Soure (a 20 km de Coimbra) aos Templários por parte de D. Teresa. Esta terra estava à cabeça dum vasto domínio em torno do itinerário romano que ligava: Lisboa (Olissipo), Coimbra (Aeminium) e Braga (Braccara Augusta) denotando confiança da condessa na ordem para defender e povoar este território estratégico.

 

Em 1131 D. Afonso I transfere a corte para Coimbra o que valoriza este território. Os Templários restauram o castelo e constróem a fortaleza de Ega.

 

O seu primeiro combate data de 1144 na altura do ataque muçulmano contra Soure, a que resistem heroicamente e saem vencedores.

 

Por esta época sofrem uma reorganização interna e aparecem as primeiras referências ao procurador da ordem (um investigador encarregue de zelar e controlar se os membros cumprem o que lhes é pedido ou que juraram obedecer à regra).

 

Em 1145 recebem novas doações como: Penas Roías, Mogadouro e Longroiva. A partir daí participam cada vez mais activamente nas campanhas de D. Afonso I. Participam na tomada de Santarém e de Lisboa (1147).

 

Entre 1157-58 D. Afonso I outorga-lhes uma carta de liberdade e de imunidade dos seus bens para com os funcionários da coroa. Os seus territórios não podem ser penetrados por qualquer tipo de agente ou funcionário da coroa e livram-se do pagamento de impostos à coroa entre outras benesses.

 

O período dourado da ordem em Portugal coincide com o governo do mestre Gualdim Pais (1156-1195), que participara na Segunda cruzada (1151/52-1155/56) e que ficara pelo Oriente mais uns anos após a cruzada. Quando regressa é eleito mestre, mandando erguer o castelo de Pombal (1156). Recebem também em 1159 o castelo de Ceras.

 

Terminam a construção do castelo de Tomar em 1169. O rei confirma-lhes a possessão do seu território e ganham ainda mais dois castelos: Cardiga e Zêzere.

 

Iniciam então um programa de reforma e restauração de fortalezas, o mais ambicioso do séc.XII, como por exemplo construção de Almourol, Pombal, Penas Roías, Longroiva e reforma dos castelos de Cardiga, Zêzere, Monsanto, Idanha-a-Velha.

 

No fim do séc. XII controlam a margem norte do Tejo (Castelo Branco, Idanha-a-Velha, Idanha-a-Nova, Almourol e Tomar) e possuem ainda outros como Soure e Pombal.

 

O seu papel na ocupação do território e na sua defesa foi fundamental tal como atraíam colonos e deram um grande incentivo ao povoamento dos territórios a eles confiados. O seu património a nível geográfico situa-se entre o Mondego e o Tejo.

 

No fim do séc. XII início do séc. XIII esse património divide-se em quatro zonas: a primeira que controla o intenerário romano (Soure, Ega e Pombal); a segunda controla a rota do interior (Ceras, Tomar e Almourol); a terceira toca a fronteira oriental do reino (Monsanto e Idanha-a-Velha) e a quarta é o nordeste do país (zona de Trás-os-Montes e Beira-Alta). Tinham ainda o castelo de Nisa.

 

Passo agora há segunda das ditas ordens internacionais: o caso do Hospital.

 

Os Hospitalários aparecem em Portugal entre 1122-28. No início tal como na Terra Santa não tiveram mais que um papel de assistência social tendo uma sede civil em Leça do Bailio.

 

O primeiro testemunho de actividade militar verifica-se em 1189 na tomada de Silves por D. Sancho I. Em 1194 recebem a Quinta de Guidimtesta, onde irão construir o castelo de Belver.

 

Em 1217 participam na conquista de Alcácer do Sal.

 

Em 1224 D. Sancho II doa-lhes o castelo de Algoso na fronteira nordeste do reino para a protegerem de ataques vindo de Leão. Pouco depois D. Sancho II atribui-lhes o priorado do Crato (1232), onde construirão o dito castelo.

 

A acção militar dos Hospitalários na margem esquerda do Guadiana assegura-lhes, por quarenta anos, a possessão dos castelos de Mourão, Moura e Serpa.

 

Em meados do séc. XIII tinham erguido o castelo da Amieira, na margem esquerda do Tejo.

 

O património português da ordem é o reflexo do papel exclusivo de assistência social executado nos primeiros três quartos do séc. XII.

 

A sua geografia de património está centrada a norte do Douro tendo ainda mais dois pólos: um em redor do Tejo entre Pedrógão, Oleiros, Belver e Crato, e um outro em redor do Guadiana especialmente na margem esquerda (Mourão, Moura e Serpa).

 

Como referi atrás a ordem do Templo foi extinta pelo papa e por influência de Filipe IV – O Belo, rei de França e Nogaret, o seu chanceler.

 

Em 1317 o rei de Aragão funda a Ordem de Montesa, que agrupa algum património templário desse reino (no reino de Valência). Nos outros territórios o património templário passou para os Hospitalários.

 

Em Portugal deu-se algo semelhante e em 1319, devido ao grande papel de D. Dinis (1279-1325), funda-se a Ordem de Cristo que conserva o hábito branco e a cruz vermelhas dos Templários, apesar, de se afiliar a Calatrava. A sua primeira sede foi Castro Marim, no extremo sudeste do reino. Mais tarde a sua sede foi transferida para Tomar. Não falo mais sobre esta ordem porque o seu tempo será o da expansão ultramarina onde ai sim irá continuar o espírito da reconquista mas numa outra perspectiva.

 

Outra ordem bastante relevante para a história portuguesa foi a Ordem de Santiago. Esta ordem aparece em Portugal em 1172 aquando recebe Arruda (dos Vinhos) das mãos de D. Afonso I. Recebem também o castelo de Monsanto (1172) e Abrantes (1173) que perdem tempos depois. Durante os últimos anos de D. Afonso I e o início do reinado de D. Sancho I conhecem um período negro após um começo promissor.

 

Em Outubro de 1186 recebem de D. Sancho I os castelos de Alcácer do Sal, Palmela e Arruda. Mas estes castelos estão pouco tempo nas suas mãos pois as campanhas almóadas de 1190 e 1191 fazem perder estes territórios.

 

Em 1217 participam na reconquista de Alcácer do Sal e recuperam os castelos perdidos a sul do Tejo. É-lhes doado Aljustrel (1235), Sesimbra (1236), Mértola (1239), Ayamonte (1240) e Tavira (1244) tendo uma importância fundamental na parte final da reconquista portuguesa.

 

A sua intervenção no final da reconquista do território português tornou-lhes possível consolidar os seus domínios territoriais no sul do reino especialmente entre o Alentejo e o Algarve.

 

Em 1327 num registo a ordem possuía 31 comandos da ordem em Portugal: quatro a norte do Tejo e os restantes repartidos entre o Alentejo e o Algarve.

 

A primeira sede da ordem foi em Santos (região de Lisboa), depois passou para Alcácer do Sal, de seguida para Mértola e por fim para Palmela.

 

Durante bastante tempo a ordem portuguesa de Santiago não foi mais do que um ramo da ordem castelhana governada por um comandante-geral sob tutela do mestre de Uclés (casa-mãe da ordem em Castela). A sua independência verificou-se ao tempo do rei D. Dinis, conseguindo obter do papa Nicolau IV, a bula Pastoralis Officii (17 Setembro de 1288) pela qual o papa aceita a autonomia portuguesa e a eleição dum mestre português. Claro que o mestre de Uclés não apreciou a ideia e contestou a decisão. E o assunto não conheceu uma solução final e formal até ao ano de 1452 (absorção do património da ordem pela coroa portuguesa).

 

Esta questão ilustra a rivalidade luso-castelhana e a inteligência do nosso monarca para quebrar a hegemonia, embora indirecta, ou directa da coroa de Castela sobre a ordem de Santiago, que se envolvera numa disputa pelo trono. Para além de que uma ordem portuguesa de Santiago eliminava uma possível ameaça externa, tendo em conta que o tratado de Alcanizes ainda não fora assinado, e como esta ordem controlava o Algarve e grande parte do Alentejo sul, na eventualidade duma guerra com Castela, os castelos, sob a égide de Santiago não resistiriam se os seus líderes castelhanos fizessem parte desse hipotético ataque.

 

Contudo fica a minha opinião de que foi uma manobra de estadismo magnífica por parte do nosso rei, anulando de uma só vez a influência do ramo castelhano da ordem em Portugal como num plano mais elevado a própria coroa castelhana.

 

Há que referir ainda uma outra ordem militar extremamente importante para Portugal: a Ordem de Avis. A sua origem é paralela à ordem leonesa de Alcântara.

 

No início é uma confraria militar fundada em 1167 em Évora. Na verdade após a partida de Geraldo Sem Pavor e dos seus companheiros, este território ficara sem protecção militar. Assim o nosso rei D. Afonso I cria uma instituição monástico-militar na cidade.

 

A ordem afilia-se a Calatrava., esta de filiação cisterciense. Apresenta nos seus inícios uma vocação militar muito forte. O seu primeiro mestre foi o cavaleiro Gonçalo Viegas de Lanhoso, que morreu em Alarcos, em 1195.

 

Rapidamente as doações reais à ordem de Avis expandiram-se para além de Évora. Em 1176 é-lhe concedido o castelo de Coruche. Em 1187 recebem de D. Sancho I o castelo de Alcanede e a terra de Alpedrinha. Pouco depois recebem Benavento e Mafra. Em 1211 recebem Avis, com o compromisso de a fazer popular e construir um castelo, concluindo em 1214.

 

Até este momento, o papel principal dos irmãos de Avis, era o serviço ao rei e o povoamento, mas a ordem não adquire um papel verdadeiramente importante até ao fim do séc. XIII.

 

O património de Avis compõe-se de vários castelos concentrados sobretudo no Alto-Alentejo, em redor de Avis, onde existem nove fortalezas: Benavento, Coruche, Seda, Alter Pedroso, Avis, Veiros, Juromenha, Alandroal e Évora. Possuem ainda: Alcanede e Mafra; Noudar; Paderne e Albufeira.

 

Apesar de afiliada a Calatrava a monarquia portuguesa procura autonomisá-la. O rei D. Dinis intervém na eleição do mestre da ordem em 1311. De qualquer modo a sua dependência era meramente formal, conciliada, com o “direito de visita” por parte das autoridades de Calatrava (direito reservado ao mestres de Calatrava que podia visitar os territórios da ordem de surpresa para indagar se a regra estava a ser cumprida e se os irmãos cumpriam com todas as suas obrigações vendo também o estado do património da ordem).

 

Todas as ordens dispõem de diversas vantagens tais como: o prestigio; as isenções próprias das ordens monásticas; o apoio do papa; os privilégios e os meios materiais concedido pela monarquia; a ligação estreita com a categoria social da nobreza.

 

Adquire um papel importante na sociedade portuguesa o que leva que a partir do séc. XIII a monarquia pretende controlá-las.

 

A referir que a intervenção militar das ordens em Portugal foi acompanhada por uma colonização territorial que deixou marcas profundas na paisagem rural e no povoamento do reino, especialmente nas regiões do centro e do sul.

 

É importante ainda referir que a importância da jurisdição espiritual das ordens nas terras conquistadas, deixa marcas profundas e influencia os quadros mentais. Têm também diversos conflitos com as populações o que demonstra o comportamento senhorial dos membros das ordens militares como administradores dum património senhorial.

 

Para os monarcas controlarem o património das ordens geralmente socorriam-se das inquirições, não só para elas como para nobres e outras instituições eclesiásticas. A inquirição era uma “investigação” acerca dos bens possuídos, se estavam legítimos ou não (isto é se a doação ou posse estava documentada, e ai, saber-se-ia o que tinha sido doado, como tinha sido doado e se não tinham adquirido terras vizinhas ou próximas há custa duma certa doação). Permitia ao rei conhecer a força das ordens, o seu território e também os meios que possuíam ou seja o património. Claro que terras sem carta de doação ou com carta duvidosa eram-lhe retiradas e passavam para a coroa.

 

Outro meio usado pelos nosso monarcas foi o de “equilíbrio de forças” entre as diversas ordens militares. Isso nota-se na zona que cada uma tem sob seu controlo e não favorecem uma mais que a outra mas procuram uma certa harmonia entre os territórios dados a cada uma delas e para que uma não se torne mais poderosa que as demais.

 

Durante a primeira fase da implantação do tabelionato no reino (1212-47) não encontramos quaisquer oficiais nas vilas localizadas nas regiões da Beira-Baixa e Alentejo talvez por causa das vicissitudes da guerra. Porém destaca-se uma presença notarial mais efectiva nas vilas da ordem de Avis ou sob a sua jurisdição. A partir de 1266 adquirem cada vez mais importância a nível dos registos sendo provável que a partir daí a instituição do tabelionato se organiza assim: designação do tabelião em articulação entre concelho/câmara e a ordem; provimento do ofício pelo mestre/prior e por fim confirmado pelo rei, com a abertura do sinal de tabelião em livro de chancelaria.

 

Aqui se prova como após as guerras as ordens cada vez mais se fundem na administração e governo público levando à sua absorção total num período vindouro.

 

  

Capítulo V: O papel das ordens militares na arquitectura militar.

 

Nesta parte procuro abordar as principais inovações introduzidas em Portugal devido às ordens militares no campo da arquitectura militar.

 

Uma das inovações trazidas é a Torre de Menagem (a torre maior dos castelos numa fase inicial ergue-se no meio da construção isolada, posteriormente chega-se há muralha, mas continua sempre com preponderância). É o caso de Pombal e Tomar.

 

Outra das inovações é o alambor ou seja, a inclinação voluntária da parede exterior do muro na base, o que dificulta o trabalho dos sapadores e a aproximação das máquinas de cerco, paralelamente elimina os ângulos mortos, impedindo aos sitiantes de se abrigarem nesses pontos evitando o “fogo” dos arqueiros.

 

Na Terra Santa várias fortalezas possuem-no tal como o Krak de Chevaliers e o castelo de Belvoir (ver figuras 1 a 5). O mestre Gualdim Pais visitou-os antes de reproduzir o sistema em Tomar.

 

A terceira inovação é o furdício, uma espécie de varanda em madeira, construída no exterior ou em cima da muralha, que permite um flanqueamento vertical e permite o disparo de projécteis. O primeiro exemplo em Portugal aparece na torre de Longroiva.

 

Os Hospitaleiros após receberem de D. Sancho I a Quinta de Guidimtesta constróem a fortaleza de Belver, inspirada na fortaleza oriental de Belvoir (ver figuras 4 a 6). Sendo um bom exemplo das fortificações romanas no fim do séc. XII apresenta uma forma arredondada, o número de torreões associado ao muro é reduzido, no centro encontra-se a torre de menagem aproveitando a existência duma pequena colina, tendo 11 morteiros colocados na muralha exterior apontados para o acesso ao castelo.

 

Penso que estas foram as grandes inovações trazidas para Portugal pelas ordens militares internacionais (Templo e Hospital) e que alteraram definitivamente o castelo português a acrescentar ainda a influência que tiveram sobre o património arquitectónico religioso trazendo também as influências orientais (ver figura 7).

 

Porém não só foram elas a dar algo ao panorama dos castelos portugueses. A ordem de Avis revela uma capacidade fantástica de assimilar a herança recebida da arquitectura militar muçulmana. Em muitas fortificações reconstroiem sobre a estrutura muçulmana (o caso do castelo da Juromenha).

 

Confiam também a construção a “alarifes” muçulmanos como o caso do castelo do Alandroal. A estrutura do castelo é cristã, o alcazar está isolado por um muro onde se insere a torre de menagem, possui também uma cisterna interior e as portas rodeadas por arcos cegos (arco grosso em que a porta se encontra no fim), sistema desconhecido dos cristãos. Possui também frases judiciosas em relevo o que é estranho à epigrafia cristã. A título de curiosidade uma dessas frases é: “Não há mais que um vencedor senão Alá”, a divisa dos reis de Granada, o que diga-se é irónico num castelo cristão. Este castelo não é nada mais que o encontro entre duas civilizações, característica, aliás da história peninsular.

 

Esta interpenetração não só se verificou neste ponto, como, na língua, nas culturas da terra, na toponímia entre outros. E não foi só a nível militar como também em outros edifícios desde mesquitas transformadas em igrejas, como casas entre outros edifícios.

 

 

Capítulo VI: As ordens militares, sua organização e vida interna.

 

O Templo foi o modelo para a maioria das ordens religioso-militares. Calatrava, Alcântara, Avis (posteriormente a efémera ordem de Santa Maria (1272-81) e as ordens de Montesa (1317) e de Cristo (1319), herdeiras dos Templários compõem a grande família das ordens militares cistercienses ibéricas.

 

Há muito mais pontos em comum que diferenças entre as ordens religioso-militares: o seu carácter religioso é preponderante, mas os seus membros, continuam na maioria laicos. Os irmãos das ordens são considerados como homens piedosos e como bons intercessores perante Deus.

 

A retaguarda das ordens no ocidente está bem protegida devido a disporem duma vasta rede de comendas e o seu património acresce regularmente graças às trocas, às compras e à exploração racional dos seus territórios o que lhes assegura os recursos necessários à continuação da actividade militar na “frente”.

 

A transferência de bens, de homens, de cavalos e de armas para o oriente estimula o desenvolvimento das técnicas de construção naval especialmente pelos Templários e pelos Hospitalários, tal como operações financeiras como transferências monetárias, câmbios e empréstimos.

 

A organização interna funda-se sobre as divisões políticas e religiosas da época.

 

Distinguem-se três escalões:

 

a) Na base encontramos as comendas (com a casa principal, as terras, casas secundárias ou casas membros) dirigidas por um comendador.

 

b) A nível intermédio temos: as províncias (Templários), os priorados (Hospitalários) e por vezes circunscrições secundárias (os bailiados dividem as províncias do templo).

 

Com os teutónicos há um grão-mestre territorial que depende do grão-mestre da ordem.

Na península há uma estrutura intermédia para cada reino: encomienda-mayor (comum ao Templo, ao Hospital e a Santiago).

 

c) A nível superior existe: o mestre (ou grão-mestre) e dignatários diversos (grão-comandante, marechal, porta-estandarte).

 

No caso das ordens militares espanholas há uma dupla hierarquia: militar e religiosa. Em Santiago e Calatrava um prior dirige os clérigos da ordem, que vivem, por vezes num convento separado.

 

Os três níveis costumam reunir-se em capítulos anuais para discutir os seus problemas.

Quanto ao recrutamento, são todos laicos excepto os irmãos capelães, se bem que aja laicos que pronunciem os votos religiosos. Todos os homens livres podem entrar na ordem, mas a nobreza é exigida para os cavaleiros. As categorias dos irmãos são: cavaleiros, sargentos de armas (combatentes) e irmãos do ofício (dirigem as actividades económicas das comendas). Os camponeses que cultivam as terras das ordens não são membros da ordem, mas estão sobre a sua protecção espiritual e física.

 

Na península os membros das ordens são irmãos e pronunciam os três votos.

 

Os irmãos-cavaleiros compõem a ossatura das ordens religioso-militares, mas há outras categorias como os irmãos conversos (que não pronunciam os votos mas fazem parte da ordem), e os irmão clérigos (asseguram o serviço religioso e são padres).

 

Na península a organização das ordens é paralela:

 

-          Militar – o mestre (eleito pelos seus pares e que comanda a milícia e o exército), o grão-comandante (que administra o convento) e o “clavier”. Com a expansão das ordens aparece o comendador, nomeado pelo mestre, e que comanda uma unidade mais pequena.

 

-          Eclesiástica – o prior, o sub-prior, o sacristão e os capelães.

 

Com a formação das comendas constitui-se a “Mesa Mestral” que elege o mestre da ordem. A nível de governação interna é de destacas os capítulos-gerais.

 

O hábito distingue os cavaleiros dos sargentos: só os primeiros podem usar o manto branco dos Templários ou Teutónicos ou o manto vermelho dos Hospitalários. As mulheres não podem entrar na ordem do Templo, nas outras, são admitidas na sua vertente caritativa. A ordem de Santiago aceita homens casados que vivam sobre a regra da “castidade conjugal” e para estarem com as mulheres só fora do convento.

 

Na Terra Santa aceitam o serviço temporário de senhores que servem “por um tempo”, podendo também ser-se confrade duma ordem militar, legando-lhe os seus bens mas sem pronunciar os votos.

 

Os irmãos das ordens vivem sobre uma regra (uma declaração de princípios que devem respeitar tal como um código de vida comunitária).

 

Os Templários inspiram-se na regra beneditina mas seguem na vida conventual os usos dos cónegos de Santo Agostinho. Os Hospitalários seguem a regra de Santo Agostinho. Os Teutónicos inspiram-se nos Hospitalários na prática da caridade e nos Templários na prática da vida conventual. As ordens militares espanholas adoptam a regra da ordem de Cister e a ela se afiliam, excepto Santiago, dispondo o abade de Cister do direito de visita sobre elas.

 

Durante as campanhas militares, nos acampamentos, fazem adoptar os usos religiosos, mudam os horários do ofício canónico geralmente para a noite, e os dias de jejum tendem a ser praticados cada vez mais no Inverno.

 

As ordens estão colocadas sobre a dependência do papa, ou seja, os seus camponeses não pagam os dízimos e só o papa pode excomungar os irmãos.

 

Nas “linhas da frente” constróem enormes castelos enquanto na retaguarda estabelecem-se em conventos rurais ou quintas fortificadas tendo por objectivos captar proventos destinados ao financiamento da guerra contra o Islão e onde formavam os irmãos mais jovens e para onde se retiravam os irmãos mais velhos.

 

Quanto a Portugal, a ordem de Avis esteve na dependência normativa da ordem de Calatrava. A ordem de Cristo está também dependente de Calatrava até ao séc. XV. A ordem portuguesa de Santiago depende de Uclés, em Castela.

 

Há ainda um tema que é importante focar: as Visitações. Eram inspecções periódicas cujo propósito é conhecer o estado de conservação do património da ordem tal como o comportamento dos irmãos. Os visitores eram nomeados em capitulo-geral e deviam registrar em livros os seus resultados.

 

Em matéria de vida religiosa há diferenças profundas entre os membros das ordens e a população laica. As regras e estatutos fixam essa diferença: tinham que cumprir as horas canónicas, assistir à missa todos os dias, praticar a comunhão, a confissão, os jejuns e ler a regra da ordem respectiva ao menos uma vez por mês. No convento deviam submeter-se às obrigações da vida comum.

 

 

Considerações finais.

 

Assim termino o meu trabalho. Penso ter mostrado o papel das diversas ordens religioso-militares em Portugal.

 

Fiz uma breve referência ao que foram, em que circunstância nasceram e o rumo que tomaram. Também pretendi escrever acerca da sua importância a nível militar, o seu papel na sociedade e um olhar sobre a sua organização e influências que introduziram no ocidente.

 

Agradeço a oportunidade para fazer este trabalho que me deu muito gosto.

 

Agradeço também ao meu colega e amigo João Pedro Cotrim pela ajuda prestada na redacção final deste trabalho.

 

Deixo também os meus agradecimentos ao Dr. João Gouveia Monteiro que muito me auxiliou.

 

 

Bibliografia.

 

Bréve Histoire des Ordres Religieux Militaires, collection bréve Histoire, Alain Demurger

 

O tempo dos cavaleiros, dossiers o homem e a história, Editora Pergaminho

 

As ordens militares em Portugal e no sul da Europa, Actas do II encontro sobre ordens militares, Edições colibri/câmara municipal de Palmela, 1997

 

As ordens militares: guerra, religião, poder e cultura, Actas do III encontro sobre ordens militares, volume 2, Edições colibri/câmara municipal de Palmela, 1999

  

Imagens.

 

Mapa 1 – Estados Latinos do Oriente na Costa Sírio-Palestiniana.

 

 

Caixa de texto: Mapa 2 – Percurso internacional das Ordens Militares após a perda da Terra Santa.

 

 

Mapa 3 – Os domínios da Ordem do Hospital em Rodes, Dodecaneso, fortalezas na Ásia Menor.

 

 

Mapa 4 – A Península Ibérica nos séculos XIII e XIV. As sedes das Ordens em solo ibérico.

 

Caixa de texto: Ao lado esquerdo, Figura 1 – Krak de Chevaliers (reconstituição). 
Em baixo, Figura 2 – Krak de Chevaliers (alambor)

 

 

 

Figura 3 – Krak de Chevaliers (visão actual)

 

Caixa de texto: Figura 4 – Reconstituição do Castelo Hospitalário de Belvoir.

 

 

 

Figura 5 – Ruínas do Castelo Hospitalário de Belvoir.

 

 

Figura 6 – Castelo de Belver, inspirado no Castelo de Belvoir na Terra Santa.

 

 

Caixa de texto: Figura 7 – Charola do Convento de Cristo em Tomar, de concepção Templária, baseada na Igreja do Santo Sepulcro.

 

 

 

Figura 8 – Jacques de Mollay, último grão-mestre da Ordem do Templo.

 

 

Coimbra

Maio de 2003

João Simões

 
 

 

Guarda Almada    Castelos    Seixal    Sesimbra  Palmela  Arqueologia   Historia Portugal no mundo

intercâmbio  Adicionar Página  Contactos    Publicidade

Copyright © Ptwebs.